Mostrando postagens com marcador Geografia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Geografia. Mostrar todas as postagens

Estados Unidos da América


1.INTRODUÇÃO

Estados Unidos da América, república federal situada na América do Norte e formada por 48 estados contíguos, além do Alasca e do Havaí. Dos Estados Unidos dependem, sob formas variadas, o estado associado de Porto Rico, as Ilhas Virgens, a baía de Guantánamo (Cuba), a ilha de Guam, a Samoa Oriental, as ilhas Marianas, o arquipélago Midway, a Federação de Estados Micronésios, as ilhas Palau, o arquipélago das ilhas Marshall e outras pequenas ilhas e ilhéus de importância militar. O conjunto dos 48 estados limita-se ao norte com o Canadá, a leste com o oceano Atlântico, ao sul com o golfo do México e com o México e a oeste com o oceano Pacífico. Os Grandes Lagos e o rio São Lourenço formam parte da fronteira norte; o rio Grande, ou Bravo, faz parte da fronteira sul. A capital é Washington. A superfície é de 9.809.155 km2 (inclusive o distrito federal de Colúmbia).

2.TERRITÓRIO E RECURSOS

A parte mais antiga do continente é o escudo canadense, ou meseta laurentina, massa granítica no nordeste dos Estados Unidos, formada no período pré-cambriano. Após a colisão que formou os montes Apalaches, o continente começou a se deslocar em direção ao oeste. Os Apalaches começaram a sofrer erosão e seus sedimentos se acumularam nas Grandes Planícies do centro do continente e nas planícies costeiras do Atlântico e do golfo do México. Enquanto isso, a colisão do continente com a placa do Pacífico provocou novos alinhamentos montanhosos no oeste: as Montanhas Rochosas, Sierra Nevada, na Califórnia, os montes Wasatch, em Utah, diversas cordilheiras em Nevada e a cordilheira Teton, em Wyoming. Durante os períodos glaciais, formaram-se os lagos alinhados e as rochas descobertas da Nova Inglaterra e do norte de Minnesota (ver Tectônica de placas). Existe grande diversidade de temperaturas de sul a norte e grande variedade de climas, dependendo das estações e dos estados; em geral, variam do clima subtropical da Flórida ao frio e úmido do norte, passando pelo quente e seco do sul e pelo continental das grandes planícies centrais. Os principais rios são: Hudson, Mississippi, Arkansas, rio Grande, Colorado, Snake e Colúmbia. Os cinco Grandes Lagos — Ontário, Erie, Huron, Michigan e Superior — ocupam uma série interconectada de bacias que formam grande artéria de transporte. Os bosques ocupam 32% da superfície dos Estados Unidos. Ao norte, o Alasca é uma tundra, no interior e no sul crescem principalmente pinheiros e abetos, dando lugar à denominada taiga. No entanto, mais em direção ao sul, o bosque alcança sua diversidade máxima: o Parque Nacional Great Smoky Mountains. No sul da Flórida, crescem espécies subtropicais e tropicais. Nas áreas árticas e regiões montanhosas de tundra, vivem marmotas, esquilos da terra, peixes de água fria e a truta comum. Nos bosques de madeira nobre do leste do país, habitam alces, ursos negros, cervos, raposas, mapaches, zorrilhos e grande variedade de pássaros pequenos. Na costa do golfo do México vivem pássaros maiores. O bisão está, em geral, associado às pradarias.

3.POPULAÇÃO E GOVERNO

A população (1995) é de 263.437.000 habitantes, com densidade de 26,4 hab/km2. O grupo mais numeroso (aproximadamente 58 milhões) é de ascendência inglesa; 38,7 milhões são descendentes de irlandeses e 32,7 milhões de alemães. Perto de 31,8 milhões de norte-americanos de cinco anos ou mais cresciam em famílias nas quais se falava alguma língua além do inglês. Os brancos constituem 83,9% da população, os negros 12,3%, os descendentes de índios americanos 0,8% e os asiáticos e habitantes das ilhas do Pacífico, 3%. O maior grupo religioso é formado pelos católicos, com 25% da população. Entre os grupos protestantes destacam-se os batistas (19,4%), os metodistas (8%), os presbiterianos (2,8%), os pentecostais (1,8%) e os episcopalianos (1,7%). A Igreja ortodoxa possui um número de seguidores em torno de 3%. As religiões não cristãs mais numerosas são o judaísmo (2%) e o islã (ver Fundamentalismo; Movimentos missionários). O inglês é a principal língua. Dos 32 milhões que se expressam em língua diferente, 54% fala espanhol e o restante, outros idiomas (ver Música popular; Dança; Literatura norte-americana; Arte e arquitetura dos Estados Unidos; Pintura; Escultura). A lei suprema é a Constituição de 1789. As primeiras 10 emendas (conhecidas como Declaração de Direitos), adotadas em 1791, garantem as liberdades civis. Entre 1795 e 1992, foram adotadas 17 emendas adicionais que, entre outras medidas, aboliam a escravatura e estipulavam o sufrágio universal para os maiores de 18 anos. O presidente é a máxima representação do Estado e chefe de governo. Todos os poderes legislativos são exercidos pelo Congresso, que é bicameral.

4.ECONOMIA

Desde o início do século XX, é o principal país industrial do mundo. O desenvolvimento mais importante da economia desde 1945 foi o crescimento deste setor. A moeda é o dólar. O gado vacum é o principal item das exportações agropecuárias. Os principais cultivos são cítricos, feno, batatas, açúcar, beterraba, cereais e uvas. No que se refere à pesca comercial, é a sexta nação do mundo em toneladas capturadas. É um dos líderes mundiais em produção mineral. Os três principais produtos são: petróleo, gás natural e carvão. No final dos anos 80, produzia aproximadamente 55% do molibdênio mundial, 51% da mica, 40% do magnésio, 30% do fosfato, 23% do alumínio, 22% do chumbo e 20% do enxofre básico. As principais manufaturas são produtos químicos, equipamentos de transporte, alimentos processados, maquinaria industrial e equipamentos eletrônicos. No começo da década de 90, a produção nacional bruta ocupava o primeiro lugar mundial, com 6,4 bilhões de dólares, mais ou menos 24.700 dólares per capita (ver Sistema bancário; Finanças; Dinheiro).

