Ensino médio incompleto dificulta busca por emprego

 A taxa de desemprego é menor entre os jovens que finalizaram o ensino fundamental do que entre aqueles que possuem o ensino médio incompleto. Entre os desempregados, 9% têm até oito anos de escolaridade. Já entre os que estudaram um pouco a mais, até dez anos, a taxa de desemprego sobe para 14%. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional  de Amostra por Domicílio), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Eles foram apresentados pela ONG Todos pela Educação na última quarta-feira (16).


A hipótese levantada pelos pesquisadores envolvidos no estudo é que, com o ensino médio incompleto, o jovem se nega a aceitar trabalhos considerados de baixa qualificação. Com mais anos de escola do que pessoas que cursaram apenas as oito séries do fundamental, falta a eles conhecimento suficiente para preencher as vagas que exigem ensino médio completo. É justamente nesse ponto que se encontra o problema, uma “bomba relógio prestes a explodir”, chama a atenção Wanda Engel, superintendente-executiva do Instituto Unibanco e doutora em educação pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

- O ensino médio é o passaporte mínimo para o mercado de trabalho moderno. Sem ele, continuaremos a perder para o desemprego e para as políticas assistenciais, pois não há as condições mínimas de competição no mercado, principalmente [para trabalho] internacional. 
O estudo, chamado A Crise de Audiência no Ensino Médio, mostrou que apenas 38% da população de 25 a 34 anos frequentou até a terceira série deste nível de ensino, o que resulta na continuidade de gerações de pobreza e não inserção, diz Wanda. Ela avalia que a situação se agrava, "se for levado em consideração o grande número de jovens de até 29 anos que já têm domicílio próprio e constituíram família”.

- Porém, o motivo do problema não está no mito da alteração de mercado. Há uma repulsa da escola pelos jovens.
Os dados são de 2005 e 2007, mas permanecem atuais, de acordo com os pesquisadores. Ricardo Paes de Barros, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ressalta que quanto menos anos de escolaridade, piores as condições de emprego. Para ele, não basta apenas melhorar o ensino para atrair os cerca de 18% de jovens entre 15 e 17 anos fora das salas de aulas.

- É preciso que a escola dialogue com o aluno, que atenda às suas demandas. É necessário ter sensibilidade para dar uma escola que atenda o aluno de determinada região; a escola adequada ao jovem do Amazonas é diferente de São Paulo, por exemplo.
Paes de Barros pondera que “existem mil razões para que o Brasil não consiga atrair esse percentual de alunos para a escola e que esteja atrás de países como o Chile”. Segundo a pesquisa, um brasileiro possui repertório escolar hoje similar ao de um chileno há 30 anos.

Os especialistas ressaltam que é importante obter uma formação completa, tanto no nível fundamental quanto no médio. O aluno não deve deixar de ingressar no antigo colegial só porque a taxa de desemprego é maior entre quem não completou este patamar, já que as oportunidades para ensino médio completo costumam oferecer melhores salários.

Escola distante
Reynaldo Fernandes, ex-presidente do Inep (órgão do Ministério da Educação responsável pelo Enem), assim como Paes de Barros, aponta a desigualdade como uma das explicações para o abandono dos estudos.

- Estamos avançando, porém atrasados e desiguais. Apesar da crise, a evolução do acesso à escola de jovens de 15 a 17 anos no Brasil aumentou entre 2007 e 2008. O ensino médio está absorvendo os alunos que concluem o EJA (Educação de Jovens e Adultos), mas não os que abandonam a escola.

Para o pesquisador do Ipea, os 18% de estudantes fora das salas de aula estão concentrados em regiões mais pobres. Ele diz que “parte do sucesso educacional brasileiro vai depender de não só melhorar a qualidade da educação, mas também de dar condições a essas pessoas de frequentar a escola”.

Carlos Artexes, diretor de orientações curriculares do MEC, pondera que “os trabalhos de baixa qualificação absorvem a maioria do mercado”.

- Há um topo de empregos altamente qualificados e um topo de empregos de baixa qualificação. Não há muita oferta de emprego intermediário. Não há no Brasil um grupo de empregos com semiqualificação, falta isso. Por isso o ensino médio fica tão defasado. 
Segundo o representante do ministério, "há a necessidade de uma nova escola média" no país, onde a taxa de conclusão nesse tipo de ensino  é de 50%. Outro dado alarmante, ou “rebelião silenciosa” para Artexes, é o número de jovens ociosos – 8 milhões de pessoas até 24 anos não estudam nem trabalham.
- Consideramos natural que todo jovem deveria estar estudando, e isso [de não estudar nem trabalhar] é um fenômeno que acontece no mundo inteiro. É uma rebelião silenciosa. Eles estão dizendo: "esse tipo de escola ou essse tipo de trabalho não interessa", estão se isolando do mundo da escola e do trabalho. Chegar a esses jovens é extremamente difícil.

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