Poesias dispersas - UM NOME [80]

No álbum da Exma. Sra. D. Luísa Amat

Dormi ébrio no seio do infinito

Ao fogo da ilusão que me consome;

A lira tateei na treva... embalde!

Nem uma palma coroou meu nome!

Os meus cantos morrerão no deserto,

Quebrou-me as notas um noturno vento,

E o nome que eu quisera erguer tão alto

No abismo há de cair do esquecimento.

Sou bem moço, e talvez uma esperança

Pudesse ainda me despir do lodo;

E ao sol ardente de um porvir de glórias

Engrandecer, purificar-me todo.

Talvez, mas esta sede era tamanha!

E agora o desespero entrou-me n'alma;

A brisa de verão queimou-me passando

A jovem rama da nascente palma!

E esse nome, esse nome que eu quisera

Erguer como um troféu, tornou-se em cruz;

Não cabe aqui, senhora, em vosso livro.

Pobre como é de glórias e de luz.

Mas se não tem as palmas que esperava.

Filho da sombra, em jogo de ilusões.

Vossa bondade, a unção das almas puras,

Há de dar-lhe a palavra dos perdões!

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