5.HISTÓRIA

Antes da chegada dos colonizadores, as culturas autóctones eram seminômades e a densidade da população, baixa. A colonização européia significou a destruição completa dessas culturas (ver Povos indígenas americanos). As viagens, no final do século XV, de Cristóvão Colombo e de Giovanni Caboto, constituíram o início do descobrimento e da colonização do continente americano. A fundação de San Agustín (na atual Flórida) pelos espanhóis, em 1565, marcou o início da colonização européia. O primeiro assentamento permanente criado pelos ingleses foi Jamestown, em 1607. Em 1624, a colônia passou a ser província real. Os franceses fundaram Quebec em 1608 e descobridores como Jacques Marquette, Louis Jolliet y René-Robert Cavalier, senhor de La Salle, garantiram à França vastos territórios no interior, inclusive todo o vale alto do rio Mississippi. Os holandeses alicerçaram suas pretensões sobre esses territórios nas explorações de Henry Hudson, a serviço da Companhia das Índias Orientais. Chegou à baía de Nova Iorque em 1609 e explorou o rio que leva seu nome. Durante os anos seguintes, os holandeses fundaram em Nova Holanda vários postos comerciais. Em 1625, foi fundada a Nova Amsterdam (hoje Nova Iorque). A atividade colonizadora inglesa foi retomada em 1620, quando os separatistas adquiriram o direito de assentar-se em Virgínia e fundaram Plymouth, ponto de partida da colonização da Nova Inglaterra, realizada principalmente por puritanos. A primeira manifestação da autoridade parlamentar sobre as colônias foi a Lei de Navegação, de 1651, que obrigava a que as importações e as exportações das colônias fossem embarcadas em navios de bandeira inglesa; leis posteriores proibiram as relações comerciais entre as colônias e outros países. Em 1660, com o reinado de Carlos II, ampliaram-se as leis de navegação. Em 1684, foi decretada a unificação das colônias em uma única província real, o domínio da Nova Inglaterra. O governo inglês desafiou o poderio militar francês, seu principal rival na construção de um império colonial. A guerra que se seguiu prolongou-se por quase um século, em distintas partes do mundo. O tratado de Utrecht, em 1713, obrigava a França a entregar numerosos territórios. A confrontação decisiva entre a Inglaterra e a França pelo controle da bacia do rio Ohio conduziu à fase final do conflito, a Guerra Francesa e Índia (Guerra dos Sete Anos). De acordo com o tratado de Paris, a França perdeu todas as suas possessões na América do Norte e a Espanha entregou parte da Flórida, que passou às mãos da Grã-Bretanha. Como resultado da guerra, o déficit britânico foi duplicado, o que levou à promulgação de novas leis impositivas, como a Stamp Act e as Townshend Acts, a que se opuseram as colônias. Além disso, numa tentativa de evitar a quebra da Companhia das Índias Orientais, o Parlamento concedeu-lhe o monopólio da venda de chá às colônias, o que provocou nova crise, representada na Festa do Chá de Boston. As colônias celebraram em 1774 o primeiro Congresso Continental. O movimento de protesto das colônias precipitou a Guerra da Independência Norte-americana. No segundo Congresso Continental, celebrado em 1775, George Washington assumiu as prerrogativas próprias do poder executivo. Declarou-se a independência em julho de 1776 e adotou-se uma declaração formal de princípios, redigida por Thomas Jefferson. Entre 1776 e 1865, a confederação norte-americana passou de 13 a 26 estados membros. A jovem nação teve de enfrentar sérios problemas sociais, econômicos e políticos. Os dois mais graves foram decidir se prevaleceria a autoridade do governo federal ou a de cada um dos estados e se continuaria a escravatura. A controvérsia sobre ambas as questões dividiu o país em duas facções opostas: o Norte e o Sul. Com a assinatura do tratado de Paris (1783), que pôs fim à guerra com a Grã-Bretanha, o país enfrentou novos problemas, o principal dos quais era estabelecer uma forma de governo que mantivesse os treze estados em sólida e efetiva união. De acordo com os Artigos da Confederação, aprovados pelo Congresso em 1777, os estados membros conservavam sua autoridade soberana e o Congresso era um órgão no qual estavam representados os estados e o povo. A Constituição entrou em vigor em 1788 e George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos, iniciou seu mandato em 1789. Os debates realizados no Congresso trouxeram à tona as distintas concepções políticas e econômicas que existiam sobre a nova nação: os federalistas lutavam pela existência de um governo federal forte que defendesse os interesses nacionais; os republicanos sustentavam, ao contrário, a limitação dos poderes federais e a proteção dos direitos de cada um dos estados, além de simpatizar com a ideologia da Revolução Francesa, favorecendo a França em detrimento da Grã-Bretanha. Os federalistas se inclinavam por estrita neutralidade. A Guerra Anglo-americana e o tratado de Gante (1814), que pôs fim ao conflito, criou forte sentimento de unidade nacional e destruiu a influência política do Partido Federalista. Nos comícios eleitorais de 1828, triunfou Andrew Jackson. A principal questão foi a escravidão dos negros, que toldou qualquer outro aspecto político. Durante o século XVII, aproximadamente 25.000 negros africanos tinham sido levados para as colônias norte-americanas e a escravidão era legal. A demanda de mão de obra barata para trabalhar nas plantações de algodão provocou grande aumento no número de escravos no sul. O norte, eminentemente industrial, considerava a escravidão uma instituição deplorável; dessa forma, no final do século XVIII, todos os estados ao norte de Maryland, exceto New Jersey, haviam declarado a abolição da escravatura. Em 1818 o território de Missouri, onde a escravidão era legal, solicitou seu ingresso na União. Após longa e violenta polêmica em todo o país, o Congresso promulgou o Compromisso de Missouri. De acordo com essa lei, Missouri foi admitido como estado escravocrata, embora a escravidão estivesse proibida em todos os estados constituídos além de Louisiana. A partir de 1820, cresceu o sentimento abolicionista em todos os estados do Norte, enquanto o Sul via na abolição uma agressão direta a seu tradicional modo de vida. Em 1836, habitantes do Texas se sublevaram e estabeleceram a República do Texas, numa tentativa de incorporar-se aos Estados Unidos. O Sul lutou decididamente pela anexação do Texas, onde a escravidão era legal. O Norte se opôs. Em 1845, o Texas foi admitido na União, o que provocou a guerra entre os Estados Unidos e o México, que nunca havia reconhecido a independência daquele território mexicano. Consoante o Tratado de Guadalupe Hidalgo (1848), o México, em troca de quinze milhões de dólares, cedeu a Califórnia e o Novo México e reconheceu o rio Grande (ou Bravo) como fronteira entre o Texas e o México. Resolução emitida em 1857 pelo Tribunal Supremo, sancionou a instituição da escravatura, ao considerar que os escravos eram propriedade e não cidadãos, e que ao Congresso não cabia o direito de proibir a escravatura. Abraham Lincoln, que defendia que a decisão sobre a escravidão fosse do Congresso, foi proclamado presidente em 1860, ano em que a Carolina do Sul se separou da União, seguida de outros dez estados, que se constituíram na Confederação dos Estados da América em 1861. Era o início da Guerra Civil Norte-americana. O Congresso aboliu a escravidão em 1862, após promulgar a Proclamação da Emancipação e, em 1854, a décima terceira emenda da Constituição a aboliu em todos os estados. O primeiro tema que o país teve de enfrentar, uma vez terminada a Guerra Civil (período conhecido como Reconstrução), foi a reintegração dos estados separatistas à União. O plano Lincoln consistia em readmitir os estados sem impor-lhes excessivas represálias. O presidente Andrew Johnson manteve inicialmente postura semelhante. No entanto, o Congresso aprovou, em 1867, as Leis de Reconstrução, mediante as quais se garantia, no Sul, o direito de voto à população masculina negra e se proibia aos dirigentes políticos confederados fazer parte dos governos estatais. Essa política provocou grande ressentimento entre os sulistas, que tentaram influenciar os governos federais por meio da intimidação, orquestrada pela Ku Klux Klan. O Norte permitiu que, em 1867, os sulistas conseguissem recuperar o controle do governo de seus estados. Em 1885, Grover Cleveland foi eleito presidente. Seu mandato foi caracterizado pelo nascimento do movimento operário organizado, com influência política e econômica. Os sindicatos adquiriram dimensão nacional entre 1861 e 1866. Seu segundo mandato foi marcado por um período de depressão industrial, com aumento da inflação, desemprego elevado e numerosas falências e greves. O último terço do século XIX foi caracterizado pela aquisição, pelos norte-americanos, de privilégios portuários nas ilhas de Samoa e pela anexação da ilha de Tutuila (ver Samoa Oriental). Em 1893, uma revolta eclodiu nas ilhas do Havaí, que em 1898 foram anexadas aos Estados Unidos. O presidente seguinte foi William McKinley. O principal acontecimento foi a Guerra Hispano-americana, pela qual a Espanha perdeu suas últimas províncias de ultramar, em 1898. Após a vitória, os Estados Unidos adquiriram Cuba, as Filipinas, Guam e Porto Rico. Em 1901, Theodore Roosevelt assumiu a presidência. O final da guerra com a Espanha obrigou os Estados Unidos a se defrontarem com o problema de organizar e governar Porto Rico, as Filipinas e Cuba, ilha na qual manteve um protetorado até 1902. O Congresso estabeleceu um governo civil em Porto Rico e, em 1917, a cidadania norte-americana foi outorgada aos porto-riquenhos. Nas Filipinas, os rebeldes dirigidos por Emilio Aguinaldo, em um primeiro momento, resistiram à ocupação. A Lei Jones, de 1916, prometia a independência, que não chegou até 1946. Em 1911, o ditador mexicano Porfirio Díaz havia sido destituído por uma revolução dirigida por Francisco Ingnacio Madero, cujos esforços em prol de um processo de reformas haviam sido vistos com bons olhos pelos Estados Unidos. Após o assassinato de Madero, o General Victoriano Huerta foi feito ditador. Em 1914, os Estados Unidos apoiaram o general Venustiano Carranza, que liderou uma sublevação contra Huerta, que empreendera atos de represália contra cidadãos norte-americanos. Os Estados Unidos responderam ocupando Veracruz. A mediação da Argentina, do Brasil e do Chile, a fim de evitar a guerra, teve como resultado a demissão de Huerta e a chegada ao poder de Carranza, cujo governo foi reconhecido pelos Estados Unidos em 1915. A maior parte dos grupos depuseram as armas; o único a manter a revolta foi Francisco (Pancho) Villa, que, em 1916, realizou uma incursão sobre Colombo (Novo México). Em 1912, ganhou as eleições o democrata Thomas Woodrow Wilson. Seu programa político, de tendência progressista, ficou conhecido como ”Nova Liberdade”. Wilson conseguiu realizar, durante a maior parte de seus dois mandatos, importantes reformas legislativas que influenciaram a política aduaneira, o sistema bancário, os trustes, o mundo operário e a agricultura. No entanto, as questões mais importantes durante a presidência de Wilson foram a I Guerra Mundial e a assinatura da paz em 1919, com o tratado de Versalhes. Com as eleições celebradas em 1920, inicia-se um período de domínio republicano, caracterizado pelo estabelecimento de tarifas elevadas. O tema mais controvertido do período 1920-1932 foi a proibição da fabricação e venda de bebidas alcoólicas, que deu origem a um período de violências, quando bandos organizados controlaram sua venda ilegal. Em 1929, uma comissão presidencial determinou o fim das leis antialcoólicas. O mandato do presidente Herbert Clark Hoover viu-se marcado pelo desmantelamento do mercado de valores, ocorrido em 1929. A derrocada da Bolsa precedeu uma depressão econômica que adquiriu dimensões mundiais. Entre as medidas adotadas, modificaram-se as normas do sistema da Reserva Federal, a fim de permitir a obtenção de créditos, por parte de homens de negócio e de produtores rurais, e a criação da Corporação Financeira para a Reconstrução. Apesar disso, a depressão econômica acentuou-se ainda mais, o que marcou a campanha presidencial de 1932. Os democratas, liderados por Franklin Delano Roosevelt, obtiveram esmagadora vitória. A política exterior norte-americana, entre 1920 e 1932, centrou-se no problema das dívidas de guerra e nas indenizações exigidas à Alemanha (ver Ressarcimentos de guerra). A política econômica e social de Roosevelt ficou conhecida como New Deal. Tinha duplo objetivo: a recuperação da depressão econômica e a estabilização da economia nacional, para evitar outras crises graves no futuro. O governo também criou diversos organismos para socorrer aos mais necessitados. A política exterior concentrou-se em aumentar o comércio exterior, em especial com a América do Sul, solucionar os problemas criados pela guerra entre a China e o Japão (iniciada em 1937) e no irrompimento da II Guerra Mundial, em 1939, à qual os Estados Unidos aderiram em 1941. A Aliança entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos parecia próxima, após o anúncio, em 1941, da Carta do Atlântico, proclamação dos oito princípios da paz que ambos os países desejavam. Esta carta foi engendrada por Roosevelt e pelo primeiro ministro britânico, Sir Winston Churchill. O ano de 1941 foi caracterizado por intenso debate nacional sobre a intervenção na guerra. Os intervencionistas consideravam essencial para a segurança norte-americana a vitória sobre o Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Em dezembro de 1941, o governo japonês lançou um ataque aéreo sobre a base naval norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí, e os Estados Unidos declararam guerra ao Japão. Em dezembro, a Alemanha e a Itália declararam guerra aos Estados Unidos. Os esforços diplomáticos de Roosevelt deram lugar a uma série de conferências com Winston Churchill e o líder soviético Joseph Stalin, nas quais foram adotadas medidas de efeito militar e acordou-se a rendição incondicional das potências do Eixo: a Conferência do Cairo e a Conferência de Teerã foram celebradas em 1943. Na Conferência de Ialta, celebrada em 1945, decidiu-se dividir a Alemanha em zonas