Em SP, princesa da Holanda defende educação financeira para crianças


A princesa Máxima da Holanda defendeu, nesta quinta-feira (10), em São Paulo, que países desenvolvidos e em desenvolvimento incluam a educação financeira na grade curricular a partir dos primeiros anos da educação básica. "Quanto mais cedo você começa, melhor é", afirmou ela durante visita à Escola Técnica Estadual Guaracy Silveira, na Zona Oeste da capital paulista, onde conheceu iniciativas brasileiras de educação e inclusão financeira.
A Princesa Máxima, da Holanda, visitou a Escola Técnica Guaracy Silveira (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)A Princesa Máxima, da Holanda, visitou a Escola Técnica Guaracy Silveira (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)
Ela ocupa, desde 2009, o cargo de assessora especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Desenvolvimento Financeiro Inclusivo e viaja o mundo divulgando a importância de promover o acesso da população a produtos financeiros como seguros, crédito e, principalmente, poupança. A princesa Máxima defende a inclusão financeira como forma para combater a pobreza.
Eu dou para meus filhos de 8 e 6 anos uma mesada, de um € 1,00 a € 1,50 por semana, para que eles entendam quanto precisam poupar para comprar o que querem"
Princesa Máxima, da Holanda
Na Etec, Máxima assistiu a uma palestra de educação financeira com atores e recursos multimídia que a Federação Nacional de Bancos (Febraban) realiza em escolas e conheceu detalhes sobre o novo curso técnico de finanças do Centro Paulo Souza, atualmente com 385 vagas abertas para o segundo semestre em oito unidades das Etecs pelo estado.
A princesa vai completar 41 anos no dia 17. Ela nasceu em Buenos Aires, na Argentina.  Antes de se casar com o herdeiro do trono, opríncipe William-Alexander, e entrar para a família real, a princesa Máxima trabalhava em um banco de investimentos.
Segundo ela, os conceitos de educação financeira são aplicados até dentro de sua casa. "Eu dou para minhas filhas de 8 e 6 anos uma mesada, de um € 1 a € 1,50 por semana, para que eles entendam quanto precisam poupar para comprar o que querem", contou ela, que é mãe de três meninas, as princesas Catharina-Amalia, Alexia e Ariane.
A princesa Máxima defendeu que os pais não cedam aos pedidos das crianças para lhes darem mais dinheiro, caso eles gastem todo o valor da mesada de uma vez. "O dinheiro da mesada é um dinheiro de aprendizado", disse.
Princesa Máxima, da Holanda (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)Princesa Máxima, da Holanda (Foto: Ana Carolina
Moreno/G1)
Redução da pobreza
A princesa conversou com cinco estudantes da Etec Guaracy Silveira que, além de cursarem o ensino médio, também fazem cursos técnicos em administração e contabilidade. Ela afirmou que os filhos podem ensinar os próprios pais a lidarem melhor com os gastos familiares e defendeu o incentivo ao consumo consciente para reduzir o número de pessoas abaixo da linha de pobreza.
"Uma boa porcentagem dos pobres vão oscilando acima e abaixo da curva de pobreza, porque eles ganham dinheiro, mas sempre têm problemas. Ou o marido morre, um dos filhos fica doente, as chuvas estragam a colheita e eles voltam a ficar abaixo da linha de pobreza. Por isso é importante mostrar a eles como se beneficiarem dos seguros." Ela também afirmou que, no caso do Brasil, como no passado o país não tinha tanto acesso ao crédito como tem hoje, isso pode fazer com que famílias acabem se endividando demais por não saber usar o serviço de maneira adequada.
Máxima elogiou a forma como o Brasil tem facilitado o acesso a serviços financeiros como a poupança, mas afirmou que, agora, é necessário iniciar uma segunda fase do processo de inclusão financeira e estimular o uso correto destes produtos.
Ela disse ainda que, em termos de educação financeira, o Brasil não está atrás de países desenvolvidos, já que muitos deles também não investem de forma apropriada na educação financeira. Ela citou o caso dos Países Baixos, onde uma pesquisa mostrou que dois terços dos adolescentes entre 15 e 18 anos têm algum problema para lidar com dinheiro. "Eles brincam com o dinheiro jogando pôquer e se endividando para pagar gastos com celulares, roupas e diversão.
O estudante Pedro Resende (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)O estudante Pedro Rezende (Foto: Ana Carolina
Moreno/G1)
'Gastava com roupas e festa'
O estudante Pedro Rezende, de 19 anos, não gasta com jogos, mas afirmou que se encaixou, durante alguns anos, neste caso. Ele parou de estudar aos 15 anos, no primeiro ano do ensino médio, quando morava com a mãe em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e trabalhava no aquário de um petshop.
"Fui da escola particular para a pública e não estava contente, saí porque já trabalhava na área que eu queria", contou ele ao G1.
Ele admitiu se sentir representado nos exemplos de descontrole de gastos e consumo compulsivo que viu na palestra. Segundo o estudante, ele nunca pensou em poupar. "Eu gastava com roupas e festa, tinha minha independência financeira, mas não sobrou nada do dinheiro que eu ganhei", disse ele, que foi incentivado por uma tia a prestar o vestibulinho para a Etec Guaracy Silveira e em 2012 retornou ao ensino médio.
Rezende afirma que, em 2013, pretende acumular com o ensino médio o curso técnico de meio ambiente e se dedicar aos estudos para entrar em uma boa faculdade de biologia ou biologia marinha. "Mas acho que só vou pensar em economizar para construir uma família a partir dos 25 anos."
 

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