Gazeta de Holanda - N.° 28

20 DE SETEMBRO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Quando tudo em paz corria

Cai uma nuvem prenhada

De chuva e de ventania,

De saraiva e trovoada.

E cai lá naquela banda

Do paço dos senadores,

O melhor paço da Holanda,

Boa pedra, arminho e flores.

Inda se fosse no paço

Dos deputados, vá feito;

Embora sendo embaraço,

Caía no próprio leito.

Pois se este paço figura

Ao pé do velho senado,

Que afigura e transfigura,

Como ele, o que lhe é levado,

Certo é que é mais dada a zona

Aos temporais desabridos;

Quem lá vai mete-se em lona,

Oleado e outros tecidos.

Mas, no senado, em verdade,

Posto não seja o primeiro

Exemplo de tempestade,

Nem talvez o derradeiro,

Causa espanto, porque tudo

Parecia que ia andando,

Não inteiramente mudo,

Mas lentamente calando.

Vai então, como eu buscasse

Saber por algum amigo,

Maneira com que explicasse

Este singular perigo,

Achei um vizinho, um magro,

Um que não tem este olho;

Chamá-lo-ia Meleagro,

Di-lo-ia autor de algum molho,

Se não parecesse abuso

Esse recurso mofino,

Mofino, mas não escuso...

Os versos têm seu destino!

Tenho sido belo, às vezes,

Só por exigi-lo a rima;

Chama-se a um homem Menezes

Quando não passa de um Lima.

Mas, qualquer que seja o nome

Do vizinho consultado,

Fui lá p'ra matar a fome

E saí esfomeado.

Procurei-o, como disse,

E no meio da palestra

Aconteceu que surgisse

Uma questão grave e mestra:

Se o senado é que governa

Ou a câmara. O sujeito,

Querendo passar-me a perna,

Tira estas vozes do peito:

“— Dizem que a câmara baixa,

Conforme a prática inglesa,

Assim como tem a caixa

Da receita e da despesa,

“Rege a política, e forma

Os homens à sua imagem,

Que é essa a única norma

Da parlamentar viagem.

“Sendo, porém, cousa certa

Que os ingleses querem antes

Achar sempre a porta aberta.

Dos comuns representantes.

E comuns há que padecem,

Se a boa sorte lhes falta,

E após os pais que falecem

Vão para a câmara alta,

“Onde é menor o trabalho,

Sessões curtas, pouca vida,

Galho do poder, mas galho

De folha amarelecida;

“Cá buscamos o senado;

E se o que há mais forte e fino

Tem ali lugar marcado

É que ali mora o Destino”.

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