Formação em educação sexual paga pelos 'profs'


Falta de acções de formação promovidas pelo  ministério leva escolas e docentes a procurarem outros cursos.
Há professores a pagar do seu próprio bolso a formação de que precisam para dar aulas de educação sexual. A situação está a preocupar os docentes que lembram que o Governo elegeu este tema como prioritário e agora não está a dar o apoio necessário. Numa escola da região de Lisboa, por exemplo, os professores estão a pagar cerca de 60 euros para fazer uma acção de formação de 50 horas. A escola liquidou o restante, já que o custo total rondava os 95 euros.
"Muita gente não se inscreveu por causa disso. É escandaloso, dado que precisamos disto para fazer bem o nosso trabalho", contou ao DN uma docente que preferiu não se identificar.
"Os professores têm tanta necessidade de formação que acabam por procurar mesmo a que é paga", explica Armindo Cancelinha, da Associação Nacional de Professores (ANF). Isto porque as acções promovidas pelo Ministério da Educação ainda são muito pontuais, acrescenta.
O responsável lembra que este é um tema muito sensível, que levantou muita polémica entre os católicos. "Por isso a formação é fundamental para a escola garantir aos pais que os professores estão preparados e à vontade para falar sobre sexo", conclui.
Prova disso, é que desde que a lei da educação sexual foi publicada, em Agosto, há cada vez mais escolas a contactar a Associação para o Planeamento da Família (APF) para organizar formações. E a pedir materiais para as aulas: a procura dos kits de apoio às aulas, lançados em Setembro, surpreendeu até a APF (ver texto em baixo).
"Os professores que vão abordar esta matéria precisam de estar preparados", concorda Duarte Vilar, director executivo da APF. A associação dá formação há 40 anos e tem sete cursos acreditados pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua. Ou seja, os cursos dão créditos aos professores que lhes permitem progredir na carreira.
Mas também lhes dão competências que não têm, explica Sara Duarte, do Centro de Formação da APF. Ensinam-se metodologias para abordar os temas, para que o docente possa escolher a que melhor se adequa à sua turma e ao seu ensino: da leitura crítica de textos ao desempenho de papéis (roleplaying), passando por jogos.
"Não podemos falar do que não sabemos. Há formações que o próprio Ministério propõe, porque percebe essa necessidade, e são organizadas gratuitamente através dos centros de formação das escolas e das associações. E a educação sexual devia ser incluída já que é uma prioridade", acrescenta Armindo Cancelinha.
A lei deveria estar a ser aplicada nas escolas desde Outubro, com a inclusão de seis horas para o primeiro e segundo ciclo e de 12 para terceiro e secundário - em disciplinas como Área Projecto, Educação Cívica e Estudo Acompanhado. Mas continua à espera da regulamentação que devia ter sido publicada até Outubro e que o Ministério da Educação promete agora até Março.
Por isso muitas escolas continuam sem apostar na formação dos professores. É o caso da Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra.
"Temos há anos um protocolo com a Escola Superior de Enfermagem que assegura aulas de educação sexual aos alunos. Quando sair a regulamentação da lei avaliaremos a necessidade de formação. Mas não me passa pela cabeça serem os professores a pagá-la", explica a presidente do Conselho, Rosário Gama.


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