Gazeta de Holanda - N.° 29

27 DE SETEMBRO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

A semana que há passado...

Deixe leitor que me escuse,

E de um falar tão usado

Abuse também, abuse.

Há passado, hão carcomido...

Hão, hão, hão, hão posto em tudo,

Hão, hão, hão, hão recolhido...

Estilo de tartamudo.

Ai, gosto! ai, cultura! ai, gosto!

Demos um jeito e outro jeito:

Venha dispor e há disposto

Venha dispor e há desfeito.

Mas usar de uma maneira

Até reduzi-la ao fio,

Não é estilo, é canseira;

Não dá sabor, dá fastio.

Porém... Já me não recordo

Do que ia dizer. Diabo!

Naveguei para bombordo,

E fui esbarrar a um cabo.

Outro rumo... Ah! sim; falava

Da outra semana. Cheia

Esteve de gente escrava,

Desde o almoço até a ceia.

Projetos e mais projetos,

Planos atrás de outros planos,

Indiretos e diretos,

Dois anos ou cinco anos.

Fundo, depreciamento,

Liberdade nua e crua;

Era o assunto do momento,

No bond, em casa, na rua.

Pois se os próprios advogados

(E quem mais que eles?) tiveram

Debates acalorados

No Instituto, em que nos deram

Uma questão — se, fundado

Este regime presente,

Pode ser considerado

O escravo inda escravo ou gente.

Digo mal: — inda é cativo

Ou statu liber? Qual seja

Correu lá debate vivo,

Melhor dizemos peleja.

Mas peleja de armas finas,

Sem deixar ninguém molesto:

Nem facas, nem colubrinas,

Digesto contra Digesto.

Uns acham que é este o caso

Do statu liber. Havendo

Condição marcada ou prazo,

Não há mais o nome horrendo.

Outros, que não são sujeitos

Ferozes nem sanguinários,

Combatem esses efeitos

Com argumentos contrários.

Eu, que suponho acertado,

Sempre nos casos como esses,

Indagar do interessado

Onde acha os seus interesses,

Chamei cá do meu poleiro

Um preto que ia passando,

Carregando um tabuleiro,

Carregando e apregoando.

E disse-lhe: “Pai Silvério,

Guarda as alfaces e as couves;

Tenho negócio mais sério,

Quero que m'o expliques. Ouves?”

Contei-lhe em palavras lisas,

Quais as teses do Instituto,

Opiniões e divisas.

Que há de responder-me o bruto?

— “Meu senhor, eu, entra ano,

Sai ano, trabalho nisto;

Há muito senhor humano,

Mas o meu é nunca visto.

“Pancada, quando não vendo,

Pancada que dói, que arde;

Se vendo o que ando vendendo,

Pancada, por chegar tarde.

“Dia santo nem domingo

Não tenho. Comida pouca:

Pires de feijão, e um pingo

De café, que molha a boca.

“Por isso, digo ao perfeito

Instituto, grande e bravo:

Tu falou muito direito,

Tu tá livre, eu fico escravo “.

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