Crisálidas - ALPUJARRA

(Mickiewicz)

 

1862

 

Jaz em ruínas o torrão dos mouros;

Pesados ferros o infiel arrasta;

Inda resiste a intrépida Granada;

Mas em Granada a peste assola os povos.

 

Cum punhado de heróis sustenta a luta

Fero Almansor nas torres de Alpujarra;

Flutua perto a hispânica bandeira;

Há de o sol d’amanhã guiar o assalto.

 

Deu sinal, ao romper do dia, o bronze;

Arrasam-se trincheiras e muralhas;

No alto dos minaretes erguem-se as cruzes;

Do castelhano a cidadela é presa.

 

Só, e vendo as coortes destroçadas,

O valente Almansor após a luta

Abre caminho entre as inimigas lanças,

Foge e ilude os cristãos que o perseguiam.

 

Sobre as quentes ruínas do castelo,

Entre corpos e restos da batalha,

Dá um banquete o Castelhano, e as presas

E os despojos pelos seus reparte.

 

Eis que o guarda da porta fala aos chefes:

“Um cavaleiro, diz, de terra estranha

Quer falar-vos; — notícias importantes

Declara que vos traz, e urgência pede”.

 

Era Almansor, o emir dos Muçulmanos,

Que, fugindo ao refúgio que buscara,

Vem entregar-se às mãos do Castelhano,

A quem só pede conservar a vida.

 

“Castelhanos”, exclama, o emir vencido

No limiar do vencedor se prostra;

Vem professar a vossa fé e culto

E crer no verbo dos profetas vossos.

 

“Espalhe a fama pela terra toda

Que um árabe, que um chefe de valentes,

Irmão dos vencedores quis tornar-se,

E vassalo ficar de estranho cetro!”

 

Cala no ânimo nobre ao Castelhano

Um ato nobre... O chefe comovido,

Corre a abraçá-lo, e à sua vez os outros

Fazem o mesmo ao novo companheiro.

 

Às saudações responde o emir valente

Com saudações. Em cordial abraço

Aperta ao seio o comovido chefe,

Toma-lhe das mãos e pende-lhe dos lábios.

 

Súbito cai, sem forças, nos joelhos;

Arranca do turbante, e com mão trêmula

O enrola aos pés do chefe admirado,

E junto dele arrasta-se por terra.

 

Os olhos volve em torno e assombra a todos:

Tinha azuladas, lívidas as faces,

Torcidos lábios por feroz sorriso,

Injetados de sangue ávidos olhos.

 

“Desfigurado e pálido me vedes,

Ó infiéis! Sabeis o que vos trago?

Enganei-vos: eu volto de Granada,

E a peste fulminante aqui vos trouxe”.

 

Ria-se ainda — morto já — e ainda

Abertos tinha as pálpebras e os lábios;

Um sorriso infernal de escárnio impresso

Deixara a morte nas feições do morto.

 

Da medonha cidade os castelhanos

Fogem. A peste os segue. Antes que a custo

Deixado houvessem de Alpujarra a serra,

Sucumbiram os últimos soldados.

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