Poesias dispersas - O MEU VIVER [54]

Chama-se a vida a um martírio certo

Em que a alma vive se morrer não pode,

É crer que há vida p'ra o arbusto seco,

Que as folhas todas para o chão sacode.

Dizer que eu vivo... e minha mãe perdi,

Minha alma geme e o coração de amores,

É crer que um filho, sem a mãe... sozinho,

Também existe, com pungentes dores.

Dizer que vivo, se ausente existo

Da amante terna, tão formosa e pura,

E crer que triste desgraçado preso

Vive também lá na masmorra escura.

Quero despir-me desta vida má,

Quero ir viver com minha mãe nos céus,

Quero ir cantar os meus amores todos,

Quero depois em ti pensar, meu Deus!

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