Estudantes criam em 72 h projetos para solucionar problemas do Rio


Um chuveiro alimentado por um sistema que capta o calor do ambiente. Placas modulares colocadas no asfalto para absorver a água da chuva. Um aplicativo para celular que indica o caminho com maior acessibilidade para um cadeirante. E um sistema que pode ser usado em casa para testar a qualidade da água. Estes são alguns dos projetos que uma turma de estudantes de mestrado e doutorado precisou desenvolver em tempo recorde, três dias, e que serão finalizados na tarde desta quinta-feira (31), quando termina a Innovation Race, uma corrida pela inovação para o desenvolvimento sustentável realizada no Planetário do Rio.
Alunos de escola pública do Rio observam o trabalho dos estudantes da Innovation Race no Planetário (Foto: Paulo Guilherme/G1)Alunos de escola pública do Rio observam o trabalho dos estudantes da Innovation Race no Planetário (Foto: Paulo Guilherme/G1)
A corrida da inovação faz parte da “Semana da Inovação Brasil-Suécia: Inovação para o Desenvolvimento Sustentável”, promovida pelo governo da Suécia. O evento começou nesta segunda-feira (28) e vai até sexta (1º).
São 12 estudantes de mestrado e pós-graduação de quatro grandes universidades (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal do ABC e PUC-Rio) divididos em duas equipes de seis. Eles não se conheciam e foram desafiados a elaborarem, em apenas 72 horas, soluções tecnológicas e inovadoras para problemas do dia a dia da cidade do Rio de Janeiro.
Um grande cronômetro foi instalado em uma das salas do planetário e começou a fazer a contagem regressiva na segunda-feira. Com o apoio de um coordenador e um designer, e um “back office” formado por pesquisadores, advogados de patentes, analistas de mercado, economistas e criadores de protótipos, os grupos vão apresentar nesta sexta-feira os resultados desta corrida contra o tempo.
Estudantes apresentam projeto de teste de água potável (Foto: Paulo Guilherme/G1)Estudantes apresentam projeto de teste de água potável (Foto: Paulo Guilherme/G1)
Uma das principais características desta corrida é que cada um dos participantes tem uma formação acadêmica diferente dos demais. Entre os competidores estão jornalista, engenheira de produção, engenheira química, biomédica, publicitária, microbiologista, químico e administrador de empresas, entre outros.
“A gente aprende a ter uma visão diferente do processo, sem necessariamente lidar com pessoas do ramo”, destaca Ayla Silva, doutoranda em química na UFRJ. “É possível se focar em problemas menos técnicos do que lidamos na universidade”, complementa a participante, que é coautora de uma patente de utilização de enzimas para o bagaço de cana-de-açúcar na produção do bioetanol.
Leonardo Costa, doutorando em química da UFF (Foto: Paulo Guilherme/G1)Leonardo Costa, doutorando em química da UFF
(Foto: Paulo Guilherme/G1)
Rafael Moralez, formado em filosofia e com pós-graduação em energia pela UFABC, destaca a importância de um trabalho multidisciplinar e em equipe. “Não dá para pensar isoladamente, é preciso juntar diferentes conhecimentos para se pensar o mundo.” Já Leonardo Costa, doutorando em química pela UFF, diz que o projeto permite entender que não é impossível, por exemplo, se criar uma patente. “Iniciativas assim deveriam ser desenvolvidas pelas universidades,” diz.
Para Claudio Fernandes, diretor da Agência de Inovação da UFF, as características da sociedade brasileira, a situação de certa estabilidade econômica e o sistema educacional já permitem a formação de uma grande produção científica. “O desafio é fazer com que esta capacidade gere não apenas ciência, mas soluções inovadoras para a nossa sociedade. É preciso facilitar alguns processos de investimento das empresas em inovação e reduzir a burocracia. Porque acaba sendo mais barato para o empresário importar soluções vindas de fora.”
Estudantes discutem com especialista em patentes como transformar inovação em produto (Foto: Paulo Guilherme/G1)Estudantes discutem com especialista em patentes como transformar inovação em produto (Foto: Paulo Guilherme/G1)
Base do futebol
Esta é a 36ª edição da Innovation Race. A corrida foi criada pelo professor sueco Kaj Mickos, que defende a ideia de se democratizar o processo de inovação. Segundo ele, é preciso reunir uma filosofia capaz de entender que são as pessoas, e não a tecnologia, que produzem inovação. Desenvolver um método de produção e estabelecer uma organização para se produzir.
“Reunimos estudantes que não se conheciam e não tinham nenhuma ideia preparada para em um tempo recorde desenvolver soluções para problemas da cidade”, destaca. “Isso mostra que é possível sim fazer inovação. E isso vale para qualquer pessoa, jovem, velho, com ou sem curso superior.” Para isso, é preciso contar com investimento, reunir especialistas em diversas áreas e um líder que não tenha apenas o “know how” (como fazer), mas o “know who” (detectar quem pode fazer o quê).
Kaj Micklos, idealizador da Innovation Race (Foto: Paulo Guilherme/G1)Kaj Micklos, idealizador da Innovation Race
(Foto: Paulo Guilherme/G1)
Mickos faz uma comparação com o futebol. Ele explica que no futebol existe uma pirâmide na qual a base é formada por jogadores desconhecidos, times pequenos, estádios, campeonatos, transmissões esportivas. E no topo da pirâmide está um grupo seleto dos grandes astros, como Neymar, Ronaldo, Pelé, Romário. “Quando se fala em inovação, só querem saber desta elite de craques, mas o que realmente sustenta e importa é toda a base, os pequenos projetos e conhecimento desenvolvido”, afirma o sueco. “É impossível saber no início se um projeto vai virar um produto comercialmente sustentável, mas é preciso desenvolver processos para fazer aparecer estes craques.”
O professor vê o Brasil com grande potencial para desenvolver soluções inovadoras. “É um país com tantas pessoas diferentes, uma energia muito grande, precisa saber canalizar esta criatividade.”
 Exposição
Além da Innovation Race, uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil mostra inovações desenvolvidas pela indústria da Suécia, como um aparelho que mostra como obter água potável utilizando somente energia solar (veja vídeo ao lado).
Os visitantes poderão também conhecer um jogo de inovação no qual um projetor amplia o campo de visão do participante dando a sensação de enxergar nove vezes mais do que em uma tela normal. O experimento promete uma envolvente aventura no mundo 3D usando apenas jogos e softwares de ultima geração.
Innovation Race – Planetário da Gávea
De 28 de maio (a partir das 17h30) a 1° de junho (gratuito e aberto a visitação do público durante a competição).
Local: Rua Vice-Governador Rubens Berardo, 100, Gávea, Rio de Janeiro.
Exposição “Suécia Inovadora” – Centro Cultural Banco do BrasilDe 29 de maio a 08 de julho (gratuita e aberta ao público das 9h às 21h).
Local: Rua Primeiro de Março, 66, 4° andar, Centro, Rio de Janeiro
 

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