Produção, conteúdo, tecnologia

Antes de criarmos as exceções, precisamos conhecer as regras e os princípios de um novo formato de comunicação. O que fazer com um ambiente que não possui regras absolutas, num universo no qual os princípios são relativizados? Devemos pensar em modelos flexíveis, em fluidez, em interfaces de acesso com informações em movimento.

A prensa tipográfica para impressão de textos em grande escala foi inventada por Gutenberg no século XV e até hoje muito se discute acerca da repercussão de tal fato, a respeito da transição do discurso oral para o textual e suas conseqüências. A transição da comunicação textual para um modelo composto por textos e imagens não teve tempo suficiente de ser assimilada, pois vivemos evolução tecnológica muito densa no século XX, que resultou na rápida migração da imagem para o ambiente digital e multimídia. Proporcionada pela difusão dos computadores pessoais, os recursos tecnológicos integram atualmente pequenas estações de trabalho, que incorporam a interferência da tecnologia na maneira do homem se relacionar com a informação e transformá-la em conhecimento.
Como fazer para aprendermos a linguagem digital? Como publicar um site on-line e dispor dos recursos interativos existentes, para ampliar as possibilidades de comunicação do sistema? Precisamos refletir sobre as relações entre os elementos que o compõem, conhecer o valor simbólico das formas, da utilização da tecnologia e abordar as possibilidades interativas no seu exato contexto. “Se a cultura oral é fluida, e a criação oral, um empreendimento colaborativo” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.76), temos um retorno às características orais, condizentes com o ambiente de produção de um material em hipermídia.
O conhecimento digital é líquido, fluido, em fluxo constante, e a criação digital depende da iniciativa coletiva dos usuários. Sem os acessos não se tem nenhuma rede estabelecida. A tecnologia viabiliza a forma de comunicação, mas não determina o envolvimento com a produção e a difusão do conhecimento.
Peter Burke e Asa Briggs, ao apresentar uma análise dos meios de comunicação, escrevem sobre a importância do ritual como meio de comunicação, o que não poderia ser anotado devia ser lembrado, e o que devia ser lembrado devia ser apresentado de maneira fácil de se aprender (2004, p.21). Os recursos multimídia agregam aos formatos de representação digital a possibilidade de publicar conteúdo de fácil assimilação.
A composição visual em programas de criação e edição de imagem e os recursos de fotografia e vídeo digital, atualmente presentes em celulares que cabem na palma da mão, fazem parte do conjunto de ferramentas disponíveis para o desenvolvimento de uma produção interativa em rede.
Da mesma forma que Vicente Gosciola (2003) propõe grupos de conceitos para a roteirização de um projeto hipermidiático, as condições de produção e montagem agregam esses conceitos e incorporam características como:
- acessibilidade (design, metáfora);
- interatividade (apresentação, escolha, interferência);
- não-linearidade (fruição, simultaneidade, deslocamento);
- atualização (conteúdo, lexia, níveis de complexidade);
- multimídia (apresentação, escolha, tecnologia);
- personalização (Web 2.0, conteúdo sob demanda);
- desterritorialização (imersão digital, interface);
- imaterialidade (suporte).
No site Webcultura, o principal objetivo da publicação on-line é a batalha pelo acesso, pela credibilidade do sistema, que apresenta fenômenos principalmente urbanos, para revelar uma medida fractal de contexto cultural do momento. As armas para essa batalha são as ferramentas de que dispomos para a construção de uma nova linguagem. Nova agora, no início do século XXI, mas que já está datada, por isso tem a obrigação de se renovar sempre, atualizando a nossa maneira de perceber o mundo por meio de novas experiências. Um upgrade dos sentidos.
O desenvolvedor de hipermídia deve pensar o seu usuário como um explorador, que vai de lugar a lugar, ou de sistema em sistema, de tela em tela, de ambiente em ambiente, colhendo informações para chegar a alguma compreensão do universo dessa navegação.

Autor: joao Toledo

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