Queria voltar a tema recorrente neste espaço, além é claro do glorioso Ocara e súdita e súditos (ambos os gêneros para satisfazer aos politicamente corretos). Tratarei da educação sob o ponto de vista das classes abastadas ou pelos contrastes entre os modelos de escola. O Apartheid educacional.

Grosso modo, passa-se a impressão que a rede privada é diferente da escola pública de ensino. estadual e municipal Façamos o seguinte, a partir dos problemas renitentes, comentaremos os fatos. Como trabalhei (trabalho) em ambos estabelecimentos dito educacionais não terei dificuldade em legitimar os dados expostos.

O menos favorecido vai à instituição pública “fugir” quase sempre dos problemas de sua família, do seu bairro, da violência, por não “poder pagar a uma escola melhor” ou simplesmente por conta da merenda - a fome de conhecimento perde espaço para inaceitável situação social. Já os pais riquinhos matriculam os filhos em instituições que geram repercussão social: “Fulaninho, teu filho estuda onde? Ah, aquele colégio é muito bom e caro…” enfim, os filhos estão a serviço da hipocrisia, da idiotice, sendo apenas moeda da vaidade de alguns tolos a quem a vida só mascarou a superficialidade de suas concepções morais. Recalques insuperáveis, mesmo com a conta do analista chegando no final do mês. Analista também é chique e existem os que estão na moda.

Ao pobre cabe um excessivo esforço de aprendizagem para temas, às vezes, complexos, reflexivos e em turmas com pelo menos 60 colegas abarrotados em salas quentes, sujas e sem a menor capacidade de suscitar interesse pelo convívio com as letras e os números. A fome, a dor, a humilhação, o desamor, a falta de perspectiva caminha de mãos dadas com a falta de estrutura física dos colégios, do engenho psíquico e da precária formação dos professores maltrapilhos, comumente estes também de desprezível saber - caíram nas malhas da licenciatura por falta de outra oportunidade na vida. Os alunos que saem pela porta da frente, vindo da escola pública, estão firmemente com os pés fincados nos preceitos ligados à eficácia humana: trabalho, reflexão e suor. Ao contrário do que é passado pelas propagandas eleitorais e pelos piegas programas televisivos do tipo “soupobrinhoedeicerto”, não são poucos os que se sobressaem pela via do vigor da alma.

No caso da instituição privada de ensino, mesmo em espaços climatizadas, com aparatos tecnológicos de última geração e com todo conforto, os estudantes também estão apinhados em salas que, na verdade, servem apenas para conter, reter e não para educar. Deixa-se claro que essa clientela já tem futuro garantido, não precisam de esforço. Estão na melhor escola, no judô, no inglês, espanhol, na dança de salão, no Jiu Jitsu, nas aulas de apoio como numa contemplação passiva. “meu filho, tem todo o tempo preenchido” diz aqulela mãe, feliz pela simplicidade que é criar um filho no mundo das aulas e dos esportes. São os filhos da geração “sabemqueméomeupai?”. Fazem parte do futuro do Brasil que aparecem nos encontros da fina flor da sociedade como: “ah, meu filho só tira dez! A professora me disse que ele sabe tudo. Recebeu até um prêmio com troféu e tudo…” É a representação do absurdo da educação que não educa, apenas transfere status. Transfere como um investimento no qual o lucro cabe ao investidor (pais). Os filhos são os produtos. Não dá para esquecer que alguns cursos não tratam mais de mensalidade e sim de ‘investimento”. Nada mais claro…

Para finalizar, entendo a educação (Fundamental, principalmente) como tripê escola-família-comprometimento, na escola pública não temos nenhum desses pés funcionando como seria aceitável. Falta principalmente o arcabouço, a base familiar que nos encaminha durante os nossos períodos de formação intelectual e psicológica. Os outros pilares já foram tratados anteriormente. Nos colégios dos endieirados temos algo bem parecido a um circo de horrores. Os professores são malabaristas e comumente também palhaços encenando a grotesca peça para a qual são pagos (normalmente bem mal pagos, os calabocas). A família também não dá as caras, a não ser quando a mãe vem perguntar o motivo pelo qual o seu filhotinho (o santo) foi destratado pelo professor Sicrano ou porque a nota do filhinho foi tão baixa: “o professor não está vendo isso!” pergunta a mainha indignada ao diretor, pois, já pulou a coordenação pedagógica que na sua visão não pode resolver a situação, o poder indica que somente o docente sendo demitido será apazinhago os ânimos da progenitora, elas “podem”…Respondendo diretamenta a ela:

Madame, somos todos cegos, a serviço da Educação faz-de-conta dos Bacanas…