Professores na Indústria da Educação

Não me causou estranheza a divulgação da Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas em abril deste ano que apontou o desinteresse como o maior motivo de abandono dos bancos escolares, a falta de interesse representou 40,3% das justificativas apresentadas pelos jovens de 15 e 17 anos para deixar de lado os estudos, ficando até mesmo a frente da necessidade de trabalhar para ajudar a família que foi de 27,1%.

A pesquisa vem comprovar, o que na prática é atestado por nós professores dentro da sala de aula, a falência do ensino público e privado de qualidade em nosso país, não quero aqui eleger os culpados por esse quadro caótico em que se encontra a educação brasileira, porém nos resta fazer algumas reflexões a cerca do modelo instituído em nossas escolas, partindo da lógica capitalista, que tem em uma das suas essências o processo de mercantilização, de transformação de tudo em mercadoria determinante na acumulação de capital dentro do processo de produção de bens, mercadorias e serviços, sendo assim como os trabalhadores são desprovidos de meios de produção (local de trabalho e ferramentas) são obrigados a vender a sua força de trabalho como mercadoria para empresas em troca de salário para sobrevivência, este processo também esta fortemente permeado dentro da educação brasileira, e neste sentido, podemos destacar alguns atores envolvidos neste processo fragmentado que se configurou ao longo do espaço e do tempo dentro da educação brasileira, sendo modelo da reprodução capitalista, e apenas relegando por completo a sua verdadeira essência, a de transformação ou práxis nas escolas, e nos educadores.

O primeiro ator aqui postado seria exatamente o mantenedor, ou seja, o Estado como grande protagonista na elaboração das diretrizes e bases para educação mas que se mostrou ao longo do tempo completamente alheio ao compromisso, de transformação positiva pela e para a Educação e completamente estático no que diz respeito a produção do conhecimento, método amplamente defendido por Paulo Freire, considerado um dos pensadores mais notáveis da historia da pedagogia mundial, que acreditava que aprender e ensinar são processos dinâmicos ativos e interativos e que si dá não apenas pela transferência de conhecimento, mas definitivamente pela possibilidades para criar sua produção.

A grande emblemática do primeiro ator ou o discurso da educação para todos, que os governos defendem, em nenhum momento colocou que essa educação deva ser de qualidade para todos, é desejo desse ator se servir apenas de dados quantitativos, imprimindo assim um ritmo na produção, tão qual o modelo capitalista arraigado dentro das grandes industrias, uma especie de Taylorismo (sistema que objetivava o aumento da eficiência em nível operacional nas indústrias) aplicado na educação, tornando os diretores gestores com alto poder repressivo, possibilitando assim a invasão da lógica na produção de mercadorias, organizando assim o nosso trabalho como na indústria. Admitindo isso logo descobrimos que nós professores aqui preconizados como segundo ator somos trabalhadores, e trabalhadores que produzem algo muito especial que é uma das grandes molas percursoras do capitalismo, sendo talvez a única que tem propriedade de criar valor ou a mais-valia: A força de trabalho, da qual somos responsáveis em produzir tornando dessa maneira um sistema de ensino reprodutor das exigências do mercado de trabalho, como exemplificado por uma escola particular e bem tradicional aqui de Campo Grande que de algum tempo para cá adotou vários cursos profissionalizantes de alta procura no mercado como um dos seus carro chefe.

Nós professores das escolas públicas na verdade somos trabalhadores produtivos (proletários) embora que em termos jurídicos o nosso empregador seja o Estado, e este como já colocado aqui como fazendo parte do aparelho que valoriza o capital estando composto diretamente nos vários ciclos de produção e reprodução do valor, valor este que o aluno não conseguiu adquirir para a construção de uma identidade única, que representasse algo além do que apenas uma colocação no mercado de trabalho, nesta perspectiva tanto a escola como o professor deve repensar suas ideias práticas e ações que visem uma mudança comportamental, no processo de ensino aprendizagem, pois o atual, não satisfaz nem ao aluno e muito menos aos verdadeiros educadores que tem compromisso com a educação, para nossa classe fica a seguinte pergunta porque somos tão marginalizados dentro do mercado de trabalho?, e uma das respostas pode estar exatamente na falta de união da classe, como um todo.

Os próprios professores efetivos olham os temporários de cima para baixo e muitas vezes não se misturam, essa mesma clivagem ocorre com os recém formados dando impressão que existe ali alguém que esteja querendo tomar o lugar do outro, grande parte dos professores da rede pública e até mesmo de escolas particulares se intitulam como fazendo parte da “classe média” classe essa internalizada e criada pela lógica capitalista para compor uma porção de pessoas que vivem as custas de um certo consumo de bens sustentado no sistema de crédito, que reflete há pouca adesão quando nas greves, pois estão endividados.

Entretanto outra grande parte procura os sindicatos todos os dias para resolver problemas individuais, enxergando nestas entidades de classe empresas prestadoras de serviço e que contribuem para torna-los trampolim de carreiras eleitorais com ações assistencialistas, sendo assim ao longo do tempo este perdeu o seu principal propósito. Existem ainda outros atores envolvidos neste caótico processo “comercial” da educação engendrando forças ao capitalismo e que em outro momento serão levantados para que de alguma forma contribuam em nossa investigação, que os questionamentos abordados aqui sirvam para gerar debate de ideias, e uma profunda reflexão, a cerca do problema evidenciado na pesquisa da FGV certamente com a recomposição de toda comunidade e da classe trabalhadora será possível criar um projeto de educação, que vá ao encontro, para tornar a escola uma via de mão dupla, mais atrativa e menos “comercial”.

Henrique Mamede Abrão É Geógrafo graduado pela Universidade Federal do Mato Grosso e Mestrando em educação pela UFMS.

Colaboração de Henrique Mamede Abrão

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