Crisálidas - Notas

MACHADO DE ASSIS

RIO DE JANEIRO, 1° DE SETEMBRO

DE 1864

 

 

 

 

 

 

 

* Os versos que se seguem, na primeira edição das “Crisálidas”, faziam parte da poesia “Versos a Corina”, e vinham precedidos de três asteriscos indicativos de pausa, após a série de quadras que termina:

 

És tu a maior glória de minha alma,

Se o meu amor profundo não te alcança,

De que me servirá outra esperança?

Que glória tirarei de alheia palma?

 

                               *

                          *       *

 

Que valem glórias vãs? A glória, a melhor glória,

É esta que nos orna a poesia da história;

É a glória do céu, e a glória do amor.

É Tasso eternizando a princesa Leonor;

É Lívia ornando a lira ao venusino Horácio;

É a doce Beatriz, flor e honra do Lácio,

Segundo além da vida as viagens do Dante;

É do doce cantor do Gama o hino triste a amante

Levando à eternidade o amor de Catarina;

É o amor que une Ovídio à formosa Corina;

O de Cíntia a Propércio, o de Lêsbia a Catulo;

O da divida Délia ao divino Tibulo.

Esta a glória que fica, eleva, honra e consola;

Outra não há melhor. Se faltar esta esmola,

Corina, ao teu poeta, e se a doce ilusão,

Com que alenta e vive o amante coração,

Deixar-lhe um dia o céu tão azul, tão tranqüilo,

Nenhuma glória mais há de nunca atraí-lo.

Irá longe do mundo e dos seus vãos prazeres,

Viver na solidão a vida de outros seres,

Vegetar como arbusto, e murchar, como a flor,

Como um corpo sem alma ou alma sem amor.

 

Entre estes versos encontra-se o célebre

 

 Esta a glória que fica, eleva, honra e consola,

 

que os acadêmicos escolheram para ser exarado no frontispício da Academia de Letras por baixo da estátua do autor de “Quincas Borba”.

 



[i] E ao som dos nossos cânticos; etc.

Estes versos são postos na boca de uma hebréia. Foram recitados no Ateneu Dramático pela eminente artista D. Gabriela da Cunha, por ocasião da exibição de um quadro do Cenógrafo João Caetano, representando o dilúvio universal.

 

[ii] Foi com alguma hesitação que eu fiz inserir no volume estes versos. Já bastava o arrojo de traduzir a maviosa elegia de Chenier. Poderia eu conservar a grave simplicidade do original? A animação de um amigo decidiu-me a não imolar o trabalho já feito; aí fica a poesia; se me sair mal, corre por conta do amigo anônimo.

[iii] Este canto é tirado de uma tragédia de M.me Emile de Girardin. O escravo, tendo visto coroado o seu amor pela rainha do Egito, é condenado a morrer. Com a taça em punho, entoa o belo canto de que fiz esta mal amanhada paráfrase.

[iv] Esta poesia foi recitada no Clube Fluminense, num sarau literário. Pareceu então que eu fazia sátira pessoal. Não fiz. A sátira abrange uma classe que se encontra em todas as cenas políticas, — é a classe daqueles que, como se exprime um escritor, depois de darem ao povo todas as insígnias da realeza, quiseram completar-lha, fazendo-se eles próprios os bobos do povo.

[v] Em 1858, eu e o meu finado amigo F. Gonçalves Braga resolvemos fazer uma tradução livre ou paráfrase destes versos de Alexandre Dumas filho. No dia aprazado apresentamos e confrontamos o nosso trabalho. A tradução dele foi publicada, não me lembro em que jornal.

[vi] ............. Se a mão de um poeta

Vos cultiva agora, ó rosas, etc.

O Dr. Caetano Filgueiras trabalha há tempos num livro de que são as rosas o título e o objeto. É um trabalho curioso de erudição e de fantasia; o assunto requer, na verdade, um poeta e um erudito. É a isso que aludem estes últimos versos.

[vii] A dedicatória desta poesia ao padre-mestre Silveira Sarmento é um justo tributo pago ao talento, e à amizade que sempre me votou este digno sacerdote. Pareceu-me que não podia fazer nada mais próprio do que falar-lhe de Monte Alverne, que ele admirava, como eu.

Não há nesta poesia só um tributo de amizade e de admiração: há igualmente a lembrança de um ano de minha vida. O padre-mestre, alguns anos mais velho do que eu, fazia-se nesse tempo um modesto preceptor e um agradável companheiro. Circunstâncias da vida nos separaram até hoje.

[viii] Este canto é extraído de um poema do poeta polaco Mickiewicz, denominado Conrado Wallenrod. Não sei como corresponderá ao original; eu servi-me da tradução francesa do polaco Christiano Ostrowski.

[ix] As três primeiras poesias desta coleção foram publicadas sob o anônimo nas colunas do Correio Mercantil; a quarta e quinta saíram no Diário do Rio, sendo esta última assinada. A sexta é inteiramente inédita.

[x] Esta poesia, como se terá visto, é a resposta que me deu o meu amigo F. X. de Novaes, a quem foram dirigidos os versos anteriores. Tão bom amigo e tão belo nome tinham direito de figurar neste livro. O leitor apreciará, sem dúvida, a dificuldade vencida pelo poeta que me respondeu em estilo faceto, no mesmo tom e pelos mesmos consoantes.

 

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