Gazeta de Holanda - N.º 26

6 DE SETEMBRO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Eustáquio Primo de Seixas,

Morador em Santo Amaro

(Bahia), fez umas queixas

Sobre um caso duro e amaro.

Parece que um tal Francisco

De Paula Aragão e Souza,

Para reduzi-lo a cisco

E pôr-lhe em cima uma lousa,

Pegou de um revólver, obra

Bem feita, acabada,

Pior que dente de cobra,

Melhor que fio de espada;

E, indo ao sobredito Seixas,

Despejou-lhe, não a arma

Nem precisamente endechas,

Nem violetas de Parma,

Mas uma descompostura,

Como se diz vulgarmente,

Porque quando a gente cura

De falar mais finamente,

Diz torrentes de impropérios;

Tal foi o modo limado

Que, em seus artigos tão sérios,

Empregou este agravado.

Eustáquio estava na rua

Da Matriz — tão concorrida

De gente, que viu a sua

Pessoa assim ofendida.

De tais injúrias e acintes

Ouviu metade calado,

Até que, em tantos ouvintes,

Um houve, mais animado,

Que pôde dar escapula

Ao que ouvia tanta cousa,

Mas o diabo que açula

A alma a Aragão e Souza,

Faz com que lhe não estaque

A torrente de impropérios,

Sotaque sobre sotaque,

Ditérios sobre ditérios.

Já que em casa recolhido

Eustáquio, vai muita gente

Pôr-se ao lado do ofendido

Contra aquele ato insolente.

Vai mais; vai gente inimiga;

Vai mais; vai o próprio Souza

Pedir-lhe que o não persiga;

Que lhe perdoe tanta cousa.

Responde-lhe Seixas: “Pronto

Estou a dar-lhe o que pede,

Mas só quero um ponto, um ponto,

E cederei se me cede.

“Peço-lhe que se retrate

Das injúrias que me há dito...”

Aragão, dado ao combate,

Repete, e repete escrito

Todas as injúrias feitas...

Aqui, meu leitor amigo,

Tu que buscas, tu que espreitas

Achar sentido ao que digo,

Não decifrando a charada,

Perguntas naturalmente:

“Que tenho eu com isso?” — “Nada,

Respondo-te eu; e a Regente?”

Porque o mais rico da cousa

E' que o tal Eustáquio Seixas,

Contra o Aragão e Souza,

Trouxe à imprensa as suas queixas,

Escrevendo: “À Sereníssima

Princesa Regente”. Ó dura

Condição triste e tristíssima,

Que mal sei como se atura!

Governar para ler estas

E outras ridiculezas...

Ó sorte das régias testas!

Ó destino de princesas!

Que um homem em Santo Amaro,

Ouvindo duas graçolas

(Caso antes comum que raro)

Toque no chapéu de molas,

Enfie a casaca, e calce

As botas envernizadas,

E, todo flor e realce,

Suba as imperiais escadas,

Para contar uma cousa

Que se conta ao delegado

Isto é, que Aragão e Souza

É pouco morigerado,

Palavra que desanima

De ocupar na terra um sólio:

Antes governar a rima,

Bem ou mal como o Malvólio.

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