de ocupação e criar a Organização das Nações Unidas (ONU) (ver Conferência de Bretton Woods). Em 1945, Roosevelt foi substituído por Harry S. Truman, cujos primeiros problemas a serem enfrentados foram a finalização da guerra e o estabelecimento da paz mundial. A Alemanha se rendeu formalmente ante os aliados em maio de 1945, embora a guerra continuasse no Pacífico. As tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética tornaram-se evidentes no Acordo de Potsdam, onde se celebrou um acordo relativo à divisão final da Alemanha. O espírito de cooperação vigente nos tempos de guerra havia dado lugar ao receio mútuo, origem da denominada Guerra Fria. Em agosto de 1945, Truman autorizou o lançamento de bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. O Japão se rendeu imediatamente. Apesar dos problemas internos, os Estados Unidos continuaram sua intervenção nos assuntos internacionais, realizando os julgamentos por crimes de guerra contra antigos dirigentes alemães e japoneses. Também estabeleceu o Conselho Nacional de Segurança e a CIA (Central Intelligence Agency), para reunir informação estratégica do estrangeiro. Em 1947, num esforço para deter o avanço do comunismo na Europa, instituiu-se a chamada Doutrina Truman, mediante a qual os Estados Unidos estenderiam ajuda militar e econômica aos países ameaçados pela agressão comunista. Importante pilar desta política foi o Plano Marshall, que consistia em vasto programa de ajuda econômica para permitir a recuperação da Europa; foi rejeitada pelos países do Leste, subordinados à União Soviética. A União Soviética respondeu à Doutrina Truman e ao Plano Marshall com a criação da nova Internacional Comunista (Cominform). Em 1948, entrou em vigor um plano para a unificação das zonas de ocupação britânica e norte-americana. A União Soviética respondeu dando os primeiros passos para a criação de um Estado alemão em sua área de ocupação. Os Estados Unidos, o Canadá e outros dez países da Europa Ocidental firmaram um acordo de defesa e ajuda mútua: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Em 1951, na China, o governo de Chiang Kai-shek, que havia recebido apoio norte-americano, não conseguiu deter o avanço das tropas comunistas de Mao Tsé-tung, que proclamou a República Popular da China. Em 1950, Truman anunciou que os Estados Unidos interviriam para ajudar a Coréia do Sul, invadida por tropas do regime comunista do Norte. A ONU, em gesto sem precedentes, patrocinou a ação militar dos Estados Unidos. A Guerra da Coréia introduziu grandes modificações na sociedade americana, expressas em profunda psicose anticomunista. Em 1952, o Partido Republicano designou Dwight David Eisenhower e Richard Milhous Nixon como candidatos, respectivamente, à presidência e à vice-presidência. Eisenhower ganhou as eleições com facilidade. O assunto mais destacado da política nacional deste período foi a luta dos negros para pôr fim à segregação e para assegurar todos os seus direitos de cidadãos. Liderados pela Associação Nacional para o Desenvolvimento do Povo Negro, buscaram incessantemente o amparo dos tribunais; a integração racial foi lenta no Sul e muitos negros começaram a tomar parte ativa no movimento dos direitos civis. Em 1955, Martin Luther King liderou eficaz boicote que fez terminar a discriminação que a população negra sofria nos ônibus de Montgomery (Alabama). Este movimento contou com destacados dirigentes, como Ralph David Abernathy, organizados em grupos como o Congresso para a Igualdade Racial. Outros adotaram posturas mais radicais e violentas, como Malcom X. Em 1959, o Alasca se transformou no 49º Estado da União e o Havaí, no 50º. John Foster Dulles, Secretário de Estado (encarregado da política exterior), optou por uma política mais dinâmica, de "represália massiva", contra Moscou ou Pequim, no caso de nova agressão comunista em qualquer parte do mundo. Uma das conquistas da política exterior de Eisenhower foi o acordo de armistício na guerra da Coréia (1957). Por outro lado, os Estados Unidos incrementaram sua ajuda econômica e militar à França na Indochina. Em 1954, foi criada a Organização do Tratado da Ásia do Sudeste (OTASE) e reforçaram-se os laços norte-americanos com a China Nacionalista (Taiwan). A colocação em órbita do primeiro satélite soviético, Sputnik 1, em 1957, provocou a imediata resposta norte-americana: em 1958, foi lançado ao espaço o satélite Explorer 1. Em 1º de maio de 1960, um avião de espionagem norte-americano foi derrubado no espaço aéreo soviético. Duas semanas mais tarde, em uma reunião celebrada em Paris, Nikita Sergheievitch Kruschev exigiu que Eisenhower pedisse perdão pela violação do espaço aéreo soviético; diante da negativa, encerrou-se a conferência. Na América do Sul, o crescente ressentimento contra a política norte-americana fez-se evidente em Cuba, onde a revolução liderada por Fidel Castro, que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, terminou com o estabelecimento de um regime marxista-leninista em 1961. Em julho de 1960, ganhou as eleições o democrata John Fitzgerald Kennedy. Os direitos civis constituíram o principal problema interno durante seu mandato. O procurador geral do Estado, Robert Kennedy, pressionou energicamente para que se pusesse fim à segregação racial nas escolas e para que se defendesse o direito de voto das minorias. Os negros e seus partidários brancos continuaram suas manifestações contra a discriminação. Na esfera exterior, Kennedy tentou aproximar-se do bloco comunista. Com a ajuda de seu Secretário de Defesa, Robert Strange McNamara, substituiu a política de “represália massiva” por outra de “resposta flexível”. Em abril de 1961, Kennedy autorizou o desembarque na baía dos Porcos, realizada por exilados anticastristas e que resultou em fracasso. Enquanto as relações com a União Soviética melhoravam, a situação no Sudeste Asiático se deteriorava. A constante pressão do vietcongue, grupo nacionalista vietnamita dominado pelos comunistas, fez com que Kennedy aumentasse a ajuda militar ao governo de Ngo Dinh Diem. O presidente Kennedy foi assassinado em 1963, em Dallas (Texas), e foi sucedido pelo vice-presidente Lyndon Baines Johnson. Lee Harvey Oswald, suspeito do assassinato, foi detido quase imediatamente, mas houve numerosos rumores sobre uma possível conspiração (ver Comissão Warren). Em 1964, os democratas tiveram grande êxito eleitoral com Johnson, que conseguiu a presidência. Durante esses anos aconteceram sérios distúrbios raciais em diversas cidades, devido ao crescimento da polarização racial. No que diz respeito à política exterior, a crise no Oriente Médio, que culminou com a guerra entre Israel e vários países árabes, em junho de 1967, (ver Guerra dos Seis Dias), deu lugar a intensas manobras diplomáticas que tiveram seu ápice na reunião entre Johnson e o primeiro ministro soviético Aleksei Kosiguin. Em resposta à ajuda soviética aos países árabes e a sua crescente influência no Mediterrâneo, os Estados Unidos incrementaram a ajuda militar a Israel. O principal problema de Johnson em política externa foi a Guerra do Vietnã. Durante o ano de 1964, o Congresso aprovou resolução que autorizava incrementar a participação militar no Sudeste Asiático. Em 1967, os Estados Unidos estavam bombardeando quase todo o Vietnã do Norte e havia enviado tropas ao Vietnã do Sul. Este aumento da intervenção norte-americana produziu grande debate nacional que se intensificou em 1968. Johnson anunciou a suspensão dos bombardeios sobre o Vietnã do Norte, a fim de iniciar conversações que pusessem fim à guerra. O assassinato de Martin Luther King, em Memphis (Tennessee), em 1968, originou nova onda de distúrbios em Washington e outras cidades. Richard Nixon, candidato republicano à presidência, obteve a vitória apelando para a restauração da ordem social. Seu novo programa pretendia limitar o poder do governo federal e ajudar as autoridades estatais e locais a cumprir com suas responsabilidades. Durante sua presidência, aconteceu a primeira alunissagem, realizada pela tripulação da Apolo 11, em 20 de julho de 1969. A crescente rejeição à guerra do Vietnã por parte da população civil provocou numerosos protestos. Nixon declarou sua intenção de conter progressivamente a guerra mediante uma política de "vietnamização", que implicava a substituição de tropas norte-americanas por sul-vietnamitas, treinadas e equipadas pelos Estados Unidos. Em 1973, assinou-se em Paris um acordo de cessar fogo, que permitiu a retirada das tropas estadunidenses. As relações com a União Soviética melhoraram. As conversações sobre Limitação de Armas Estratégicas, iniciadas em 1969, continuaram em 1972, durante a visita de Nixon a Moscou; foram assinados dois acordos com a União Soviética: um limitava o número de mísseis balísticos e o outro restringia os sistemas de lançamento de mísseis. O assessor de Nixon para segurança nacional, Henry A. Kissinger, viajou a Pequim para agendar um encontro entre Nixon e os dirigentes da República Popular da China, que aconteceu em 1972. Pouco depois de iniciar seu segundo mandato, em 1973, apareceram as revelações sobre o chamado caso Watergate. As investigações posteriores implicaram altos funcionários do governo de Nixon. Os Estados Unidos tiveram que enfrentar uma crise política e econômica nos anos seguintes. O vice-presidente Agnew demitiu-se após acusações de suborno e evasão de impostos, sendo sucedido por Gerald Ford. A política de distensão entre os Estados Unidos e a União Soviética continuou. Leonid Brejnev e Nixon trocaram visitas em 1973 e 1974. A distensão passou por um retrocesso em 1973, quando explodiu novo conflito entre árabes e israelitas (ver Guerra do Yom Kippur). Não obstante, ambas as superpotências cooperaram para a consecução de um acordo de cessar fogo. Em 1974, diante das provas de sua participação no escândalo Watergate, Nixon renunciou. O vice-presidente Ford sucedeu-o. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) havia imposto, no inverno de 1973, um embargo de petróleo aos Estados Unidos e a outros países ocidentais, em resposta ao apoio que prestavam a Israel, o que provocou uma recessão da qual começou a recuperar-se em 1975. Em 1976, Jimmy Carter foi eleito presidente. No âmbito da política exterior, o governo tentou estabelecer a paz no Oriente Médio; em 1978, Carter presidiu uma reunião em Camp David entre os dirigentes máximos do Egito e de Israel, cujo resultado foi um tratado de paz entre esses dois países, em 1979. Nesse ano, os Estados Unidos estabeleceram relações diplomáticas plenas com a República Popular da China e um grupo de revolucionários iranianos invadiu a embaixada dos Estados Unidos em Teerã; o Governo norte-americano negou-se a aceitar o pedido de extradição do xá Mohamed Pahlevi, feito pelos invasores, e ordenou o resgate dos reféns, que resultou em fracasso. No entanto, os Estados Unidos diminuíram suas relações comerciais com a União Soviética, em sinal de protesto pela invasão soviética ao Afganistão e se negou a ratificar o Tratado SALT II com a URSS. Nas eleições de 1980, o candidato republicano Ronald Reagan triunfou de forma arrasadora, aproveitando o desprestígio do presidente Carter, devido à crise dos reféns e à má situação econômica. O programa de Reagan estabelecia a redução de impostos e dos gastos públicos e o fortalecimento da defesa nacional; no entanto, durante os anos de 1981 e 1982, aconteceu uma grave recessão econômica. Em política internacional, Reagan e seu secretário de Estado, Alexander Haig, abandonaram a política de distensão com a União Soviética e adotaram uma política de linha dura. Na América Central, Reagan apoiou as forças governamentais de El Salvador e apoiou a atividade guerrilheira contra o governo sandinista na Nicarágua. As relações com a União Soviética se deterioraram em 1983 e Reagan anunciou a Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida como ”guerra nas estrelas”. Em 1984, os soviéticos haviam manifestado seu desejo de abrir novas conversações sobre controle de armamento e dois encontros reuniram Reagan e o dirigente soviético Mikhail Gorbatchov. Em abril, os Estados Unidos realizaram um bombardeio aéreo sobre a Líbia, em represália a ataques terroristas contra cidadãos americanos. George Bush, antigo vice-presidente com Reagan, foi o candidato republicano nas eleições presidenciais de 1988. Ao tomar posse do cargo, os principais desafios com que se deparou foram o déficit orçamentário e comercial e a ofensiva diplomática soviética na Europa. Em dezembro de 1989, os Estados Unidos invadiram o Panamá, para derrubar o regime do general Manuel Antonio Noriega. Em 1991, soldados norte-americanos serviram com os aliados durante a Guerra do Golfo Pérsico e intervieram no norte do Iraque, para proteger os refugiados curdos das represálias do governo iraquiano. A diplomacia norte-americana concentrou-se em empenhar-se junto à União Soviética para alcançar a paz no Oriente Médio. Bill Clinton foi o candidato democrata nas eleições de 1992 e transformou-se no primeiro presidente democrata desde 1976. Bush, presidente em exercício, enviou 20.000 soldados norte-americanos à Somália, sob os auspícios da ONU, para manter a paz e colaborar na distribuição da ajuda humanitária, e assinou o Tratado START II, sobre desarmamento nuclear, com o presidente russo Boris Yeltsin, com o apoio de Clinton. Clinton conseguiu que o Congresso ratificasse o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que estabelecia um plano de redução de tarifas e eliminação de outras barreiras alfandegárias entre os Estados Unidos, o México e o Canadá durante quinze anos. Entrou em vigor em 1º de janeiro de 1994. Em política internacional, Clinton foi criticado por sua indecisão, especialmente no caso do governo militar haitiano e da guerra civil da Bósnia. No primeiro caso, no entanto, conseguiu que as tropas norte-americanos restaurassem o poder civil do deposto presidente Jean-Bertrand Aristide. Na Bósnia, facilitou um acordo de paz entre as partes, assinado em novembro de 1995, em Dayton. Também presidiu a assinatura de um histórico acordo de paz entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), representados pelo primeiro ministro israelense, Yitzhak Rabin, e o líder da OLP, Yasser Arafat.

