Gazeta de Holanda - N.º 10

10 DE JANEIRO DE 1887.

Voilà ce que l’on dit de moi

Dans la Gazette de Hollande.

Depois de férias tão longas;

Tão docemente cumpridas,

Ó musa, minhas candongas,

Voltemos às nossas lidas.

Assim faz a Pátria, às vezes,

E é certo que não estoura;

Descansa um mês ou dois meses

O nosso C. B. de Moura.

E a Pátria, meia enfadada

Daquelas extensas férias,

Volta mais fortificada

Aos combates e às pilhérias.

Eia, pois, minha gorducha,

Vê que recomeça a aurora,

Puxa daqui, puxa, puxa,

Vamos trabalhar lá fora.

E antes de tudo, inclinando

O gesto a todos os lados,

Vai a todos desejando

Plácidos dias folgados.

Desejarás uma boa

Vereança aos cariocas,

Que se não esgote à toa,

Em longas brigas e mocas;

Que eleja pacatamente,

Sem atos tumultuários,

O seu vice-presidente

E os restantes comissários.

Pouco calor, pouca chuva,

Nenhuma peste que assole,

Algum vinho feito de uva,

E menos gente que amole.

Grandes bailes mascarados

E passeatas nas ruas,

Câmaras de deputados

Sem as discussões tão cruas.

Boatos, sobre boatos,

De modo que quem passeie

Por esses bonds ingratos

Tenha cousa que recreie.

E mais que tudo, meu anjo;

Anjo meu do meu sacrário,

Desejo um bonito arranjo

Ao nosso estafado erário.

Não sei se leste a mensagem

De Cleveland, um documento

De americana homenagem

Lá, para o seu parlamento.

Pois conta-se aí (por esta

Luz do céu minh'alma jura

Que não é peta funesta,

Mas pura verdade, pura);

Conta-se que a renda é tanta

Que urge cortar-lhe os babados,

Que é demasiada a manta

Para tão vastos Estados.

Que, se vão nessa carreira,

Pagam aqueles senhores

Em breve a dívida inteira,

E ficarão sem credores.

Depois vem maior excesso

De renda, e será tamanho

Que não haverá processo

De o dar a melhor amanho,

Porque ou fica no tesouro,

Inútil, mudo e parado,

Ou saem carradas de ouro

Para os delírios do Estado.

Ora bem, estes fenômenos

Dados como desastrosos,

Terríveis paralipômenos

De grandes livros lustrosos,

Hás de pedi-los, amiga,

Mas pedi-los de maneira

Que uma segunda barriga

Coma sem dor da primeira.

Es decir, que aquela caixa

Que ronca de tanta altura,

Se quiser ficar mais baixa

Tem receita mais segura:

Pegue em si, tire metade

E verá como lhe pego,

Pego-lhe com ansiedade,

Com ansiedade de cego.

E digo ao Tesouro nosso

— Amigo, aqui tens dinheiro;

Precisas deles, aqui posso

Dá-lo às tuas mãos inteiro.

Vê tu que singular obra

A deste mundo peralta,

Geme um — pelo que lhe sobra,

E outro — pelo que lhe falta.

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