Igualdade e bullying nas escolas da Região



A Secretaria Regional de Educação está a implementar alguns projectos nas escolas da Região no sentido de melhorar o relacionamento dos alunos, nomeadamente entre pessoas de sexo diferente.
Um deles, o Projecto Agir para a Igualdade nas Escolas, está em vigor há três anos e envolve, actualmente, nove escolas da Região. Tem por objectivo incentivar e sensibilizar para a igualdade entre géneros (homem/mulher).
O programa, na Madeira, é dirigido por Ângela Borges, adjunta do secretário regional de Educação e resulta de uma parceria nacional com a CGTP-IN, a FENPROF e outras instituições. O programa nacional abrange, igualmente, os Açores.
Segundo Ângela Borges, o projecto pressupõe a formação de professores, mas está essencialmente vocacionado para os alunos.
O objectivo desta iniciativa é o de alertar para as discriminações que ainda existem entre sexos, nomeadamente em termos de profissões e de tarefas domésticas.
Ângela Borges dá o exemplo de que se «fala muito em filósofos, mas raras vezes se ouvem referências a filósofas».
Despertar para estas e outras questões, como a da violência durante o namoro e desenvolver o espírito crítico nas crianças são outras das metas.

Boa adesão dos alunos

Ângela Borges diz que os alunos aderem bem às propostas que lhe são feitas, em termos de trabalhos a apresentar. A título de exemplo, refere o facto de algumas escolas já terem feito um blogue sobre o assunto. Conforme acrescenta, o importante é que nada seja forçado. «Se for imposto, os alunos não aderem. Tem de ser tudo muito suavemente introduzido», explica.
O programa não obriga a mais horas de aula, sendo normalmente desenvolvido na área de projecto. Apesar disso, há uma transversalidade na abordagem, podendo o tema da igualdade ser dado em disciplinas como a do Português, Matemática ou Educação Física.

Nove escolas envolvidas

Até agora, o projecto tem sido desenvolvido em escolas do terceiro ciclo, embora já haja uma do secundário, mais precisamente a da Calheta.
Nos outros ciclos temos as escolas do Caniçal, Caniço, Ponta do Sol, Fajã da Ovelha, Bartolomeu Perestrelo, Estreito de Câmara de Lobos, a da Torre em Câmara de Lobos e a Escola Dona Lucinda Andrade, em São Vicente. A Escola das Mercês é a próxima onde o projecto será implementado.
Em termos gerais, o objectivo é o de implementar, gradualmente, este tipo de formação em todas as escolas da Região.
O projecto começou no ano lectivo de 2007/2008 com três escolas de 2º e 3º ciclos do Ensino Básico.
No ano seguinte, foram envolvidas outras quatro, inclusive a secundária da Calheta.

Projectos revestem-se de «grande importância»

Ângela Borges defende que «projectos desta natureza revestem-se de grande importância, pois reforçam algumas iniciativas já existentes para a construção e desenvolvimento de atitudes de cidadania, não só na escola, mas numa vivência que envolve toda a sociedade».
Outro aspecto que salienta é «a perspectiva transversal que estes projectos comportam».
Para uma melhor concretização deste programa foi atribuída aos professores envolvidos uma redução de duas horas na componente não lectiva e de seis horas na componente lectiva para os professores coordenadores.

Combate ao bullying em preparação

A Direcção Regional de Educação da Madeira está a estudar um projecto de combate ao bullying nas escolas, que deverá ser posto em prática no próximo ano lectivo.
A informação é dada pelo psicólogo da DRE, Paulo Rodrigues, que coordena o programa.
Conforme explica, o projecto é feito em parceria com os serviços de psicologia, envolvendo uma equipa multidisciplinar onde se inserem professores.
Paulo Rodrigues acrescenta que o programa tem diversas componentes e será implementado por fases, nomeadamente a experimental, que deverá ser feita em escolas piloto.
Para o efeito será elaborado um dossier de actividades a desenvolver com os alunos, o qual será gerido pelos professores de cada escola, nomeadamente directores de turma.
Paulo Rodrigues dá o exemplo da qualidade das relações, tema que pode ser incluído, por exemplo, na disciplina de Educação Cívica.

