Escolas ainda têm dificuldades para falar sobre sexo

Estaria a escola - enquanto instituição organizada, sistematizada que tem como função social a transmissão da aprendizagem formal, científica e organizada historicamente - preparada para trabalhar a temática da educação sexual? 

As manifestações sexuais que aparecem na escola demonstram, a cada momento, as dificuldades que as instituições educativas apresentam quando tratam da temática da sexualidade em seu cotidiano. 

Uma proposta de educação sexual adequada, consciente e emancipadora poderia contribuir para o objetivo de tornar toda a comunidade educativa apta a discutir assuntos importantes para o discernimento, na área da sexualidade. 

Entendemos que não se deve atribuir à escola nem o poder nem a responsabilidade de trabalhar e explicar as identidades sociais, determinando-as de formas definitivas, como também não pode ser seu dever exclusivo e decisório atuar sobre as questões de sexo e sexualidade. 

Porém é fato que ela tem um importante papel na construção da sexualidade do aluno, pois é na escola que ocorrem, cotidianamente e em todos os níveis educativos, cenas, eventos, palavras, gestos etc. referentes à sexualidade, e isso é incontestável. 

A comunidade educativa, entendida como pais/mães, professores/as, direção, equipe pedagógica, administrativa e funcionários/as acabam provocando, voluntária ou involuntariamente, marcas nos corpos dos/as alunos/as, principalmente em cenas relativas à expressão sexual. 

Há uma aparente dessexualização no espaço escolar, que não consegue se perpetuar, pois os fatos ocorrem, querendo ou não. A escola acaba disciplinando e escolarizando corpos. 

Um corpo escolarizado, portanto disciplinado, é treinado no silêncio e também é capaz de ficar sentado por muitas horas, com gestos, ações e palavras treinados para serem comedidos e isentos de sensações mais fortes, como, por exemplo, de quaisquer atributos sexuais. 

A escola seria um dos campos mais propícios a projetos de Orientação Sexual, pois ela pode promover a cidadania, na medida em que fosse eficaz na divulgação de informações sobre sexualidade, buscando uma reflexão crítica sobre o tema. 

Hoje, a discussão da necessidade da orientação sexual na escola deveria estar superada, uma vez que as manifestações sexuais acabam ocorrendo em todos os níveis de ensino e com todas as pessoas envolvidas no espaço escolar. 

Trabalhar com a sexualidade no ambiente escolar ainda sinaliza um longo caminho. Talvez com mais clareza, desejos, discernimentos, mas ainda é preciso muito para que a orientação sexual escolar se faça presente enquanto um projeto pedagógico coerente e adequado. 

Porém, não é o que vemos acontecer no cotidiano escolar. 

Eliane Rose Maio Braga - psicóloga e sexóloga (Maringá).


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