Gazeta de Holanda - N.° 44

18 DE JANEIRO DE 1888.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Para quem gosta de sangue...

Peço à leitora querida

Não desmaie nem se zangue;

Não venho arrancar-lhe a vida.

A gente pode, em conversa,

Dizer alguns nomes duros,

Não por índole perversa,

Nem maus costumes impuros.

Se achar algum dito horrendo,

Não desmaie nem se zangue...

Porém, como ia dizendo,

Para quem gosta de sangue,

Houve-o em Moura, S. Fidélis,

Grajaú, Piracicaba;

Esfriam muitas peles

Na própria grave Uberaba.

Ali, fogueira queimando,

Muito antes de Santo Antônio,

Cará de gosto execrando

Para a boca do demônio.

Mais longe, uma catequese;

Mais perto, uns tiros trocados...

Quem souber rezar que reze

Por alma de tais finados.

Eu, de todas essas cenas

Que acaso coincidiram,

E que outras melhores penas,

Em prosa, já referiram,

Confesso que a de Uberaba

Vale mais que outra nenhuma;

Tem luz que se não acaba,

Ensina e conforta, em suma.

Note-se que lá não houve

Sangue propriamente dito,

Omissão que é bom se louve

Em vista de outro conflito.

E por quê? Porque um Sampaio

Que, pelo nome não perca,

Para copiar o raio,

Que voa, mas não alterca,

Logo que viu a gente armada

Vociferando nas ruas,

Disposta, pronta, assentando

A ir a cenas mais cruas,

Bradar que ou lhe tiraria,

Sem compaixão a existência,

Ou ele a favorecia

Nada mais que com a ausência,

Ele, coronel e cabo

De partido, achou cabido

Não afrontar o diabo

Na gente do outro partido.

Saiu; logo a gente amiga

Para trazê-lo de novo,

Cuidou de uma vasta liga

E andou ajuntando povo.

De modo que, se lá volta,

Havia provavelmente

Nova e sangrenta revolta,

Em que morreria gente.

Poupou-se uma cena crua;

Sampaio ficou de fora.

Tem casa ali, casa sua;

Morava; já lá não mora.

Porém onde a luz do caso?

Que há aí que conforte e ensine?

Escute, ou vai tudo raso,

Depois de escutar, opine.

A luz é que tem Sampaio,

Com a maior segurança,

Nas mãos um futuro ensaio

De desforra e de vingança.

Ponha-se de lá à espreita

De ocasião valiosa,

E vá com a sua seita

Contra o Borges, contra a Rosa,

Contra o Marques e os capangas

Ponha-os fora da cidade,

E entre vivas e charangas

Fique em paz e em liberdade.

Virá dia em que eles troquem

As bolas contra Sampaio,

E a toque de caixa o toquem

Nas asas de novo raio.

Fuja então; de novo espreite,

E a murro e a tiro os disperse,

Tranqüilamente se deite

E alegremente converse.

E assim, aumentando a soma

Das proscrições alternadas,

Uberaba será Roma,

Ambas imortalizadas.

Ora Mário, agora Sila,

Um de dentro, outro de fora,

Ante-fila ou serra-fila,

Ora Sila, Mário agora.

E não haverá na vida,

Na vida em que tudo acaba,

Cousa mais apetecida

Que ir viver para Uberaba.

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