Gazeta de Holanda - N.° 34

2 DE NOVEMBRO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Que fará, estando junto

Sócrates a um hotentote?

Falo de varão defunto,

Pode sair livre o mote...

E, antes de mais nada, digo

Que essa junção de pessoas

Vi hoje mesmo em artigo

Repleto de cousas boas.

O artigo é de sociedade

Espírita e brasileira;

Trata só da humanidade,

É divisa sua e inteira.

Que eu já sou meio espírita,

Não há negá-lo. Costumo

Pôr na cabeça uma fita,

Em vez do chapéu a prumo.

Chamo à vida uma grã bota

Calçada pelo diabo;

Quando escrevo alguma nota,

Principio e não acabo.

Dou o João, velho amigo,

Nascido em cinqüenta e sete;

E ele, quando isto lhe digo,

Todo se alegra e derrete.

E proclamam em recompensa,

Que sou de cinqüenta e cinco;

Rimo-nos em boa avença,

Do meu brinco e do seu brinco.

Aqui há poucas semanas,

Puxei fieira na rua,

E comi sete bananas

Com pimenta e linha crua.

José Telha, que no sótão

Sustenta os seus macaquinhos,

Crê que alguns deles se botam

Para a casa dos vizinhos.

Mas eu respondo-lhe a cada

Palavra com heroísmo,

Que o que parece pancada,

É simples espiritismo.

E, voltando à vaca fria,

Sócrates era um sujeito

De grande filosofia,

Alta mente, heróico peito.

O hotentote, — conquanto

Lembre uma Vênus famosa

Pelo volumoso encanto,

Mas tão pouco volumosa,

Comparada àquela raça,

Tão pouco, como seria

Uma uva a uma taça,

A laranja à melancia;

O hotentote, em bestunto,

É pouco mais que um cavalo,

Dê-se-lhe um simples assunto,

Mal poderá penetrá-lo.

Mas, sendo um e outro feitos

Pela mesma mão divina,

Força é que sejam perfeitos,

Di-lo a grande Espiritina.

Daí a necessidade

De andar a gente em charola,

Não de cidade em cidade,

Mas de uma bola a outra bola.

Morre aqui algum peralta,

Que furtou grandes dinheiros,

Ressurge em bola mais alta,

Entre os simples caloteiros.

Vai a outra, e paga em dia

Todas as dívidas suas;

Vai a outra, e principia

A dar esmolas nas ruas.

Vai a outra, e já suprime

As ruas; chega à perfeita

Máxima pura e sublime

De só saber a direita.

Sobe finalmente à esfera

Onde uma sociedade

De arcanjos lindos o espera,

E o conduz à eternidade.

Ali Sócrates jocundo

Receberá o hotentote,

E falarão deste mundo,

E glosarão este mote:

— Para que há de haver juízes

Em Berlim, ou em outra parte?

Têm aqui iguais narizes

O inocente e Malazarte.

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