Poesias dispersas - PARÓDIA [45]

Se eu fora poeta de um estro abrasado

Quisera teu lindo semblante cantar;

Gemer eu quisera bem junto a teu lado,

Se eu fora uma onda serena do mar;

Se eu fora uma rosa de prado relvoso,

Quisera essa coma, meu anjo, adornar;

Se eu fora um anjinho de rosto formoso

Contigo quisera no espaço voar;

Se eu fora um astro no céu engastado

Meu brilho, quisera p’ra ti só brilhar;

Se eu fora um favônio de aromas pejado

Por sobre teu corpo me iria espraiar;

Se eu fora das selvas um’ave ligeira

Meus cantos quisera p’ra ti só trinar;

Se eu fora um eco de nota fagueira

Fizera teu canto no céu ressoar;

Mas eu não sou astro, poeta, ou anjinho,

Nem eco, favônio, nem onda do mar;

Nem rosa do prado, ou ave ligeira;

Sou triste que a vida consiste em te amar.

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