Escolas discriminam alunos homossexuais

“Dava para perceber que eu era diferente e sofri muito preconceito, de professores e colegas, até que abandonei a escola a meio do ano lectivo”, diz Vinicius Cosmo, 18 anos. Aos 14 anos, aluno de uma escola particular de Ribeirão, ele trocou de colégio devido à discriminação e às brincadeiras que ouvia por ser homossexual. 
Casos como este são recorrentes em salas de aulas. De acordo com especialistas, os educadores ainda tropeçam muito quanto o assunto é sexualidade. 
“Tradicionalmente, a maioria das escolas ainda trata a sexualidade como uma questão biológica por duas vias, o da gravidez e o das doenças sexualmente transmissíveis. O que é uma tentativa de impressionar e conter os jovens”, disse a docente do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Unicamp, Ângela Soligo. 
Para ela, ao limitar-se ao lado biológico, as escolas viram as costas às preocupações dos adolescentes, que vivem uma fase de descobertas.  “O lado afectivo, as angústias, medos, as fantasias, são aspectos muito importantes. Hoje a sociedade escancara o sexo na imprensa, Internet, mas não sabe conversar sobre o assunto. O jovem não tem quem procurar para levar as suas dúvidas”, disse Ângela Soligo. Vinicius Cosmo diz que não ter o apoio da escola foi um agravante. “Eu precisava de aceitar a minha condição, sem medo. Mas a discriminação levou-me a esconder o meu modo de ser e tive um bloqueio. Adoeci e precisei de tratamento médico”.
Segundo o jovem, até mesmo os professores faziam piadas sobre a forma dele agir e a escola tinha uma conduta religiosa que impedia conversas abertas sobre a sexualidade. A homossexualidade era vista como um desvio de comportamento.  “Por mais que o professor tenha uma convicção religiosa, tenha a sua fé, aquilo que pensa no privado não pode interferir na sua vida pública. E o educador tem que ter essa responsabilidade, até porque o nosso Estado é laico e todos devem ser respeitados”, disse Leila Araújo, coordenadora executiva do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos.  Richard Miskolci, sociólogo e investigador, diz que os professores devem ter muito cuidado ao tratar as diferenças: “É importante não dizer que um é homossexual, o outro não. São pessoas em formação que, se num momento têm interesse pelo sexo oposto, podem ter depois pelo mesmo sexo. São adolescentes e é preciso conviver com a heterogeneidade da sala sem defini-la”.




http://jornaldeangola.sapo.ao

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Troca de Links - Parceiros RSS Search Site no Esquillo Directorio Twingly BlogRank Teaching Blog Directory GoLedy.com Divulgue seu blog! Blogalaxia BRDTracker Directory of Education/Research Blogs Top Academics blogs Education and Training Blogs - BlogCatalog Blog Directory blog directory Blog Search: The Source for Blogs Submit Your Site To The Web's Top 50 Search Engines for Free! Sonic Run: Internet Search Engine Estou no Blog.com.pt
http://rpc.twingly.com/

  ©Trabalhos Feitos / Trabalhos Prontos - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo