Gazeta de Holanda - N.º 17

6 DE ABRIL DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Temos nova passarola,

De grandes asas escuras,

Mexidas por certa mola

Que dá sono às criaturas.

Chama-se — não sei maneira

De pôr este nome em verso...

Palavra, é grande canseira,

Tão duro é ele e reverso.

Deito sílabas de lado,

De outro sílabas arranco,

Trabalho desesperado

E fica o papel em branco.

Vá lá: medicina hipnótica,

Custou, mas saiu... Parece

A cousa um tanto estrambótica,

E mais se a gente adoece.

Notem bem — é medicina,

Posto a sugestão opere;

Cá o meu bestunto opina

Que um nome de outro difere.

Há em sugestão um jeito

Teórico feio, enigmático;

Mas medicina é perfeito,

Perfeito, rápido e prático.

Quando aqui há poucos anos,

Já me não lembra em que dia,

Deu entrada entre os humanos

A exata dosimetria,

Disse eu: “Invenção potente!

Perfeição do formulário!

Consolação do doente!

Fortuna do boticário!”

Mas daí a pouco ouvia

(Outro inimigo da métrica)

Em vez de dosimetria,

Medicina dosimétrica.

E isso que cuidava que era

Farmácia, era uma doutrina.

Uma escola em primavera

Contra a velha medicina.

Não digo que o sugestivo

Hipnotismo também seja

Ária sobre outro motivo,

Nem igreja contra igreja.

Digo... Não sei como diga...

Não sei como diga... Ai, musa

Do diabo e de uma figa!

Você ri! você abusa!

Digo (vá) digo que, quando

Cuidava que esta matéria,

Da qual não estou mofando,

Que é séria, três vezes séria,

Não pelas razões do grave

Apóstolo, que cogita

Não fazer dela uma chave

P'ra prender moça bonita;

Como se amor não tivesse

Outra sugestão nativa,

Que, quando menos parece,

Faz arder o esquivo e a esquiva.

Quando (como ia dizendo)

Supunha que a academia,

Por sua vez, lendo e vendo,

Ia explicar a teoria;

Que visse os graves problemas

Envoltos na descoberta,

E como antigos sistemas

Passam a questão aberta;

Que, como órgão da ciência,

Examinasse, estudasse

A vontade e a consciência

Pela novíssima face;

Que visse como a pessoa

Humana se multiplica,

Vai a Túnis e a Lisboa,

E cá reside, e cá fica;

Em vez disso,a academia

Dá-lhe duas passadelas

De escova, e manda a teoria

Curar as nossas mazelas.

Isto é que me põe os braços

Caídos, e a boca aberta...

E já daqui vejo os passos

Desta nova descoberta.

Atrás dos homens sabidos

Virão os que nada sabem,

E gritarão desabridos

Até que os astros desabem.

Chegaremos aos cartazes

E aos anúncios de vinhetas,

Pílulas Holloway capazes

De dar beleza às caretas.

Ora, há trinta anos havia

Xarope que se chamava

Do Bosque, e tanto valia,

Que tudo e algo mais curava.

Hoje, esse licor exótico

Não tem uso, interno ou externo ...

Receio que o sono hipnótico

Chegue a tudo... e ao sono eterno.

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