Leia Mais >>

Etiópia


1.INTRODUÇÃO

Etiópia, república situada no leste da África, limita-se a noroeste com a Eritréia e com a República de Djibuti, a leste e sudeste com a Somália, a sudoeste com o Quênia, e a oeste e noroeste com o Sudão. A superfície é de 1.128.176 km2. A capital é Adis Abeba.

2.TERRITÓRIO

O maciço etíope, com uma altitude média de 1.675 m, cobre mais da metade da superfície do país. É dividido pelo Great Rift Valley e cortado por numerosos rios e profundos vales. O lago Tana, onde nasce o Nilo Azul, encontra-se no norte. As margens norte-orientais do maciço estão definidas por pronunciadas escarpas na direção da depressão de Danakil. A margem ocidental desce suavemente até as áreas desérticas do Sudão. Pelo extremo sul, o planalto vai até o lago Turkana (ou lago Rudolf) no Quênia. O clima varia conforme a altitude: tropical até os 1.800 m, subtropical entre 1.830 e 2.440 m, e temperado nas altitudes mais altas.

3.POPULAÇÃO E GOVERNO

A população (1993) é de 51.070.000 habitantes, com uma densidade de 45 hab/km2. A composição étnica é muito diversa. Destacam-se: os oromo (40% da população), os amhara, povo com uma origem parcialmente semítica, os tigrenses (32%), os shangalla (5%) e os somalis (5%). Addis Abeba (1990) possui 1.912.500 habitantes. Outras grandes cidades são Diredawa (117.000 habitantes) e Dese (1989) com 87.601 habitantes. Aproximadamente, a metade da população é cristã. A Igreja Unida ortodoxa etíope, uma das mais antigas do mundo cristão e ligada à Igreja copta egípcia, foi a igreja estatal até 1974; há também uma alta porcentagem de muçulmanos e animistas. A Etiópia albergou os falashas. São falados mais de 70 idiomas, a maioria pertencente aos ramos semíticos e cusíticos da família afro-asiática. O idioma litúrgico da Igreja etíope, ge’ez, deu lugar ao grupo de idiomas: amárico (idioma oficial e falado por 60% da população), tigrinya e tigré. A Constituição de 1987 estabeleceu uma república liderada por um presidente eleito pelo Shengo, uma assembléia nacional unicameral. Em 1994, foi adotada uma nova Constituição.

4.ECONOMIA

No início da década de 1990, a Etiópia era uma das nações mais pobres da Terra. Seu produto interno bruto em 1991 era de 6.100 milhões de dólares, cerca de 120 dólares per cápita. A fome é uma ameaça constante. A economia segue dependendo da receita do setor agrícola, sobretudo do café. O birr etíope é a moeda oficial, mas em grande parte do comércio se usa o trueque. A mineração não é importante, embora se tenha encontrado jazidas de petróleo e gás natural. Há consideráveis depósitos de potássio que ainda não foram explorados. A indústria é de transformação dos produtos agrícolas e têxteis.

5.HISTÓRIA

Restos fósseis de hominídeos encontrados no vale de Awash datam de aproximadamente 3 milhões de anos, e evidências posteriores sugerem uma ocupação humana contínua. Durante o primeiro milênio a.C., povos semíticos de Sabá cruzaram o mar Vermelho e conquistaram os camitas da costa. Até o século II d.C., os vencedores haviam estabelecido o reino de Aksum, governado pela dinastia Salomônica, que se considerava descendente do rei bíblico Salomão e da rainha de Sabá. Aksum se converteu ao cristianismo no século IV, seguindo a tradição dos cristãos coptas do Egito. Durante o reinado de Zara Yakub (1434-1468) surgiu um sistema político que duraria até meados do século XX, caracterizado por monarcas absolutistas que exigiam serviço militar e dízimos em troca de concessões de terras. Após o falecimento em 1706 de Iyasus I, que reinava desde 1682, começou outro longo período de confusão dinástica e de decadência, durante o qual o país se dividiu em várias regiões. A única força unificadora durante todo esse período foi a Igreja etíope. Com o apoio de altos hierárcas eclesiásticos, Ras Kassa se fez coroar como imperador com o nome de Teodoro II em 1855. Por volta de 1870, o Império era pouco mais que uma coleção de estados semi-independentes. Menelik II, que estabeleceu sua capital em Addis Abeba, conseguiu unificar as províncias de Tigre e Amhara em seu reino de Shoa. A partir da abertura do canal de Suez, a costa do mar Vermelho se transformou em uma área muito atrativa para os poderes europeus. Após o ditador Benito Mussolini chegar ao poder em 1935, a Itália invadiu o país, mas o imperador Hailé Selassie foi restituído ao trono pelas forças britânicas e etíopes em 1941. Depois da II Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) votou a federação da Eritréia com a Etiópia. Uma vez que esta foi estabelecida, Hailé Selassie acabou com a autonomia da Eritréia, dando lugar ao movimento nacional de resistência e ao início de um confronto militar. Hailé Selassie ignorou, em grande parte, problemas internos urgentes (desigualdade na distribuição da riqueza, subdesenvolvimento, corrupção, inflação, desemprego e as severas secas e fomes no norte entre 1972 e 1975) e em 1974 começou uma forte oposição que culminou em um golpe militar. Criou-se o Conselho Administrativo Provisório Militar, ou Dergue, que em 1974 anunciou o estabelecimento de uma economia socialista. Em 1975, a terra foi nacionalizada, a monarquia abolida e a República instaurada. Durante a década de 1970, Mengistu Hailé Mariam foi a principal figura política, enfrentando uma forte oposição. O governo recebeu ajuda militar de Cuba e da URSS e, em 1984 Mengistu estabeleceu um regime marxista-leninista. Entretanto, a grande fome e seca unidas à guerra civil, impediram durante toda a década de 1980 a ajuda internacional. Em 1990, o colapso do bloqueio soviético e a drástica restrição de sua ajuda, tornou vulnerável o governo de Mengistu. Após a mediação dos Estados Unidos nas conversações de paz, foi constituído um governo nacional interino. Sob a presidência de Meles Zenawi, o novo governo se encontrou com o enorme trabalho de reconstruir a nação. Em 1995, foram realizadas eleições multipartidárias. Depois que em 1993 os eleitores aprovaram a secessão, a Eritréia declarou sua independência, que foi reconhecida pela Etiópia.

Leia Mais >>

Estônia


A história da Estônia registra sucessivas lutas pela independência, conquistada em 1918, perdida em 1940 para os soviéticos e plenamente recobrada em 1991.

Situada na região nordeste da Europa, a Estônia ocupa uma área de 45.226km2 e se limita ao norte com o golfo da Finlândia, a leste com a Rússia, a oeste com o mar Báltico e ao sul com a Letônia. Compreende uma parte continental e cerca de 800 ilhas.

Geografia física. A paisagem da Estônia mostra traços da atividade glacial do pleistoceno. O sul do país é recoberto por morainas; na parte central abundam as montanhas glaciais, de cimos achatados. Há muitos lagos e a maioria dos rios deságua no golfo da Finlândia; outros no lago Peppus, na fronteira com a Rússia, e os demais no golfo de Riga. Nas grandes florestas vivem cerca de sessenta espécies de mamíferos, entre eles alces, veados, cervos, porcos selvagens, ursos e linces.

A Estônia tem clima continental temperado, propício à agricultura. As temperaturas mais baixas ocorrem em fevereiro, quando chegam a -6 C; em julho, as temperaturas máximas chegam até 17 C. A precipitação anual média é de 570mm.

População. Os estonianos, que falam uma língua pertencente ao ramo báltico-finlandês do grupo uralo-altaico, constituem cerca de três quintos da população. Os russos formam um terço. Há ainda minorias ucranianas, finlandesas e bielorussas.

Economia. O principal recurso mineral é o xisto, cuja extração e processamento emprega boa parte do operariado industrial do país. O xisto é usado principalmente para a produção de gás, fundamental para o funcionamento das usinas termoelétricas, que geram energia para ao parque industrial da Estônia e de outros países bálticos. A indústria química, também baseada no xisto, produz benzina, adesivos, resinas, formaldeídos e detergentes. O país produz também material de construção, têxteis, lã, seda e sapatos.

A agropecuária ocupa um lugar importante na economia, principalmente pela criação de gado bovino e suíno e produção de forragem. A atividade agrícola é limitada pela existência de grandes pedras glaciais, que têm de ser removidas para a agriculturação, e a necessidade de drenagem dos pastos. (Para dados econômicos, ver DATAPÉDIA.)

História. O primeiro registro sobre os estonianos data do século I da era cristã. No século IX, invasores viquingues implantaram a moeda e incentivaram o comércio. Nos séculos XI, XII e XIII, houve incursões dinamarquesas, suecas e russas, sempre repelidas. A partir do século XIII, a Estônia foi cristianizada pelos cavaleiros do Gládio, e depois pelos Cavaleiros Teutônicos.

Em 1561 os suecos derrotaram os russos que haviam capturado parte da Estônia, e também os poloneses e dinamarqueses. Até o século XVII, os suecos defenderam a população rural e reduziram o poder da nobreza alemã. Com a derrota de Carlos XII da Suécia pelo czar Pedro I, em 1709, os territórios bálticos tornaram-se possessão russa, o que foi ratificado pelo Tratado de Nystad (1721). A nobreza alemã recuperou o poder e a população voltou à situação de dependência, miséria e opressão. Em 1811, o czar Alexandre I decretou a abolição da servidão, embora o direito de propriedade continuasse privilégio dos aristocratas alemães.

