Gazeta de Holanda - N.° 12

5 DE FEVEREIRO DE 1887.

Voilà ce que l'on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Quem diria que o Cassino,

Onde a fina flor se ajunta,

Ficaria tão mofino,

Que é quase cousa defunta?

Aqueles lustres brilhantes,

Que viram colos e braços,

Pares e pares dançantes,

E os ardores e os cansaços;

Que viram andar em valsas,

Quadrilhas, polcas, mazurcas,

Moças finas como as alças,

Moças gordas como as turcas;

Que escutaram tanta cousa

Falada por tanta gente,

Que eternamente repousa,

Ou geme velha e doente;

Que viram ir tanta moda

De toucados e vestidos,

Vestidos de grande roda,

E vestidos escorridos;

Ministros e diplomatas,

E outros hóspedes ilustres,

E sábios e pataratas...

Ó vós, históricos lustres,

Que direis vós desse estado,

Cassino a beira de um pego;

Melhor direi pendurado

De um prego, lustres, de um prego?

Deve até o gás, aquele

Gás que encheu os vossos bicos,

Que deu vida, em tanta pele,

A tantos colares ricos.

Deve ordenados, impostos,

E gastos tão incorretos,

Que até não foram expostos

Por diretores discretos.

E vede mais que há ruínas

No edifício, e é necessário

Colher muitas esterlinas

Para torná-lo ao primário.

E há mais, há a idéia nova

De alguns acrescentamentos,

É pôr o Cassino à prova

Com outros divertimentos.

Oxalá que a cousa saia

Como se deseja. Entanto

Posto que a reforma atraia,

Acho outro melhor encanto.

Não basta que haja bilhares,

Conversações e leituras

Partidas familiares,

E algumas outras funduras.

Preciso é cousa mais certa,

Cousa que dê gente e cobres,

Disso que chama e que esperta

Vontades ricas e pobres!

Não digo elefante branco,

Nem galo de cinco pernas,

Nem a ossada de um rei franco,

Nem luminárias eternas.

Mas há cousa que isso tudo

Vale, e vale mais ainda,

Cousa de mira e de estudo,

Cousa finda e nunca finda.

Que seja? Um homem. E que homem?

Um homem de Deus, um Santos,

Que entre as dores que o consomem

Não esquece os seus encantos.

Esse general que estava

Há pouco em Paris, e voa

Quando apenas se curava.

Voa por mais que lhe doa,

Voa à pátria, onde uns pelintras,

A quem confiara o Estado,

Para ir ver as suas Cintras,

E tratar-se descansado,

Entenderam que podiam

Passos de pouco préstimo

Governar, e que o fariam,

Como seu, o que era empréstimo.

Homem tal, que mais não sente

Que a sede do eterno mando,

Que, inda prostrado e doente,

Quer morrer, mas governando,

Olhe o Cassino, valia

Algum esforço em pegá-lo

No dia, no próprio dia

Em que passasse, e guardá-lo.

Pois tão depressa a Assembléia

Oriental e aterrada

Soubesse disso — uma idéia

Seria logo votada.

Vejam que idéia e que tino:

Que anualmente o seu tesouro

Pagasse ao nosso Cassino

Trezentos mil pesos de ouro,

Quando à velha sociedade

Particular encomenda

De guardar nesta cidade

Aquela famosa prenda.

Com isso, e mais o cobrado

Às pessoas curiosas,

Passavas de endividado,

Cassino, a maré de rosas.

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