Gazeta de Holanda - N.° 19

12 DE JUNHO DE 1887.

Voilà ce que l’on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Parece que há divergências

Entre câmara e senado;

Comparam-se as influências,

Fala-se em patriciado.

Soube disso ultimamente

Pelas folhas... Pelas folhas

Sabe tudo toda a gente,

Votos, lãs, óbitos, rolhas.

E, antes de ir ao parlamento,

Direi que soube por elas

Negócio de algum momento,

De varões e moças belas.

Li que uma sociedade,

Sociedade Protetora

Dos Animais da cidade

(Ó minha Nossa Senhora!)

Ia dissolver-se, e dava

A razão do ato; era, em suma,

Que nenhum esteio achava

Nas leis nem em parte alguma.

Ora, eu que me ri, há meses,

De vê-la, toda capricho,

Falar de si muitas vezes

E mui rara vez de um bicho,

Injusto fui. Ora o vejo,

E confesso os meus remorsos.

Não fiz justiça ao desejo

Dela nem aos seus esforços,

Nem também principalmente

À sua audácia provada

De falar do bruto à gente,

Sem ser para bordoada.

Cuidar de cães... Ter piedade

De um triste e magro orelhudo,

Que arrasta pela cidade

Carroça, este mundo e tudo;

Isto a sério, isto sem medo

Do riso de outras pessoas;

Fazer disto ofício ledo,

Pôr isto entre as ações boas;

Quando é certo que cachorro,

Nem burro, cavalo ou gato,

Não sabem de tal socorro,

Nem dão charanga ou retrato;

Trabalhar sem recompensa

Imediata e tangível,

Não é de gente que pensa,

É maluquice visível.

Entretanto, a sociedade,

Depois de pensar uns dias,

Fica, e não se persuade

Que entra em baldadas porfias.

Baldadas e generosas...

Fique-lhe este prêmio, ao menos:

Espalha as mãos dadivosas

Aos pequenos mais pequenos.

Mas, voltando à vaca fria:

Li que a câmara conhece

No senado a primazia,

E se dói, e se aborrece.

Não tédio em dar, a ponto

De brigar abertamente;

Faz com tristeza o confronto

Sem magoar a outra gente.

Quando muito, ouve calada,

Alguma palavra nua,

E confessa encalistrada

Que ou cede ou vai para a rua.

Busca-se agora um remédio,

Alguma cousa que faça

Cessar esse amargo tédio...

Aqui lh'o trago de graça.

Deu-m'o um espírito agudo,

Que também é deputado,

Varão conspícuo e sisudo,

Não sei se desanimado.

Droga fácil e sumária,

Que não traz dor, mas delícia;

É fazer da temporária

Uma cousa vitalícia.

Então, sim; iguais as damas,

Serão iguais os vestidos,

Iguais as perpétuas chamas

Nos peitos endurecidos.

Não respondi à pessoa

Que isto me dizia, nada;

Se a idéia é ruim ou boa,

Aí a deixo estampada.

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