Essas reformas, somadas ao crescimento da população urbana, à industrialização e à elevação do nível cultural do povo, despertaram a consciência nacional estoniana. Em 1917, a Estônia constituiu-se em estado autônomo, mas com a revolução russa foi ocupada pelos bolchevistas e depois pelos alemães. Em 24 de fevereiro de 1918, o governo proclamou a independência, consagrada no Tratado de Tartu (1920). Na segunda guerra mundial, a Estônia foi reocupada pelos soviéticos e incorporada à União Soviética. Invadida pelos nazistas, em 1941, voltou a integrar a União Soviética em 1944. Em 1991, com a derrocada do regime soviético, a Estônia obteve a independência.

Sociedade e cultura. Subjugados por diferentes povos, ao longo da história, os estonianos conservam poucos traços de sua cultura original, que só sobreviveu no folclore. A língua estoniana incorporou palavras russas, suecas e sobretudo alemãs. Embora cristianizados à força na Idade Média, com o advento da Reforma os estonianos optaram pelo luteranismo.

A vida cultural dos estonianos foi marcada pelo renascimento do nacionalismo finlandês. Inspirado na epopéia popular Kalewala, Friedrich Kreutzwald coletou poesias e narrativas populares e escreveu Kalevipoeg. O principal representante do realismo foi Juhan Liiv, autor de Kümme lugu. Mas o renovador da literatura foi Eduard Vilde, autor de Mäeküla, o leiteiro, e um dos fundadores do movimento Jovem Estônia, a que pertenceram Tammsaare e Suits. Os soviéticos impuseram o realismo socialista, mas finda a hegemonia soviética, o país reiniciou a busca de sua identidade cultural.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

Leia Mais >>

Espanha


Monarquia constitucional da Europa sul-ocidental que ocupa a maior parte da península Ibérica; faz fronteira ao norte com o mar Cantábrico, França e Andorra; a leste com o mar Mediterrâneo; ao sul com o Mediterrâneo e o oceano Atlântico e a oeste com Portugal e o oceano Atlântico. A dependência britânica de Gibraltar está situada no extremo meridional. As Ilhas Baleares no Mediterrâneo e as Ilhas Canárias no Atlântico são duas comunidades insulares. Também pertencem ao país, embora estejam situadas em território africano, as cidades autônomas de Ceuta e Melilla, bem como o Peñón de Vélez de la Gomera e as ilhas de Alhucemas e Chafarinas. A extensão é de 504.782 km2. Madri é a capital.

Território:

A cadeia montanhosa dos Pirineus faz fronteira com a França, ao norte; no extremo sul, o estreito de Gibraltar separa a Espanha do norte da África. A característica topográfica mais importante é a grande planície central, chamada de Meseta, com uma altura média de 610 m. A Meseta é dividida em uma seção norte e outra sul por cadeias montanhosas irregulares (serra de Guadarrama, serra de Gredos, montes de Toledo). A planície costeira é estreita e em muitas áreas é interrompida por montanhas que descem até o mar para formar promontórios rochosos.

Os principais rios são: Douro, Minho, Tejo e Guadiana, que nascem no território espanhol e cortam o território de Portugal para desembocar no Atlântico; o Guadalquivir, que é o mais profundo e tem grande parte do seu percurso navegável; e o Ebro, no no leste, que desemboca no mar Mediterrâneo.

O clima é mediterrâneo com temperaturas extremas exceto no norte, onde as precipitações em geral são insuficientes; as diferenças fisiográficas determinam importantes diferenças climáticas.

População e governo:

O povo espanhol é uma mistura dos povos indígenas da península com os que foram conquistando sucessivamente o seu território: os romanos, um povo mediterrâneo; os suevos, os vândalos e os visigodos, povos germânicos, e elementos semíticos, em especial de origem árabe e judaica. Os ciganos formam uma importante etnia.

A população (1995) é de 40.460.055 habitantes, com uma densidade demográfica de 80 hab/km2. As cidades importantes são: a capital Madri, Barcelona, o maior porto e centro comercial, Valência, Sevilha, Zaragoza e Bilbao.

A população é maioritariamente católica, embora a Constituição de 1978 tenha criado um Estado sem preferências religiosas, no qual é total a liberdade de crenças. Há pequenas comunidades de protestantes, judeus e muçulmanos. O espanhol é o idioma oficial; além dele, são línguas cooficiais, em suas respectivas comunidades autônomas, o basco (euskera, língua pré-indo-européia), galego, catalão e valenciano.

É uma monarquia parlamentar regida pela Constituição de 1978. O chefe de Estado é um monarca hereditário; o poder executivo está nas mãos do chefe de Governo e o legislativo, de um Parlamento bicameral.

Economia:

Historicamente, a Espanha sempre foi um país agrícola e ainda é um dos maiores produtores agrícolas da Europa Ocidental, mas a indústria começou a crescer rapidamente a partir da década de 1950. As divisas obtidas com o turismo garante o equilíbrio da balança comercial. O produto nacional bruto em 1993 era de 533.986 bilhões de dólares, que eqüivalem a 14.130 dólares per capita. O país produz cereais, cítricos, uvas e olivas. A pecuária, em especial o gado ovino e caprino, tem uma grande importância econômica. A cortiça é o principal recurso florestal.

A pesca é importante para a economia; entre as espécies mais encontrados em seu litoral, estão o atum, as lulas, o polvo, a merluza, as sardinhas, as anchovas, a cavala, a pescadinha e os mexilhões. A riqueza mineral é considerável. Os principais recursos são: carbono, linhito, ferro, zinco, chumbo, mercúrio, gesso e petróleo. Entre os principais artigos produzidos, destacam-se o ferro e o aço, bens de consumo, barcos, petróleo refinado e cimento; além disso, trata-se de um dos maiores produtores mundiais de vinho.

A unidade monetária é a peseta.

História:

O curso da história contemporânea traçou um caminho irregular devido ao fato de o processo de consolidação da nova ordem, a partir do segundo terço do século XIX, ter se chocado com múltiplas resistências emanadas de distintos flancos (Guerras Carlistas, poderes factuais, velhas classes privilegiadas). As interferências entre os poderes civil, militar e religioso se traduzem ao longo do século supracitado em uma cadeia de desencontros e tensas relações entre a Igreja e o Estado, unidos a intermitentes pronunciamentos militares de matiz conservadora ou progressista, artífices das trocas de governo e das sucessivas idas e vindas constitucionais. Fracassada a experiência democrática do Sexênio Revolucionário (1868-1874), o regime oligárquico da Restauração introduziu a Espanha no século XX sem assentar um sistema de partidos, fundamental para a reclamada estabilidade na vida pública.

A fragilidade das instituições, junto com os visíveis reveses extrapeninsulares ocorridos nas últimas décadas, a perda colonial de 1898, o desastre de Annual e outros fracassos na guerra de Marrocos, provocou uma paulatina militarização da monarquia de Afonso XIII até desembocar na ditadura de Primo de Rivera (1923-1930). O pretorianismo militar patente no século XX, impondo o regime democrático republicano mediante uma cruenta Guerra Civil (1936-1939), conheceu o seu ápice com a ditadura do general Franco, que se manteve no poder durante quatro décadas até sua morte, em novembro de 1975.

Morto Franco, a Espanha conheceu um período de transição de um regime autoritário para uma monarquia democrática desde a legalidade corporativa franquista. Autodissolvidas as velhas Cortes e tendo o monarca dominado a nova situação, teve início o longo e complexo período da transição política.

A via escolhida para tal fim foi a reforma, em lugar de outras mais radicais (ruptura, revolução), principalmente com a constatação da rede de interesses ligados ao regime anterior e aos esforços necessários para materializar sem violência a alentadora promessa de Juan Carlos I de ser o "rei de todos os espanhóis". Em 1976, a designação de Adolfo Suárez como presidente do governo em substituição de Carlos Arias Navarro facilitou a realização de um projeto de reforma que, em um ano e com a estimável ajuda de Torcuato Fernández-Miranda, desembocaria em eleições gerais, uma prática esquecida desde a etapa republicana.

A Constituição promulgada em 1978, fruto do consenso da pluralidade de forças políticas, define a Espanha como um Estado de direito, democrático e social. Esse terceira tentativa de democratizar o país foi marcada por uma série de problemas: os setores contrários à mudança se escandalizaram-se com ‘provocações’ como a legalização do Partido Comunista, a reforma autonômica, a laicização e a crise econômica. Não foi à toa a tentativa de golpe de 23 de fevereiro de 1981.

A vitória socialista obtida nas eleições de 1982 por maioria absoluta simbolizou a reconciliação nacional e a normalização da vida pública. A liderança exercida por Felipe González, chefe de governo durante treze anos, tinha um compromisso com uma declarada vocação européia e com a modernização do Estado. Depois das eleições gerais de 1996, o Partido Popular formou o governo depois de fazer uma coalizão com os nacionalistas bascos e catalães. A alternância democrática está garantida, mas o governo de José María Aznar tem importantes desafios pela frente, em especial o cumprimento dos acordos de Maastricht e a convergência com a Europa.

Leia Mais >>

Eslovênia


A luta pela independência e pelo direito à liberdade marcaram a vida da Eslovênia, invadida e dominada do século VI até à última década do século XX.

Reconhecida como estado independente em janeiro de 1992, quando se separou da antiga Iugoslávia, a Eslovênia situa-se no extremo noroeste da península dos Balcãs, banhada pelo mar Adriático. Ocupa uma área de 20.256km2 e faz fronteira, ao norte, com a Áustria, ao sul com a Croácia, a leste com a Hungria e a oeste com a Itália. A língua oficial é o esloveno.

Geografia e população.

O território esloveno é montanhoso e coberto de florestas, com numerosos rios e vales férteis. A parte noroeste alcança os Alpes julianos, onde se ergue o monte Triglav, com 2.864m, em meio a uma região de grande beleza. De lá parte o rio Sava, que atravessa o país.

Antes da independência, os eslovenos constituíam menos de um décimo da população iugoslava, mas conseguiram manter uma forte coesão lingüística e cultural, mais identificada com a Europa ocidental que com a oriental, graças sobretudo ao esforço educacional dos padres católicos eslovenos. Isso certamente explica por que a grande maioria da população é católica romana, embora o país não tenha religião oficial. Os eslovenos dominam o quadro demográfico, com mais de noventa por cento da população. O restante distribui-se entre croatas, sérvios, bósnios e magiares.

Economia.

A indústria pesada eslovena, principalmente a siderúrgica, localiza-se na capital e em Jesenice e Javornik; a indústria têxtil, em Maribor, Kranj e Trzic. Há minas de carvão em Zagorje, Trbovlje e Hrastnik. Em todo o país cultivam-se batata, trigo, milho, aveia, centeio e árvores frutíferas.

História.

