Com pouco avanço na Educação, País ainda tem um analfabeto para cada 10 brasileiros

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Analfabetismo se mantém estável no País
Em 2008, a taxa de analfabetismo se manteve praticamente estável. Ainda hoje, um em cada 10 brasileiros é analfabeto. Para os homens, a taxa foi estimada em 10,2% e, para as mulheres, em 9,8%.

A pesquisa mostra que as disparidades regionais em relação ao índice são gritantes pelo País. No Nordeste, o índice de analfabetos é quase o dobro do nacional, com 19,4%.

Entre o grupo de pessoas de 10 a 14 anos de idade, a taxa de analfabetismo ficou em 2,8%, o que configura uma queda de 0,3 ponto percentual em relação a 2007. Novamente, as regiões Nordeste e Norte tiveram as piores taxas, com 5,3% e 3,5%, respectivamente. Nas demais regiões, o número foi inferior a 1,5%.

Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, acelerar a queda do analfabetismo depende de medidas que atraiam os adultos para escola, além do combate às desigualdades sociais e raciais. Segundo ele, os programas atuais já atingiram os objetivos e precisam de renovação.

“As estratégias não conseguem mais surtir efeito”, afirmou. “Mesmo em São Paulo, o estado mais rico da Federação, há um grande contingente de analfabetos. As pessoas não acreditam que podem voltar ao mundo do conhecimento. Para alcançá-las são necessárias campanhas, mais recursos e uma gestão melhor”, acrescentou Daniel Cara.

Analfabetismo funcional

O analfabetismo funcional, que é representado por pessoas com 15 anos ou mais e menos de quatro anos de estudo completos, foi de 21%. Uma queda de 0,8 ponto percentual em relação a 2007.

Para o presidente da Ação Educativa, Sérgio Haddad, o analfabetismo funcional é um fenômeno novo, que se deve, principalmente, à baixa qualidade do ensino público. “Esse é um fenômeno recente porque antes não existia o direito à escola. Ou seja, antes as pessoas não passavam pela escola, agora elas passam, mas a qualidade é tão ruim que, na verdade, elas passam e não adquirem os conhecimentos necessários. Elas têm noções de leitura e escrita, mas não o suficiente para utilizar no seu cotidiano”, critica.

Além da falta de qualidade do ensino, a pesquisadora Vera Masagão aponta o baixo número de anos de estudo da população como fator determinante para o analfabetismo funcional.

“A maioria das pessoas está saindo da escola sem completar sequer o ensino fundamental. Para o sujeito ser um usuário da leitura e da escrita, entender alguma coisa, não basta o beabá. Ele precisa se socializar nesse universo de cultura escrita e para isso é necessária uma escolarização mais alongada.”

Regiões

O Nordeste foi a região que teve a maior queda na taxa, com retração de 1,9 ponto percentual. No entanto, ainda é a líder do ranking, sendo que a taxa chega a 34,3% para os homens e 29,2%, para as mulheres.

As regiões Sul e Sudeste apresentam índices parecidos e são as únicas onde há mais mulheres analfabetas funcionais do que homens. No Sul, a taxa é de 16,9% para mulheres e 15,5% para homens. Já no Sudeste é de 16,5% para mulheres e 15% para homens.


ultimosegundo.ig.com.br

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