EMPREENDEDORISMO “ATÍPICO”

“Empreendedorismo”… esta é uma palavra que felizmente, entrou no nosso vocabulário. Precisamos de empreendedores! São os empreendedores, no sentido lato da palavra, que fazem a economia mexer; que fazem os países vibrar; sem os quais nenhum estado teria orçamento para sobreviver… São os empreendedores que são responsáveis pelo emprego em Portugal e no Mundo. E mais, são os pequenos empreendedores que criam emprego a mais de 80% da população activa Portuguesa. E é justamente destes últimos que queria falar – dos Pequenos e Médios Empreendedores, mas de uma forma mais abrangente.

Passo a explicar: normalmente associamos empreendedores a indivíduos que criam as suas próprias empresas, que arrancam com negócios de raiz, do zero. Contudo há uma vertente, ainda pouco explorada em Portugal, de empreendedores que se tornam empreendedores por aquisição. Ou seja, adquirem uma posição ou a totalidade de uma empresa em actividade. A estes denomino “empreendedores atípicos” justamente por não ser, ainda, a situação típica vista em Portugal.

Os potenciais empreendedores atípicos estão um pouco por todo o lado mas ainda não se aperceberam. O que pretendo é justamente alertar este potencial latente.

As empresas estão a reestruturar-se; executivos de primeira e segunda linha de médias e grandes empresas reformam-se mais cedo; as perspectivas de carreira dos recém-licenciados são cada vez mais incertas; as pessoas estão insatisfeitas com o que fazem, com a ausência de rumo nas suas vidas; exige-se mais flexibilidade, mais independência; as oportunidades são cada vez mais globais e as PME têm lugar neste novo espaço – precisam é de quadros adequados. Há que considerar estes factos e promover a ligação entre os quadros altamente bem preparados, oriundos das faculdades e/ou das grandes empresas, e as PME. Uma forma de promover e estimular esta ligação é justamente através da transacção de PME.

Existem vários momentos em que as PME podem ser transaccionáveis. Alguns desses momentos têm uma justificação pessoal:
1) o dono quer realizar mais valias;
2) quer mudar de vida;
3) tem condicionantes familiares;
4) problemas de saúde;
5) condicionantes com sócios; etc.;

outros têm uma justificação económica, estratégica, como por exemplo:
6) expansão de mercados;
7) sucessão;
8) reestruturação;
9) reposicionamento;
10) integração/desintegração na cadeia de valor; etc.

É nestes momentos que a oportunidade de entrada no universo das PME de empreededores atípicos surge. E porquê? Porque estes indivíduos, preparados e habituados a grandes estruturas e organizações multinacionais podem trazer valor e relançar a PME num ciclo de desenvolvimento que o seu actual proprietário não previa. Por outro lado, este empreendedor atípico raramente sobrevive quando tenta criar uma empresa de raiz. A incerteza associada a um novo negócio é enorme e ele não arrisca. O que é natural, já que ele está preparado e habituado é desenvolver conceitos e/ou organizações, o que é bem diferente do que criá-las.

Com isto quero dizer que acho que existem essencialmente dois tipos de empreendedores:
a) os empreendedores típicos que criam, arriscam e arrancam com conceitos e negócios de raiz e motivam-se justamente por isso – perdem o entusiasmo quando a empresa entra em velocidade cruzeiro;
b) e os empreendedores atípicos, que pegam em estruturas existentes, conceitos afirmados, seguros e desenvolvem-nos criando estruturas organizacionais necessárias a suportarem o crescimento em escala destes conceitos.
São perfis complementares e que se os encaixarmos no ciclo de vida das empresas, verificamos a importância do enquadramento destes perfis em função do estágio em que a empresa está.

Comprar uma PME pode ser uma oportunidade de realizar grandes mais valias, esteja a empresa com ou sem problemas – a oportunidade pode estar justamente aí! Também pode ser uma forma de criar um “emprego”, uma nova carreira, liderando um projecto já em curso onde o comprador, para além da sua experiência e know-how, trás uma nova visão de desenvolvimento do negócio que de outra forma não existiria.

Partindo desta “teoria” há que desenvolver e promover em Portugal mecanismos que estimulem e facilitem a transacção de PME resolvendo assim, pelo menos, dois problemas:
1) A valorização das PME;
2) A integração de quadros altamente qualificados, com ou sem capacidade de investimento, prolongando as suas carreiras.
Por outro lado, há que incentivar os empresários a considerar a venda como uma oportunidade de realização de capital e/ou mudança de rumo na sua vida.

Esta é justamente a missão do TRANSACT PME! - promover e facilitar a transacção de PME em Portugal.
O “TRANSACT PME!” é uma iniciativa da GBB – Global Business Brokers e do Jornal de Negócios em parceria com o BPI, a Cofina, a Informa DB, o ISEG e a Leading . Com esta parceria mobilizamos todas as valências essenciais à promoção, divulgação e facilitação de um conceito que ainda é inovador em Portugal. Cada parceiro contribui para a missão do projecto na sua área específica de intervenção.

O processo de transacção de uma PME, é bastante exigente e deve ser devidamente acompanhado. Passa essencialmente por três grandes fases, que o “TRANSACT PME!” pretende promover e facilitar, nomeadamente:
1) Prospecção, onde o potencial comprador ou a empresa vendedora, têm de identificar um conjunto de entidades a comprar (ou compradores) até encontrar o par ideal;
2) Negociação, onde é investigada, analisada e auditada toda a informação de ambas as partes – em especial da empresa a transaccionar – para concluir na realização de um acordo que satisfaça ambas as partes;
3) Desenvolvimento, fase em que, já feita a transacção, há que planificar o novo rumo da empresa transaccionada, de acordo com as premissas fixadas na negociação.

No próximo dia 27 de Março decorrerá a conferência de lançamento e apresentação do “TRANSACT PME!”, no ISEG e teremos como convidado especial Nick Gugliuzza, veterano em transacções de PME nos EUA, tendo já participado em várias centenas de transacções. Caso esteja interessado em participar, contacte o JN.



Referências Americanas:Nos EUA são criadas anualmente mais de 600K empresas;
Nos EUA 18% das PME mudam de mãos todos anos – o valor médio destas transacções é de US$ 207,000;
Nos EUA existem aproximadamente 5,6 milhões de PME, representando 50,2% do emprego gerado;
A actividade de Business Broker já tem mais de 30 anos nos EUA e está em estado de organização e desenvolvimento estruturado;
Existem mais de 3800 Business Brokers nos EUA;
Desde 1990 que as principais publicações americanas e mundiais de “business” têm dedicado vários artigos ao “empreendedorismo por aquisição”
Cada vez mais, recém formados e MBA consideram a alternativa de aquisição de uma PME à tradicional senda de oportunidades no universo das grandes empresas. De tal forma, que hoje em dia, existem várias universidades nos EUA que criaram cursos especialmente subordinados ao tema “Aquisição de PME”. 


Referências Portuguesas:Total de PME registadas: aprox. 600.000– pouco mais de 176.000 facturam acima dos 300.000€; representam 81,6% do emprego gerado;
Todos os anos são criadas aproximadamente 25.000 empresas e são dissolvidas mais de 10.000;
Ainda não existem dados específicos sobre o número de PME transaccionadas anualmente, contudo estima-se que esse valor se situa abaixo dos 1%.


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