Gazeta de Holanda - N.° 40

14 DE DEZEMBRO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Por Júpiter! Cobre o rosto.

Risonha Hélade amiga,

Cobre-o de pejo e desgosto;

Chora a tua graça antiga.

Lembras-te daqueles tempos,

— Da galante mocidade,

Em que eram teus passatempos

Grave e fina agilidade?

Em que as tuas formas belas

Mostravam-se aos olhos puros,

Tempos quase sem mazelas,

Quase sem dias escuros?

Então floresciam jogos

De toda casta e destino,

E coros cheios de rogos

Ao céu e ao povo divino.

não falo dos famosos

Jogos de corridas — quando

Voavam carros briosos

Pelo solo venerando.

Falo (e serve ao que ora trato)

Falo daquelas usanças

Em que vinha o pugilato

Entre cantigas e danças.

Seguramente que havia

Pancada — porém pancada

De valor e bizarria

Por uma cousa sagrada.

Eram modos e maneiras

De lutar de língua e punho,

Traziam tantas canseiras,

Grécia, o teu amável cunho.

E agora, ai, chora pitanga!

Pitanga é fruta moderna,

Mas a qualquer mágoa ou zanga

Qualquer fruta é fruta eterna.

Contudo, se não te agrada,

Chora aquele mel do Himeto,

Que inda agora a abelha amada

Verte ao comum e ao seleto.

Chora o que for, chora, chora...

Vês este grego, chamado

Manuel Rottas, que aqui mora?

Foi há pouco encarcerado.

Que pensas tu que fazia

Este filho tão malandro,

Em cujas veias podia

Correr sangue de Lisandro?

Ouve... fecha os olhos... Cobre

O belo rosto, faceira;

Não há cautela que sobre...

Rotas era capoeira.

Sim, capoeira, repito.

E cometia na praça

Das Marinhas o delito

De dar aos colegas caça.

Chamavam-lhe por gracejo

O grego das ostras, nome

Que em si mesmo não dá pejo,

Antes creio que dá fome.

Grego e capoeira! Ó manes

Dos seus avós acabados!

Ó recordações inanes

De outros tempos e outros lados!

Bem conheço que, assim como

Cada roca tem seu fuso,

Cada macieira seu pomo,

Tem cada terra seu uso.

Nem é o uso que me espanta

Espanta-me esse contraste

Da terra e da sua planta,

Da habitação e do traste.

Bem sei que a Grécia recente

É outra da Grécia antiga,

Mas no coração da gente

És a mesma, Hélade amiga.

E por mais que a razão pura

Mostres que ora estás mudada,

Espanta-me esta figura:

Rasteira, grego e facada.

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