Diferença entre violência e bullying

O psicólogo salienta que a transição de ciclos causa problemas a alguns alunos, suscitando-lhes sentimentos negativos, angústias e dificuldades de adaptação. Essas situações levam, por vezes, a que o aluno opte pela violência física.
Paulo Rodrigues explica que esses casos não são considerados de bullying.
«O bullying implica uma intenção de magoar o outro», esclarece.
Este fenómeno tem contornos muito específicos, passando pela agressão verbal, física ou psicológica.
Nas escolas da Região, conforme acrescenta, uma das formas mais frequentes de bullying é o “chamar nomes feios” a outros. É, no entanto, também muito frequente a exclusão social a que grupos de alunos sujeitam outros, nomeadamente pela forma de vestir ou pelos bens materiais que (não) têm.
«Agrupam-se por estes valores e agridem quem está fora do grupo», especifica o psicólogo.

Actores e alunos partilham “bullying”

Alunos do Ensino Básico de uma escola de Olhão são recebidos de forma rude e malcriada por quatro actores numa sala de aula. Trata-se do início da peça teatral interactiva "Bullying", que aborda a problemática da violência na escola.
Um vídeo humilhante colocado no sítio da internet "You Tube", inscrições nas paredes da escola com frases ofensivas, assédio sexual ou simplesmente ridicularizar um colega pela forma de falar ou vestir é considerado bullying, explicam os actores da Companhia de Teatro do Algarve ACTA, que até 19 de Fevereiro apresentam nas escolas algarvias o espectáculo "Bullying".
A peça, que está integrada no programa Teatro para a Educação, tem a particularidade de ser interactiva, permitindo aos alunos interpretarem o papel das vítimas mas também de "bullies" (agressores).
"É sobretudo uma tomada de consciência por parte dos alunos do que é o "bullying" e de que a violência escolar não é uma brincadeira", explicou à Agência Lusa Elisabete Martins, uma dos quatro intérpretes da peça.

CCM/Lusa

Docentes consideram o projecto pertinente

Docentes da Escola B+S da Ponta do Sol consideram o Projecto Agir para a Igualdade nas Escolas, «bastante pertinente, uma vez que aborda um tema muito importante e que normalmente não é visível». A declaração pode ser lida na revista InterAgir, que divulga as acções para a igualdade desenvolvidas nas escolas nacionais que aderiram ao projecto. Na opinião destes docentes, (que dizem ser necessário mudar atitudes e comportamentos), «a escola é o lugar ideal» para alertar os jovens, - «que estão mais predispostos para a mudança», - para a discriminação de género que ainda existe. Os docentes em causa defendem que «talvez fosse importante a existência de mais intercâmbio de ideias entre as escolas, especialmente entre os/as alunos/as».
Na mesma revista, Ana Paula Almeida, da Escola da Torre, em Câmara de Lobos, diz que, estando a escola inserida num meio piscatório, «onde os papéis de género estão socialmente bem definidos, foi nosso propósito provocar momentos de reflexão e de debate, envolvendo toda a comunidade educativa».
Neste contexto, a escola desenvolveu vários projectos, nomeadamente, a comemoração do Dia da Não Violência e a realização de duas peças de teatro, que foram apresentadas à comunidade.
O projecto envolveu docentes da àrea de projecto, história, religião, formação cívica e geografia.
Por outro lado, Laíz Vieira, da escola básica de 2º e 3º ciclos do Caniçal, diz que este projecto tem sido «um espaço vital de auto-reflexão e auto-reconhecimento entre jovens e adultos intervenientes». Exposições, encenações teatrais, vídeos, cartazes e calendários foram algumas das iniciativas levadas a cabo pela escola.

http://www.jornaldamadeira.pt

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