Gazeta de Holanda - N.° 27

13 DE SETEMBRO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Se Deus me dissesse um dia:

— Que desejas tu, Malvólio?

Castelos na Normandia?

Uma biblioteca in-fólio?

“Um punhado de brilhantes,

Grandes como ovos de pomba?

Um batalhão de elefantes,

Marfim puro e extensa tromba?

“Moças, com as quais cantasses

A vida, e pelo estio,

Cantigas velhas que achasses,

Como esta, no peito frio:

“Cajueiro pequenino,

“Carregadinho de flores

“Eu também sou pequenino,

“Carregadinho de amores.

“Ou tendo espíritos altos,

Ir correr desejarias

Perigos e sobressaltos

De Rússias e de Turquias,

“Pegando, com alma icária

E braços impacientes

A coroa da Bulgária,

E defendê-la das gentes?”

Responder-lhe-ia eu, contrito:

— Não desejo, ó verdadeiro

Deus grande, Deus infinito,

Ser castelão nem livreiro,

Nem ter pedras preciosas,

Nem legiões de tamanhas

Alimárias pavorosas,

Vindas de terras estranhas,

Nem bonitas raparigas

Com quem eu cantar pudera

Algumas velhas cantigas,

Cantigas de primavera,

Menos inda, muito menos,

Correr sem mais nada, à toa,

Pequeno entre os mais pequenos,

A apanhar uma coroa.

Não, o que eu quisera, ó divo

Senhor, que mandais a tudo,

O meu desejo mais vivo,

Que me corrói, longo e mudo,

Era entrar pela janela

Do senado... Olhai, não digo

Pela porta. A porta é bela,

Porém já não vai comigo.

A porta, traz como agora,

Obrigações superfinas;

Li-as em prosa canora,

Sobre as eleições de Minas.

A primeira é que resida

O candidato na terra,

Pois se acaso a própria vida

A outra terra o desterra,

Perca as tristes esperanças

De conservar eleitores.

Se há exemplos, são carranças,

Outra quadra, outros amores.

Olindas, Celsos, Correias,

Nabucos e Zacharias,

São estragadas candeias,

De outros homens e outros dias.

Agora, quanto à segunda

Obrigação do diabo,

É igualmente profunda...

Não se quer nenhum nababo,

Que ande assim, como um tesouro,

Em carruagens de prata,

Cavalos ferrados de ouro,

Um jantar em cada pata;

Mas se o candidato é pobre

E passa a vida lidada,

Não entra em funduras. Dobre,

Amigo, dobre a parada.

Ora, eu que há muito suspiro

Pelo senado, e aqui moro,

Lidando, que mal respiro,

Sem o vil metal que adoro,

Uma noite adormecia

Lendo alguma velha história

De Veneza ou da Turquia,

E acordava em plena glória,

Diante do presidente

Aparecia sentado.

Ai, Deus justo, ai, Deus clemente...

Janela... curul... senado...

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