Os eslovenos habitam o território atual desde o século VI, quando eram dominados pelos ávaros. Por volta do ano 748 foram incorporados ao império carolíngio. No século IX os germânicos os reduziram à servidão, dividindo seu território nas províncias de Caríntia, Carníola e Estíria. A partir do século XIII, sob o domínio dos Habsburgos, começaram a organizar-se e promover revoltas, como a de Matija Gubec. No século XVIII, passaram ao domínio da Áustria, cujos monarcas, Maria Teresa e José II, implantaram reformas que vieram atenuar a situação. Entre 1809 e 1814, sob domínio napoleônico, tiveram permissão de usar sua língua e cuidar de suas tradições. Restaurado o domínio dos Habsburgos, os eslovenos promoveram manifestações nacionalistas. A partir da década de 1870 começou a formar-se uma corrente favorável à união política de servos, croatas e eslovenos; os primeiros partidos políticos da Eslovênia foram fundados na década de 1890.

Em 1918, ao final da primeira guerra mundial, os líderes políticos eslovenos uniram-se para formar o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (rebatizado de Iugoslávia em 1929). Na Conferência de Paz de Paris, de 1919, os aliados entregaram a Gorízia e territórios adjacentes, habitados por grandes contingentes de população eslovena, à Itália.

Ao iniciar-se a segunda guerra mundial, a Eslovênia foi novamente dividida: a Itália ficou com o sudoeste, a Alemanha com o noroeste e a Hungria com uma porção menor. Surgiram então diversos movimentos de resistência, dos quais o mais importante foi a Frente de Libertação da Eslovênia, comunista.

Com a vitória dos aliados, em 1945, a Eslovênia passou a integrar a antiga Federação Iugoslava, de orientação socialista. Dois anos depois, pelo Tratado de Paris, a Itália devolveu as terras conquistadas a oeste, mas não a Gorízia. Em 1974, passou a chamar-se República Socialista da Eslovênia. Mas não cessaram os movimentos pela independência. Em 1989, foi proclamada a soberania e a autonomia. No ano seguinte, realizaram-se as primeiras eleições pluripartidárias, mas em 1991 divergências entre eslovenos, croatas e sérvios desencadearam a guerra civil. Em 15 de janeiro de 1992, a Eslovênia foi reconhecida como nação independente pela Comunidade Européia e em maio a Organização das Nações Unidas a admitiu como membro.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

Leia Mais >>

Escócia

1.INTRODUÇÃO

Escócia, país e divisão administrativa do Reino Unido que ocupa a parte setentrional da ilha da Grã-Bretanha. A Escócia é limitada ao norte pelo oceano Atlântico, a leste pelo mar do Norte, a sudeste pela Inglaterra, ao sul por Solway Firth e pelo mar da Irlanda e a oeste pelo canal do Norte, que a separa da ilha da Irlanda e do oceano Atlântico. A Escócia compreende 186 ilhas, a maioria delas incluídas em três grupos: as ilhas Hébridas, perto da costa ocidental, as Órcadas, próximas à costa setentrional, e as Shetland, ao nordeste das anteriores. Incluindo as ilhas, a superfície total é de 78.080 km2 e 1.500 km2 de águas interiores. Edimburgo é a capital.

2.TERRITÓRIO

A topografia da Escócia reflete os efeitos da glaciação, sobretudo na costa oeste, com numerosas saliências para o mar, conhecidas na região como lagos marinhos, e largos cursos d'água, denominados firths (estuários). O território pode ser dividido em três áreas diferentes de norte a sul: as Highlands (Terras Altas), as Central Lowlands (Terras Baixas Centrais) e os Southern Uplands (Planaltos do Sul). As Highlands são uma região muito acidentada que possui várias cadeias montanhosas paralelas na direção nordeste-sudeste interrompidas por profundos cânions e vales. A região é atravessada pelos montes Grampian, o principal sistema montanhoso. As Terras Baixas Centrais são uma faixa estreita que cobre um décimo da superfície da Escócia. As Southern Uplands estão constituídas por um planalto de páramos. Os rios e lagos são abundantes. Dentre esses destacam-se os lagos Ness, Oich e Lochy, unidos pelo canal da Caledônia, que liga o oceano Atlântico ao mar do Norte. O clima sofre influência das correntes marinhas. Na região da costa ocidental, que sofre os efeitos da corrente quente do Golfo, o clima é mais suave que na costa oriental.

3.POPULAÇÃO E GOVERNO

Os habitantes da Escócia descendem de vários grupos étnicos, tais como pictos, celtas, escandinavos e romanos. De acordo com dados de 1993, a população é de 5.120.000 habitantes e apresenta uma densidade demográfica de aproximadamente 66 hab/km2. A cidade mais povoada é Glasgow (com 654.542 habitantes). Além de Edimburgo, que, de acordo com estimativas de 1991 possuía 421.213 habitantes, são também cidades importantes Dundee (165.548 habitantes) e Aberdeen (201.099 habitantes). A igreja oficial da Escócia é a presbiteriana. A Igreja católica é a segunda mais importante. A língua oficial é o inglês. A Escócia faz parte integrante do Reino Unido. Um gabinete ministerial britânico, presidido pelo secretário de Estado, administra os assuntos escoceses. A Escócia está representada por 72 membros na Câmara dos Comuns e por 16 pares escoceses na Câmara dos Lordes. Ver também Línguas celtas; Língua escocesa; Literatura escocesa.

4.ECONOMIA

Os principais cultivos são os cereais e a batata. A criação de gado bovino também é muito importante. A exploração florestal representa mais de um-terço da produção madeireira da Grã-Bretanha. A pesca é uma atividade fundamental, especialmente a pesca marítima na região Nordeste e nas ilhas. Devido às ricas reservas de carvão, a mineração representou um papel fundamental na industrialização. Porém, nas últimas décadas, a mineração baseia-se especialmente na exploração de reservas petrolíferas e gás natural, recentemente descobertas. As principais indústrias são as de produtos químicos, indústrias leves, instrumentos de engenharia e, recentemente, a eletrônica. Existem aproximadamente 110 destilarias e o turismo é outro setor em crescimento.

5.HISTÓRIA

A Escócia é a Caledônia romana. Os pictos, aos quais uniram-se grupos de britânicos rebeldes, resistiram com êxito à conquista dos romanos, cuja soberania terminou no ano 409 d.C. No começo do século VI, os escotos, invasores celtas, ocuparam a região e estabeleceram o reino de Dalry. Em meados do século VI, os anglos invadiram a maior parte da Caledônia. Essa região, junto com as várias possessões anglas ao norte do que atualmente é a Inglaterra, tornou-se parte do reino inglês da Nortúmbria. No século X, os reis de Alban ocuparam a Nortúmbria durante o reinado de Malcolm II Mackenneth (1005-1034) e Duncan I herdou a coroa de Strathclyde. Como resultado, os domínios da Escócia (desde então é conhecida por esse nome) estenderam-se por todo o território ao norte do Solway Firth e o rio Tweed. A influência da Inglaterra aumentou bastante durante os reinados de Alejandro I, o Feroz, e David I, que estabeleceram o sistema monárquico feudal anglo-normando e aboliram o tradicional sistema de possessão de terras por clãs. Alexandre III faleceu em 1286 e deixou o trono para seu único descendente com vida, sua neta Margarida, ainda menina. A morte de Margarida produziu uma crise política e Eduardo I da Inglaterra aproveitou a situação para proclamar a soberania inglesa sobre a Escócia intervindo a favor de John de Baliol, neto de David I. Em 1295, Baliol, diante da demanda popular de acabar com o controle inglês, formou uma aliança com a França para conseguir a independência. A primeira fase da guerra acabou quando Eduardo I decretou a anexação da Escócia à Inglaterra, depois de destituir Baliol. A luta contra a Inglaterra recomeçou em 1297 sob o comando do patriota escocês Sir William Wallace, que restaurou a monarquia escocesa. Depois da sua morte, em 1305, Roberto Bruce, um descendente de David I, assumiu a liderança do movimento de resistência. Em 1306, foi coroado como Roberto I, rei da Escócia, e começou uma campanha de guerrilha sistemática contra os ingleses. A guerra acabou em 1328 quando os regentes de Eduardo III da Inglaterra aceitaram no Tratado de Northampton a independência da Escócia. Logo no início do século XVI, Jaime IV casou-se com Margaret Tudor, filha de Henrique VII da Inglaterra. A Reforma começou a ganhar partidários na Escócia e, em 1560, a Igreja católica foi abolida, adotando-se o Calvinismo. (Ver Conde de Bothwell; Sir Francis Walsingham). Em 1603, Jaime VI, rei da Escócia, herdou a coroa inglesa como Jaime I Stuart. Com seu filho Carlos I da Inglaterra (1625 e 1649), as tentativas de impor as formas de culto anglicanas provocaram os confrontos conhecidos como As Guerras dos Bispos (1639-1649), uma das causas do começo da Guerra Civil inglesa, que culminou no triunfo das forças parlamentares sob o comando de Oliver Cromwell. Em 1660, a Escócia voltou a se separar politicamente da Inglaterra. Ver Jacobitas. Em 1707 o Parlamento escocês votou a favor de sua anexação ao Reino Unido da Grã-Bretanha, com garantias para manter o seu próprio sistema jurídico, político e religioso. Muitos escoceses foram contrários a essa união.

Leia Mais >>

Emirados Árabes Unidos


Apesar da acentuada aridez, o território outrora conhecido como Costa dos Piratas, depois Omã da Trégua, Estados da Trégua e finalmente Emirados Árabes Unidos, alcançou uma das rendas per capita mais elevadas do mundo na segunda metade do século XX, graças à exploração do petróleo.

Os Emirados Árabes Unidos são uma federação independente formada por sete emirados: Abu Dhabi (que compreende mais da metade do território da união), Dubai, Sharja, Ajman, Umm al-Qaiwain, Ras al-Khaima e Fujaira, que se situam numa estreita faixa litorânea do nordeste da península arábica. O país limita-se a noroeste com Qatar, ao sul e a oeste com a Arábia Saudita, a leste com Omã, a nordeste com o golfo de Omã e ao norte com o golfo Pérsico. Ocupa uma superfície de 77.700km2, na qual se incluem 200 ilhas.

Geografia física. O território da federação é formado por grande extensão desértica, coberta por salinas e areais. Essa paisagem só é quebrada pela presença das últimas ramificações dos montes al-Hajar, que se estendem pelo território de Omã.

O clima é quente e seco, com temperaturas que oscilam entre 15 e 21º C, no inverno, e entre 32 e 46º C, no verão, na costa e no interior, respectivamente. A precipitação média se situa entre 75 e 100mm anuais. Devido à aridez da região, os rios são praticamente inexistentes, e a presença de água reduz-se a pequenos oásis, onde crescem palmeiras e tamareiras.

População. Ao lado da população árabe convivem numerosos contingentes de iranianos, paquistaneses e indianos. A língua oficial é o árabe. O país, pouco povoado, apresentou um ritmo de crescimento demográfico muito elevado nas últimas décadas do século XX, devido sobretudo à política de estímulo à natalidade adotada pelo governo para compensar a enorme saída de imigrantes.

