Poesias dispersas - MEUS VERSOS [83]

Quando nas noites de luar de outono

Pendem as flores que a manhã crestara

E a chuva desbotou,

Que mão piedosa ergueu-as do abandono...

E cuidadosa no seio as orvalhara?

Que sorrindo as beijou?

Elas morrem ali tristes, sozinhas,

E se desfolham no correr do rio...

Deus sabe onde elas vão!

Assim morrem ao sol as andorinhas,

Assim o inseto se desmaia ao frio,

E assim meus versos são!

Pobres canções que eu entoara a custo,

E modulei nas harpas dos amores

Que ornara um querubim.

Foram as vibrações de um sonho augusto;

Da minha fronte as suspiradas flores

Não mas dera o jardim.

E contudo eu ainda as esperava,

Como à porta do Céu a mãe cuidosa

Um filho que há de vir.

E o jardim não mas dera; eu mal cuidava

Que vinha no embrião da flor mimosa

Um áspide dormir.

Acordei! Esqueci-me dessas flores

E vou cantando sem sonhar venturas

Já sem ilusão.

Deixo aqui minha lenda dos amores

Urna singela de esperanças puras,

E muita aspiração.

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