Gazeta de Holanda - N.º 31

11 DE OUTUBRO DE 1887

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Na semana que lá foi,

Houve cousas do diabo,

Já de vaca, não de boi,

Já com rabo, já sem rabo.

Sem rabo o que apareceu,

Foi a grande tartaruga,

Que naufragou e morreu

Em praia onde o mar se aluga.

Espécie nada comum,

Foi logo classificada,

Sem nenhum erro, nenhum,

E está no Museu guardada.

Ora, é muito de saber

Que a bicha, ao pousar na praia,

Sorriu consigo de ver

Tanta senhora sem saia.

E consigo murmurou,

Porque é animal sabido,

Tanto que Deus lhe botou

Nome latino e comprido:

— “Mostra a gente ao pé do mar

O que numa sala esconde.

Tudo é conforme o lugar,

Preciso é saber aonde.

“E tais encantos em flor,

Que ninguém arrastaria

Pela rua do Ouvidor

De noite, e menos de dia,

“Aqui publicados são

Sem bulha, nem matinada,

Aos olhos do camarão

Que nada, e do que não nada.

“Pascal é que disse bem

Quando da justiça ria:

“Verdade aqui, erro além “.

Cabe o dito à rouparia.”

Com rabo, houve o edital

Da câmara, um documento

Que apareceu no Jornal

No mesmo dia e momento

Em que deviam abrir

As propostas que acudissem ...

Aos que ficaram a rir,

Bradaram que se não rissem.

Que o tenente-coronel

Presidente é que mandara

Compor aquele papel

Que a folha não publicara,

Conquanto a tempo o doutor

Secretário o remetesse...

Não sei se o comendador

Tesoureiro andou com esse.

Pode ser que o general

Procurador da fazenda,

Como é muito bom fiscal,

Não gostasse da encomenda.

Pode ser; mas pode ser

Também que o protonotário

Escrivão, em vez de ler

O Jornal, lesse o Diário.

Ora, em verdade, foi bom

O caso: fico inteirado

Que é de rigor e bom tom

Cargo com título ao lado.

E não escrever papel

Em que venha o presidente

Sem tenente-coronel,

Seria pouco e insolente.

Quanto ao que houve, não de boi,

Mas só de vaca, naquela

Semana que lá se foi,

Certo não foi bagatela.

Foi um projeto que quer

População vacinada,

Seja homem ou mulher,

Gente grande ou criançada.

E não mais se casará

Sem se provar que a menina

E o noivo tiveram já

Ultimamente vacina.

Mas, como falasse alguém

Na câmara contra isto,

Dizendo que a cousa tem

Pecha contra a lei de Cristo,

Responderam-lhe que sim,

Que os noivos terão dispensa

Bastará ao grande fim

Toda a mais lei, que é extensa.

Pois manda revacinar,

Além dos tenros infantes,

Soldados de terra e mar,

Funcionários e estudantes.

Mas por que se há de excluir

Desse dever mal cruento

Quem vai à gente pedir

Um lugar no parlamento?

Quero crer que as ambições

Hão de vir em grande malta,

Suprindo as vacinações

O mérito que lhes falta.

Dir-se-á de um legislador

Morto, que era homem honrado,

Bom caráter, bom senhor,

Modesto e revacinado.

E, pois que um caso esqueci

Da outra semana, digo

Muito à puridade aqui,

Que falta à lei outro artigo.

Falta artigo, pelo qual,

Em caso de desafio,

Pudesse um homem mortal

cortar à pendenga o fio.

Corta deste modo: ouvir

O outro, em lances extremos,

E responder-lhe a sorrir:

“Vacine-se e falaremos”.

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Troca de Links - Parceiros RSS Search Site no Esquillo Directorio Twingly BlogRank Teaching Blog Directory GoLedy.com Divulgue seu blog! Blogalaxia BRDTracker Directory of Education/Research Blogs Top Academics blogs Education and Training Blogs - BlogCatalog Blog Directory blog directory Blog Search: The Source for Blogs Submit Your Site To The Web's Top 50 Search Engines for Free! Sonic Run: Internet Search Engine Estou no Blog.com.pt
http://rpc.twingly.com/

  ©Trabalhos Feitos / Trabalhos Prontos - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo