Poesias dispersas - A AUGUSTA [15]

1859

Em teu caminho tropeçaste — agora!

Cala esse pranto, minha pobre flor.

Caída mesmo — tropeçando embora,

Conserva a alma um último pudor.

Deve ser grande esse martírio lento...

Já nos espinhos a minha alma pus;

Sou como um Cireneu do sofrimento;

Deixa-me ao menos carregar-te a cruz.

Eu sei medir as lágrimas vertidas

Na sombra e só sem uma mão sequer!

Vês tu as minhas pálpebras doridas?

Têm chorado talvez por ti, mulher!

É fraqueza chorar? chorei contigo;

Que a mesma nos banhou de luz

Como em mim um pesar profundo e antigo

No falar dessa fronte se traduz!

Sei como custa desfolhar um riso

Em face às turbas, que o senti por mim,

Ver o inferno e falar do paraíso,

Sentir os golpes e abraçar Caim!

Chorei, que prantos! Prometeu atado

Ao rochedo da vida e sem porvir!

Poeta neste século infamado

Que mata as almas e condena a rir.

Cansei, perdi aquela fé robusta

Que como a ti, nos sonhos me sorriu;

Na identidade do calvário, Augusta,

Bem vês como o destino nos mentiu!

Ergue-te pois! A redenção agora

Dá-te mais viço, minha pobre flor!

Se tropeçaste no caminho embora!

Na tua queda é-te bordão — o amor!

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Troca de Links - Parceiros RSS Search Site no Esquillo Directorio Twingly BlogRank Teaching Blog Directory GoLedy.com Divulgue seu blog! Blogalaxia BRDTracker Directory of Education/Research Blogs Top Academics blogs Education and Training Blogs - BlogCatalog Blog Directory blog directory Blog Search: The Source for Blogs Submit Your Site To The Web's Top 50 Search Engines for Free! Sonic Run: Internet Search Engine Estou no Blog.com.pt
http://rpc.twingly.com/

  ©Trabalhos Feitos / Trabalhos Prontos - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo