Gazeta de Holanda - N.° 30

4 DE OUTUBRO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Há muito inglês já defunto,

Canning, Peel e consortes,

Que são o perpétuo assunto

Da eloqüência e seus transportes.

Cada ano que passa, deixa

Nos anais parlamentares,

Entre um ataque e uma queixa,

Esses nomes singulares.

Assim, posto que vivamos

À moda francesa, é certo

Que todos imaginamos

Estar dos ingleses perto.

Vede, por exemplo, os nomes

Dos que escrevem de política;

Não são Barros, não são Gomes,

Nomes de fama somítica.

Entre um Guizot e um Horácio,

Quantos Walpoles facundos!

Pobre Gália! Pobre Lácio!

Britânia é mundo entre mundos.

E, na verdade, a Inglaterra

Tem de sobra exemplos grandes

Para ensinar toda a terra,

Do Cáucaso até os Andes.

Hão de dizer, com justiça,

Que até aqui tenho usado

O latim da velha missa,

Já sabido e decorado.

Que sou vulgar como um bule

De botequim, — como um homem

Que, perdendo ontem na pule,

Narra as dores que o consomem;

Vulgar como um par de botas

Rotas e desengraxadas,

Vulgar como as quatro sotas,

Copas, ouro, paus e espadas.

Muito bem; mas, tendo em vista

Embora a vulgaridade

Procurar alguma pista,

Por onde ache a realidade,

Li agora um documento,

Circular de candidato,

Feita com discernimento,

Bom estilo, ameno e grato.

Tão grato, que pede o voto

Como um favor, e confessa

Que, vencido o terremoto,

Fará que jamais o esqueça.

Que seja novo não digo,

Nem novo, nem menos raro;

É costume um pouco antigo,

Vulgar, sem ofensa e caro.

Pois o eleitor, de outro lado,

Não faz favores à toa,

Quer ser mui cumprimentado

Em palavras e em pessoa.

Há tal que o votinho nega

A gente que o não visite,

Não que queira ver se emprega

Bem a cédula que emite,

Perguntando ao candidato

Qual a escola que mais usa,

Se a de um governo barato,

Se a do que gaste e produza;

Não, senhor; mas tão somente

Para ouvir cousinhas finas,

E mostrar a sua gente,

A esposa, a sogra e as meninas.

Ouvir que a filha terceira

Há de ser uma figura

Como a segunda e a primeira,

Modelos de formosura,

Ouvir um bom elogio

À laranjinha da casa;

Dar notícia de algum tio,

Que perdeu na ilha Rasa.

Ver que o candidato mira

De quando em quando a poltrona,

Em que se alarga e se estira,

Gesto de louvor que a abona.

Se há tais entre os eleitores,

E pedes, ó candidato,

Como o favor dos favores,

O voto, e lhes ficas grato,

Para que tantos ingleses,

Que dormem nas sepulturas,

Virem bailar tantas vezes

Nas nossas legislaturas?

Nacionalizemos isto.

Queres citar? Cita, cita

Nome cá nascido e visto.

Deixe o Pitt; cita o Pitta!

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