Gazeta de Holanda - N.° 13

24 DE FEVEREIRO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande

Há tanto tempo calado...

E sabem por quê? Por isto:

Pelo número fadado

Da ceia de Jesus Cristo.

Número treze. Com esta

São treze as minhas Gazetas.

Numeração mui funesta,

Cheira a cova e a calças pretas.

Há, porém, quem afiance

Que treze é dúzia de frade.

É opinião de alcance,

Que anima e que persuade.

Contudo, em uma pessoa

Sendo supersticiosa,

Antes que na cousa boa,

Crê na cousa perigosa.

Daí veio esta comprida

Vadiação; era medo,

Medo de perder a vida

Cedo, mais que nunca cedo.

Lembra-me inda certo dia,

Quando eu tinha treze anos;

Jantamos em companhia

Treze rapazes maganos.

Um acabou reprovado

Na Escola de medicina;

Outro está bem mal casado;

Outro teve pior sina.

Pior, digo, e em muitos pontos;

Geria a casa dos Bentos;

Fugiu, levando dez contos,

Em vez de levar quinhentos.

Outro é político, e anda,

Ora triste, ora sinistro;

Dizem-me que ele tresanda

Vontade de ser ministro.

Em dia de crise, voa

A meter-se em casa, à espera

De alguma notícia boa;

Espera que desespera.

Só sai quando o gabinete

Fica de todo formado,

E jura pelo cacete

Que há de pô-lo derreado.

Bufa, espuma. Abrem-se as câmaras,

E o meu companheiro e amigo

Aguarda o tempo das tâmaras,

E torna ao seu voto antigo.

Outro daqueles rapazes

Procura sinceramente

Entre os meios mais capazes

De encher a barriga à gente.

Um que seja imediato

E de graúdas prebendas,

Ou testamento, ou barato...

não há pr'as encomendas!

por mim, tive um inchaço

Na perna esquerda; diziam

Que essa doença era andaço,

E até que muitos morriam.

Sarei; mas foi sobre queda

Couce. A morte tão sombria.

Que tantas casas depreda,

Poupou-me para este dia.

Pois, minha dona, aqui fico,

Já daqui me não arranco,

Achei um recurso rico:

Deixo este número em branco.

Não dou Gazeta nem nada;

Não falo em cousa nenhuma,

Gouvea, moção, espada;

Em suma, de nada, em suma.

E tanto mais ganho nisto

Que, como se fala em rolo,

Podia um lance imprevisto

Tirar-me o melhor consolo.

Que é este: olhar para a rua

Cheia de cousas chibantes,

E dizer — Feliz a lua...

Se é que não tem habitantes.

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