Gazeta de Holanda - N.° 42

28 DE DEZEMBRO DE 1877.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Eu cá, quando toda a gente

Chora ou treme de assustada,

Tenho um desejo veemente

De dar uma gargalhada.

E a razão, — se há razão nisto,

Não é senão porque é útil

Fazer deste mundo um misto

De terrífico e de fútil.

Outrora o teatro dava,

Ao riso afrouxando a rédea,

Depois de uma peça brava,

Uma farsa, uma comédia.

Acabado o Aristodemo,

Vinha uma ária do Martinho;

Ao fel que chorava o demo,

Ao fel que sucedia o vinho.

Eu não, eu misturo tudo,

De modo que cada grito,

Angustioso ou sanhudo,

Não nos traga um faniquito.

Ou então uso o contrário;

Quando é geral alegria

Solto o verbo funerário

E misturo a noite e o dia.

Para não irmos mais longe,

Ninguém dirá que passamos

Uma existência de monge,

Que rezamos, que choramos.

Antes vejo anunciados

Bailes de vários feitios,

Teatros abarrotados

De cristãos e de gentios.

Malgrado o sol e a poeira,

Corridas de bons cavalos;

Toda uma cidade inteira

Brincando sem intervalos.

Pois é justamente agora

Que eu, por integrar a vida,

Deito a vista para fora,

Desordenada, insofrida.

E, ao ver do lado do norte

Aquele pobre diabo

Que encontrou comprida morte

Onde torce a porca o rabo;

Que foi com rara presteza,

Agarrado, arrebatado,

E com toda a ira acesa,

Crucificado e esfolado;

Vingando a sorte, vingando

Aquela porca mesquinha

Que, em suas roças entrando,

Foi morta e não foi rainha;

E, ao lado do sul, a dama

Que à preta engolir fazia,

Não garoupa sem escama,

Nem doce, nem malvasia;

Mas comidas singulares,

Não feitas por encomenda,

E a beber com tais manjares

Vinho de outra pipa horrenda;

E se a boca recusava

O petisco enjoativo,

Tição aceso lhe dava

Novo e forte aperitivo;

Sem contar a bordoada,

Que as rijas carnes alanha,

E era a música obrigada

Daquela ceiata estranha;

Às pressas trago estas duras

Histórias com que tempero

As folias e aventuras,

E ato ao jovial o fero,

Para que, quando tomarmos

No Pascoal alguma cousa,

Ou algum colar mirarmos

Na loja do V. de Souza.

Digamos: — P’ra lá, menina,

Menina in-oitavo, in-fólio,

Dá cá tua mão divina

Ao teu amador Malvólio.

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