Gazeta de Holanda - N.° 24

23 DE AGOSTO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Anda-se isto a desfiar:

Quem será o responsável

Dos atos que praticar

O poder irresponsável?

Há várias opiniões

Sobre esta questão pendente;

Contradizem-se as razões,

Um afirma, outro desmente.

Vão aos livros e aos Anais

Buscar uma extensa lista

De palavras textuais

Deste ou daquele estadista.

Nem só nacionais, também

Surgem nomes estrangeiros,

Nomes ilustres, que têm

Merecidos pregoeiros.

Um deles foi o senhor

Benjamin Constant, pessoa

Que o poder moderado

Criou e deu à coroa.

Foi ele, em escrito seu,

Que à constituição brasília,

Sem saber, o artigo deu

Que pôs a toda família

Dos poderes, um poder

Que a regesse e moderasse...

Outros porfiam em ver

O caso por outra face.

E tu, Benjamin, fatal,

Grande amador de pequenas,

Tu, morto, tu, imortal,

Lá das regiões serenas,

Que pensas, que pensas tu

Nesta questão, obra tua?

Tira do espírito nu

Opinião crua e nua,

Põe-lhe sobrescrito a mim,

Se achas melhor escrevê-la;

Ou brada-m'a, Benjamin,

Que eu poderei entendê-la.

E logo uma bela voz

Me entrou pelo gabinete,

Fininha como um retrós,

Viva como um diabrete.

E disse: — “Queres saber

O que nesta causa penso?

Qual o meu modo de ver?

A que partido pertenço?

“Se acho que o moderador,

Nos atos em que modera,

Tem ou não algum senhor

Que responde e o desonera?

“Se o poder, a quem chamei

Neutro, pode, irresponsável,

Ter por isso mesmo em lei

Um ministro responsável?...”

“ — Sim, despacha, respondi

Já zangado e impaciente.

— “Di-lo-ei a ti, a ti;

Se queres, di-lo a mais gente.

“Não verás em mim a flor

Da modéstia, planta rara,

Responderei com rigor,

Certeza e palavra clara.

“Digo que gostei de ouvir

Idéias finas e tantas,

Gostei de as ver discutir

Leão, Cotegipe e Dantas.

“Mas, com franqueza, eu deitei

Tudo ao mar, nesta viagem.

Só uma cousa guardei

E trago-a cá na bagagem.

“Não que julgue sem valor

Outras páginas escritas

Ou faladas, não, senhor;

São puras e são bonitas.

“Foram feitas ao buril,

Pensadas e bem pensadas.

Deixei-as às mil e às mil,

Por esse mundo espalhadas.

“Mas agora que aqui estou,

Livre de ruins cuidados,

Digo: o melhor que ficou

Dos escritos lá deixados

“Foi... palavra que não sei,

Não sei bem como me exprima:

Foi um livrinho de lei,

Uma jóia, uma obra-prima,

Um livro, um livrinho só,

Que entre os escritos passados,

Resiste ao mórbido pó —

Dos anos empoeirados.

“Custa-me dizê-lo, crê:

Um romance, e pequenino;

Relê, amigo, relê

O meu Adolpho; é divino.

“Do mais tanto cuido aqui

Como daquela camisa,

A primeira que vesti...

Diz a rima que era lisa”.

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