A população é eminentemente urbana e concentra-se nas cidades do litoral e em alguns oásis do interior. Os principais núcleos urbanos são a capital, Dubai e Sharja.

Economia. Dadas as condições inóspitas do meio ambiente, tanto a agricultura como a pecuária e a exploração florestal são bastante deficientes. Já o setor pesqueiro é particularmente rico.

Os principais recursos minerais são o petróleo e o gás natural, que permitiram o desenvolvimento de uma vigorosa indústria, principalmente siderúrgica e metalúrgica. A produção de petróleo e de gás natural, iniciada na década de 1960, concentra-se em Abu Dhabi (quatro quintos do total) e nos emirados de Dubai e Sharja. Outros recursos minerais são o mármore, extraído em Ajman, e vários materiais de construção, como areia e calcários. A abundância de petróleo permite uma considerável produção de energia em centrais termelétricas.

O crescimento da atividade comercial e financeira, relacionada com a exploração petrolífera, refletiu-se na multiplicação da rede bancária nacional e estrangeira. Além disso, como conseqüência direta da expansão econômica, verificou-se grande desenvolvimento no setor de transportes, tanto terrestre (rodovias), como aéreo (aeroporto de Dubai) e marítimo (portos de Abu Dhabi e Dubai).

História. A arqueologia assinalou a existência de importantes entrepostos comerciais nas costas do golfo Pérsico, já no tempo dos sumérios. A região manteve-se vinculada ao resto da Arábia até o século XVI, quando os portugueses desembarcaram no litoral. Cem anos depois, chegou a companhia inglesa das Índias Orientais, cujos funcionários foram continuamente hostilizados por piratas, donde a designação de Costa dos Piratas. Os ingleses reagiram, e em 1853 firmaram com os xeques um tratado que estabelecia uma trégua marítima. Assim, a região passou a denominar-se Omã da Trégua. O território esteve sob protetorado inglês de 1892 a 1960, quando se formou o governo dos Estados da Trégua. A situação se manteve assim até 1971, quando o Reino Unido retirou suas tropas do país. Em 2 de dezembro de 1971 nasceu a federação dos Emirados Árabes Unidos como nação independente. No início, só seis estados integravam esse grupo; depois, em 1972, Ras al-Khaima incorporou-se à federação, enquanto Bahrein e Qatar optaram por formar seus próprios estados.

Com a conquista da independência, promulgou-se, em dezembro de 1971, uma constituição provisória, reformada em 1976 e 1981, que concedeu a máxima autoridade a um conselho supremo composto pelos xeques de cada emirado. Além disso, instituiu-se uma série de organismos aos quais se outorgaram os poderes executivo e judiciário, embora de caráter federal, já que cada emirado mantinha sua autonomia em matéria legislativa, tributária, criminal etc.

Os Emirados Árabes Unidos fazem parte da Liga Árabe, da Organização de Países Exportadores de Petróleo, do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, do Movimento de Países não-Alinhados e da Organização das Nações Unidas.

Sociedade e cultura. A situação social do país apresenta graves contrastes devido às diferenças existentes entre os emirados. Não obstante, a federação destina grande parte de seu orçamento à melhoria dos serviços sociais, tanto na saúde como na educação.

Os Emirados integram o mundo árabe, com cultura e religião islâmicas. Graças à prosperidade da indústria petrolífera, o país modernizou-se bastante, embora ainda subsistam formas tradicionais de vida e organizações tribais patriarcais.

Leia Mais >>

Egito


1.INTRODUÇÃO

Egito, república situada no Oriente Médio. Faz fronteira ao norte com o mar Mediterrâneo, a leste com Israel e o mar Vermelho, ao sul com o Sudão e a oeste com a Líbia. Possui uma superfície de 997.738 km2. Sua capital é o Cairo. O Egito é fruto do rio Nilo, berço de uma das civilizações mais grandiosas da antigüidade, cujas referências históricas remontam a 3200 a.C.

2.TERRITÓRIO

Este território compreende o vale e o delta do rio Nilo. Mais de 90% são áreas desérticas, entre as quais se encontram: a oeste, o deserto da Líbia, parte do Saara, que compreende o Grande Mar de Areia, onde se localizam várias depressões com altitudes abaixo do nível do mar, como Qattara; a leste, o deserto Arábico, que contorna o mar Vermelho e o golfo de Suez; e no extremo sul, o deserto da Núbia. Na península do Sinai, um deserto arenoso no norte e de montanhas escarpadas no sul, encontra-se o monte Sinai, que vem a ser o ponto mais alto da região. O Nilo entra no Egito pelo Sudão e corta o país em direção ao norte, onde desemboca no mar Mediterrâneo. O lago Nasser, formado pela represa de Assuã, se estende para o sul através da fronteira com o Sudão. O limo depositado pelos braços Rosetta e Damietta, os principais da vasta desembocadura no Mediterrâneo, fazem do delta a região mais fértil do país. O istmo de Suez, que liga o continente africano à Ásia, é cortado do mar Mediterrâneo até o golfo de Suez, no mar Vermelho, pelo canal de Suez. O clima se caracteriza por uma estação quente, de maio a setembro, e outra fria, entre novembro e março. As precipitações são escassas. No deserto há uma grande amplitude térmica, com frio intenso à noite e altas temperaturas diurnas.

3.POPULAÇÃO E GOVERNO

A maioria dos egípcios descende da população autóctone pré-muçulmana (os antigos egípcios) e dos árabes, que conquistaram a região no século VII. Os núbios, um povo autóctone, são um importante grupo minoritário. Alguns pastores nômades e seminômades, em sua maior parte beduínos, vivem nas regiões desérticas. A população (1993) é de 56.488.000 habitantes. Quase 99% da população vive no vale do Nilo, com uma densidade demográfica média nesta zona de 1.683 habitantes por quilômetro quadrado. A capital, Cairo, possui uma população (1992) de 6.800.000 habitantes. Outras cidades importantes são Alexandria (3.380.000 habitantes), Gizé (2.144.000 habitantes), Port Said (460.000 habitantes) e Suez (388.000 habitantes). O islamismo é a religião oficial e quase 90% dos egípcios são muçulmanos sunitas. A Igreja Copta, cristã, constitui a principal minoria religiosa. O árabe é a língua oficial; o berbere é falado pelos povos dos oásis ocidentais. O francês e o inglês constituem a segunda língua entre a população culta. Ver também Arte e arquitetura do Egito; Literatura egípcia. A Constituição de 1971 estabelece um Estado socialista árabe, com o islamismo como religião oficial. O chefe de Estado é o presidente da República, eleito pelo voto direto da população. A autoridade legislativa é exercida pela Assembléia Popular unicameral.

4.ECONOMIA

O produto interno bruto (1993-1994) é de 51,6 bilhões de dólares. É um país predominantemente agrícola. O aproveitamento da terra está entre os mais altos do mundo: é o maior produtor de algodão de fibra longa e um dos maiores produtores de milho do mundo. Na pecuária, destaca-se a criação de animais de carga. O país possui uma importante indústria pesqueira. O petróleo e o gás natural são os produtos minerais mais importantes. Há uma forte indústria de fiação de algodão, juta e lã, tecidos, açúcar refinado, ácido sulfúrico, fertilizantes nitrogenados, papel e cimento. A unidade monetária é a libra egípcia.

5.HISTÓRIA

As origens da antiga civilização egípcia não podem ser definidas com precisão. A descrição do desenvolvimento da civilização egípcia se baseia nas descobertas arqueológicas de ruínas, tumbas e monumentos. Os hieróglifos proporcionaram importantes dados. A história egípcia, até a conquista de Alexandre III, o Magno, se divide nos impérios antigo, médio e novo, com períodos intermediários, seguidos pelos períodos tardio e dos Ptolomeus. As fontes arqueológicas mostram o nascimento, por volta do final do período pré-dinástico (3200 a.C.), de uma força política dominante que, reunindo os antigos reinos do sul (vale) e do norte (delta), se tornou o primeiro reino unificado do antigo Egito. Durante a I e II Dinastias (3100-2755 a.C.), algumas das grandes mastabas (estruturas funerárias que antecederam às pirâmides) foram construídas em Sakkarah e Abidos. O Império Antigo (2755-2255 a.C.) compreende da III à VI Dinastias. A capital era no norte, em Menfis, e os monarcas mantiveram um poder absoluto sobre um governo solidamente centralizado. A religião desempenhou um papel importante, como fica evidenciado pela riqueza e número dos templos; de fato, o governo tinha evoluido para um sistema teocrático, no qual o faraó era considerado um deus na terra, razão pela qual gozava de poder absoluto. A IV Dinastia começou com o faraó Snefru que, entre outras obras significativas, construiu as primeiras pirâmides em Dahshur. Snefru realizou campanhas na Núbia, Líbia e o Sinai. Foi sucedido por Queóps, que erigiu a Grande Pirâmide em Gizé. Redjedef, filho de Queóps (reinou em 2613-2603 a.C.), introduziu uma divindade associada ao elemento solar (Rá) no título real e no panteão religioso. Quéfren e Miquerinos, outros membros da dinastia, construíram seus complexos funerários em Gizé. Com a IV Dinastia, a civilização egípcia conheceu o auge do seu desenvolvimento, que se manteve durante as V e VI Dinastias. O esplendor manifestado nas pirâmides se estendeu para numerosos âmbitos do conhecimento, como arquitetura, escultura, pintura, navegação, artes menores, astronomia (os astrônomos de Mênfis estabeleceram um calendário de 365 dias) e medicina. A VII Dinastia marcou o começo do Primeiro Período Intermediário. Como conseqüência das dissensões internas, as notícias sobre a VII e VIII Dinastias são bastante obscuras. Parece claro, no entanto, que ambas governaram a partir de Mênfis e duraram apenas 25 anos. Nesta época, os poderosos governadores provinciais tinham o controle completo de seus distritos e as facções no sul e no norte disputaram o poder. Os governadores de Tebas conseguiram estabelecer a XI Dinastia, que controlava a área de Abidos até Elefantina, perto de Siene (hoje Assuã). O Império Médio (2134-1784 a.C.) começa com a reunificação do território realizada por Mentuhotep II (reinou em 2061-2010 a.C.). Os primeiros soberanos da Dinastia tentaram estender seu controle de Tebas para o norte e o sul, iniciando um processo de reunificação que Mentuhotep completou depois de 2047 a.C., limitando o poder das províncias. Tebas foi a sua capital. Com Amenemés I, o primeiro faraó da XII Dinastia, a capital foi transferida para as proximidades de Mênfis. O deus tebano Amon adquiriu nessa época mais importância que as outras divindades, e foi associado ao disco solar (Amon-Rá). Os hicsos invadiram o Egito a partir da Ásia ocidental, instalando-se no norte. Sua presença possibilitou uma entrada massiva de povos da costa fenícia e palestina, e o estabelecimento da dinastia hicsa, que deu início ao Segundo Período Intermediário. Os hicsos da XV Dinastia reinaram a partir da sua capital, situada na parte leste do delta, o que lhes permitia manter o controle sobre as zonas média e alta do país. O soberano tebano Ahmosis I derrotou os hicsos, reunificando o Egito e criando o Império Novo (1570-1070 a.C.). Amenhotep I (1551-1524 a.C.) estendeu os limites até a Núbia e a Palestina. Com uma grande construção em Karnak, separou sua tumba do seu templo funerário e iniciou o costume de ocultar sua última morada. Tutmés I continuou a ampliação do Império Novo e reforçou a preeminência do deus Amon; sua tumba foi a primeira a ser construída no vale dos Reis. Tutmósis III reconquistou a Síria e a Palestina, que tinham se separado anteriormente, e continuou a expansão territorial do Império. Amenófis IV foi um reformador religioso que combateu o poder dos sacerdotes de Amon. Trocou Tebas por uma nova capital, Aketaton (a moderna Tell el-Amarna), que foi construída em honra de Aton, sobre o qual se centrou a nova religião monoteísta. No entanto, a revolução religiosa foi abandonada no final do seu reinado. Seu sucessor Tutankhamen é conhecido hoje, sobretudo, pela suntuosidade do seu túmulo, encontrado praticamente intacto no vale dos Reis, em 1922. O fundador da XIX Dinastia foi Ramsés I (reinou em 1293-1291 a.C.), que foi sucedido por seu filho Seti I (reinou em 1291-1279 a.C.); esse organizou campanhas militares contra a Síria, Palestina, os líbios e os hititas. Foi sucedido por Ramsés II, que fez a maior parte das edificações em Luxor e Karnak, ao construir o Ramesseum (seu templo funerário) em Tebas, os templos esculpidos na rocha em Abu Simbel e os santuários em Abidos e Mênfis. Seu filho Meneptá (1212-1202 a.C.) derrotou os invasores provenientes do mar Egeu, feitos narrados em um texto esculpido na esteira na qual figura a primeira menção escrita conhecida do povo de Israel. O Terceiro Período Intermediário compreende da XXI à XXIV Dinastias. Os faraós que governaram a partir de Tânis, no norte, entraram em choque com os sumos sacerdotes de Tebas. Os chefes líbios deram origem à XXI Dinastia. Quando os governadores líbios entraram em um período de decadência, vários rivais se armaram para conquistar o poder. De fato, as XXIII e XXIV Dinastias reinaram ao mesmo tempo que a XXII, bem como a XXV (cusita), que controlou de forma efetiva a maior parte do Egito quando ainda governavam as XXIII e XXIV Dinastias, no final do seu mandato. Os faraós incluídos da XXV à XXXI Dinastias governaram a Baixa Época. Os cusitas governaram de 767 a.C. até serem derrotados pelos assírios, em 671 a.C. Quando o último faraó egípcio foi derrotado por Cambises II, em 525 a.C., o país caiu sob domínio persa (durante a XXVII Dinastia). A ocupação do Egito pelas tropas de Alexandre Magno, em 332 a.C., pôs um fim ao domínio persa. Alexandre designou o general macedônio Ptolomeu, conhecido mais tarde como Ptolomeu I Sóter, para governar o país. A maior parte do período que seguiu à morte de Alexandre Magno, em 323 a.C., foi caracterizada pelos conflitos com outros generais, que tinham se apoderado das distintas partes do império. Em 305 a.C., assumiu o título real e fundou a dinastia ptolemaica. Cleópatra VII foi a última soberana dessa Dinastia. Tentando manter-se no poder, aliou-se a Caio Júlio César e, mais tarde, a Marco Antônio. Depois da morte de Cleópatra, em 30 a.C., o Egito foi controlado pelo Império Romano durante sete séculos. Nessa época, a língua copta começou a ser usada independentemente da egípcia. Com a finalidade de controlar a população e limitar o poder dos sacerdotes, os imperadores romanos protegeram a religião tradicional. Os cultos egípcios a Ísis e Serápis se estenderam por todo o mundo greco-romano. O Egito foi também um centro importante do cristianismo primitivo. A Igreja Copta, que aderiu ao monofisismo, se separou da corrente principal do cristianismo no século V. Durante o século VII, o poder do Império Bizantino foi desafiado pela dinastia dos Sassânidas da Pérsia, que invadiram o Egito em 616. Em 642, o país caiu sob o domínio dos árabes, que introduziram o islamismo. Nos séculos que se seguiram, teve início um lento processo de arabização que com o tempo produziu a mudança de um país cristão de fala copta para um outro, muçulmano de fala árabe. A língua copta se converteu em uma língua litúrgica. Durante o califado abássida, surgiram freqüentes insurreições por todo o país provocadas pelas diferenças entre os sunitas, maioria ortodoxa, e a minoria que aderiu aos xiitas. Em 868, Ahmad ibn Tulun transformou o Egito em um estado autônomo, vinculada aos abasidas apenas pelo pagamento de um pequeno tributo. A dinastia de Tulun (os tulúnidas) governou durante 37 anos um império que englobava o Egito, a Palestina e a Síria. Depois do último governo dos tulúnidas, o país entrou em um estado de anarquia. Suas frágeis condições o tornaram presa fácil para os fatímidas, que em 969 invadiram e conquistaram o Egito e fundaram o Cairo, convertendo-a na capital do seu império. Os fatímidas foram derrotados pelos ayyubis, cujo lider Saladino (Salah ad Din Yusuf ibn Ayubb) se proclamou sultão do Egito e estendeu seus territórios até Síria e Palestina, tomando dos cruzados a cidade de Jerusalém (ver Cruzadas). A debilidade de seus sucessores levou a uma progressiva tomada do poder pelos mamelucos, soldados de diversas origens étnicas que os serviam e terminaram por proclamar-se sultões com Izza al Din Aybak, em 1250. No final do século XIII e começo do século XIV, o território dos mamelucos se estendia para o norte até os limites da Ásia Menor. A segunda dinastia de sultões mamelucos, os buris, era de origem circassiana; governaram de 1382 a 1517, quando o sultão Selim I invadiu o Egito e o integrou ao Império otomano. Embora o domínio real dos turcos otomanos sobre o Egito tenha durado apenas até o final do século XVII, o país pertenceu nominalmente ao Império otomano até 1915. Em vez de acabar com os mamelucos, os otomanos utilizaram-nos em sua administração. Na metade do século XVII, os emires mamelucos (ou beis) restabeleceram sua supremacia. Os otomanos aceitaram a situação, com a condição de que pagassem um tributo. A ocupação francesa do Egito em 1798, levada a cabo por Napoleão I Bonaparte, interrompeu por um curto intervalo de tempo a hegemonia mameluca. Em 1801, uma força britânico-otomana expulsou os franceses. Mehemet Ali assumiu o poder e, em 1805, o sultão otomano o reconheceu como governador do Egito. Mehemet Ali destruiu todos os seus oponentes até se tornar a única autoridade no país. Para poder controlar todas as rotas comerciais, realizou uma série de guerras expansionistas. Os britânicos ocuparam o Egito de 1882 a 1954. O interesse da Grã-Bretanha se centrava no canal de Suez, que facilitaria a rota britânica até a Índia. Na I Guerra Mundial, a Grã-Bretanha estabeleceu um protetorado. Em 1918, surgiu um movimento nacionalista para garantir a independência. Eclodiu uma revolta violenta no país, razão pela qual a Grã-Bretanha suprimiu o protetorado em 1922 e foi proclamada uma monarquia independente, governada pelo rei Fuad I. Em 1948, o Egito e outros Estados árabes entraram em guerra com o recém-criado Estado de Israel. Com a derrota, o Exército se voltou contra o rei Faruk I. Em 1952, um golpe de estado depôs o rei e proclamou a República do Egito. O primeiro presidente, o general Muhammad Naguib, foi uma figura nominal, pois o poder foi exercido por Gamal Abdel Nasser, presidente do Conselho do Comando da Revolução. Em 1956, foi eleito oficialmente presidente da República. No começo, Nasser seguiu uma política de solidariedade com outras nações africanas e asiáticas do Terceiro Mundo e se converteu no grande defensor da unidade árabe. A negativa dos países ocidentais de proporcionar-lhe armas (que provavelmente utilizaria contra Israel) provocou uma reviravolta na política externa de Nasser, que o aproximou dos bloco dos países do Leste. No que diz respeito à política interna, Nasser suprimiu a oposição política, estabeleceu um regime de partido único e socializou a economia. Essa nova ordem foi chamada de socialismo árabe. Em 1967, continuou a luta contra Israel, que desembocou na guerra dos Seis Dias, ao final da qual Israel assumiu o controle de toda a península do Sinai. O canal de Suez permaneceu fechado durante a guerra e posteriormente foi bloqueado. Nasser recorreu à União Soviética. Nasser morreu em 1971 e foi sucedido pelo seu vice-presidente, Anwar al-Sadat. Sadat promoveu uma abertura política e econômica, além de procurar uma saída para o problema israelense mediante a negociação; como não conseguiu, planejou outro ataque contra Israel, dando início à guerra do Yom Kippur. Em 1974 e 1975, Egito e Israel concluíram uma série de acordos que resultou na retirada das tropas do Sinai. Em 1975, o Egito reabriu o canal de Suez e Israel se retirou de certos pontos estratégicos e de alguns dos campos petroleiros do Sinai. A questão econômica começou a ganhar cada mais importância; em 1977, Sadat pediu para que os assessores militares soviéticos abandonasse o país e se aproximou dos Estados Unidos. Em uma conferência tripartite com o presidente norte-americano Jimmy Carter, realizada em 1978, Sadat e o primeiro-ministro israelense Menahem Begin assinaram um acordo para a solução do conflito egípcio-israelense. Grupos fundamentalistas islâmicos protestaram contra o tratado de paz, e Sadat foi assassinado em 1981. Hosni Mubarak sucedeu Sadat. Abriu politicamente o país e melhorou as relações com outros Estados árabes. Participou da coalizão que lutou contra o Iraque na guerra do Golfo Pérsico, em 1991. Em 1992, os fundamentalistas islâmicos começaram a lançar violentos ataques com o objetivo de substituir o governo de Mubarak por outro baseado no estrito cumprimento da lei islâmica. Em outubro de 1993, Mubarak foi reeleito para um terceiro mandato presidencial, embora continuasse a violência por parte dos militantes islâmicos.

Leia Mais >>
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Troca de Links - Parceiros RSS Search Site no Esquillo Directorio Twingly BlogRank Teaching Blog Directory GoLedy.com Divulgue seu blog! Blogalaxia BRDTracker Directory of Education/Research Blogs Top Academics blogs Education and Training Blogs - BlogCatalog Blog Directory blog directory Blog Search: The Source for Blogs Submit Your Site To The Web's Top 50 Search Engines for Free! Sonic Run: Internet Search Engine Estou no Blog.com.pt
http://rpc.twingly.com/

  ©Trabalhos Feitos / Trabalhos Prontos - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo