Unidades Cambiais
Definição
Câmbio é toda operação em que há troca de moeda nacional por moeda estrangeira ou vice-versa. Por exemplo: a corretora vende a você moeda estrangeira (recebe moeda nacional e lhe entrega moeda estrangeira) quando você vai viajar para o exterior e precisa de moeda estrangeira para sua estada, suas compras etc.; a corretora compra de você moeda estrangeira (recebe a moeda estrangeira e lhe entrega moeda nacional) quando você retorna de viagem do exterior e ainda possui algum dinheiro do país que você visitou, dinheiro que não será usado no Brasil. Fonte
Importância
Permitem as relações entre residentes e não-residentes devido à diferença no uso da moeda. A taxa de câmbio é uma variável importante dentro de uma economia, pois pode influenciar o nível de produção e de inflação dessa economia, além do próprio comércio externo e dos movimentos de capital relacionados a esse país, e de vários outros aspectos de sua economia. Quando os residentes de dois países comercializam entre si, uma das partes normalmente usa o mercado de câmbio para troca à moeda de um país pela moeda do outro. Nesse mercado, os ofertantes de uma moeda interagem com seus demandantes uma taxa de câmbio - o preço de uma moeda em termos de troca Na prática, à moeda de cada país e negociada em diversos mercados ao redor do mundo. FONTE
Determinantes da taxa de câmbio
Em uma economia de câmbio flutuante e liberdade de movimentação de capitais, a taxa de câmbio é determinada pela oferta e demanda por moeda estrangeira, resultantes das transações internacionais entre residentes e não-residentes. Mas para quais fins os agentes econômicos demandam moeda estrangeira e de quais fontes resulta a oferta?
Os agentes econômicos demandam moeda estrangeira para importações de bens e serviços, compra de ativos estrangeiros, transferências unilaterais e investimentos diretos no exterior. Por outro lado, a oferta de moeda estrangeira é resultante de exportações de bens e serviços, venda de ativos nacionais, transferências unilaterais e investimentos estrangeiros diretos (IEDs).
Com exceção das importações e exportações, as demais variáveis são pouco sensíveis à taxa de câmbio, sendo a compra e venda de ativos, assim como o investimento direto muito mais sensíveis à taxa de juros e este último à eficiência marginal do capital também.
Assim sendo, a curva de demanda possui inclinação negativa, pois na medida em que a taxa de câmbio sobe e, por conseqüência, a moeda nacional se desvaloriza em relação à estrangeira, fica mais caro em moeda nacional adquirir bens e serviços estrangeiros e isso concorre para a redução das importações e da demanda por moeda estrangeira (desde que os demais preços da economia permaneçam constantes). Por outro lado, a curva de oferta possui inclinação positiva, pois na medida em que a taxa de câmbio sobe e, por conseqüência, a moeda estrangeira se valoriza em relação à nacional, fica mais barato para os não-residentes importar bens e serviços concorrendo para o aumento das exportações e da oferta de moeda estrangeira. No ponto de intersecção dessas curvas, ou seja, no ponto em que elas se cruzam fica determinada a taxa de câmbio. FONTE
A taxa de câmbio pode ser afetada pela taxa de juros interna, que possui o poder de afetar o fluxo de entrada e saída de divisas, a inflação dos produtos nacionais e internacionais afetam a comparação do poder de compra entre os agentes de diferentes paises. Os exportadores são conhecidos no mercado de cambio como ofertante de divisas internacionais e os importadores como demandantes. Além disso, a estabilidade econômica e política afetam as expectativas com relação ao mercado cambial, quanto mais estável menor serão as incertezas.
Diferença entre taxa de câmbio nominal e real
>> taxa nominal
▪ expressa a quantidade de moeda domestica para a conversão em uma unidade de moeda estrangeira.
>> taxa real
▪ expressa o poder de compra produto nacional em relação ao produto estrangeiro.
E = e . p* sendo (E) a taxa real de câmbio
p sendo (e) a taxa nominal
sendo (p*) o índice de preço externo
sendo (p) o índice de preço interno
Pela fórmula, observa-se que a taxa de câmbio nominal deve ser o ajuste que irá equiparar o poder de compra entre os produtos nacionais e estrangeiros. Se o índice de preço externo subir, para que a taxa de cambio real seja a mesma, a taxa de câmbio nominal deve subir proporcionalmente.
Terminologia
>> Desvalorização: Redução oficial do valor real da moeda de um país em relação a moedas estrangeiras.
>> Valorização: Elevação oficial do valor real da moeda de um país em relação a moedas estrangeiras.
>> Sobrevalorização: Situação na qual determinado de uma determinada está valendo mais do que seu valor real de mercado.
>> Sub-avaliação: Situação na qual determinado de uma determinada está valendo menos do que seu valor real de mercado.
Alguns manuais mostram que o câmbio reduz ou eleva, estaria incorreto dizer valorização do câmbio. Exemplo: Se o dólar custava ontem R$ 1,50 e hoje custa R$ 1,00, o correto é dizer que o dólar desvalorizou em relação ao real, o real valorizou em relação ao dólar e a taxa de câmbio reduziu. No entanto, vários economistas não entraram no consenso em relação a esse critério.
Regimes cambiais
>> São políticas adotadas para o controle das taxas de câmbio.
▪ Câmbio fixo: Quando não há a variação da taxa de câmbio (ação do governo e ausência de mercado).
▪ Câmbio flutuante: Quando a taxa varia de acordo com o mercado
Flutuação limpa: Quando não há intervenção do governo
Flutuação suja: Quando existe a presença do governo
▪ Bandas cambiais: Quando o governo estipula um teto e um piso para que a taxa de câmbio ali flutue e interfere quando for preciso.
Tipos de câmbio
Câmbio livre. Regime de operações do mercado de divisas sem interferência das autoridades monetárias. A liberação da taxa cambial faz com que o valor das moedas estrangeiras flutue de acordo com o interesse que despertam no mercado, segundo a interação da oferta e da procura. O câmbio livre é também chamado de flutuante ou errático. As flutuações da taxa cambial apresentam uma série de riscos, pois o mercado de divisas passa a sofrer variações determinadas também por fatores políticos, sociais e até psicológicos. Quando, por exemplo, um país sofre uma crise de liquidez, o regime de câmbio livre estimula a especulação com moeda estrangeira, o que eleva excessivamente sua cotação e agrava sua escassez. Da mesma forma, os importadores passam a utilizar maior quantidade de divisas (moeda estrangeira) para suas compras, querendo evitar pagá-las mais caro com o avanço da crise, o que agrava a crise de liquidez.
Câmbio manual. Designação do ato de troca física da moeda de um país pela de outro.
As operações manuais de câmbio só se fazem em dinheiro efetivo e restringem-se a quem viaja ao exterior, seja a negócios ou turismo, ou em troca da moeda nacional: quem viaja ao exterior recebe divisas estrangeiras na forma de moeda legal ou de traveller’s checks (cheques de viagem). Nas transações de comércio exterior ou de país a país, utilizam-se divisas sob a forma de letras de câmbio, cheques, ordens de pagamento ou títulos de crédito.
Câmbio múltiplo. Sistema de câmbio em que as taxas variam de acordo com a destinação do uso da moeda estrangeira. Acaba funcionando como um tipo de subsídio para a compra de alguns produtos e/ou como taxação na compra de outros. É adotado tanto para a importação quanto para a exportação, e alguns países o adotam oficialmente. O Brasil não possui câmbio múltiplo, mas certas regulamentações de natureza cambial criam efeito semelhante. A taxa de câmbio para a compra de petróleo, por exemplo, é mais baixa do que a taxa oficial. Ao contrário, durante certo tempo, houve uma taxação de 25% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na compra de moeda estrangeira por turistas brasileiros que viajavam ao exterior, criando na prática um dólar mais caro do que o oficial para esse tipo de atividade. Estão no mesmo caso a taxação variável dos produtos de importação (com alíquotas maiores para os chamados supérfluos) e o confisco cambial incidente sobre produtos de exportação como o café.
Câmbio negro (ou Câmbio Paralelo). Compra e venda ilegais de moedas estrangeiras, acima das taxas oficiais, com o objetivo de lucro. O mecanismo básico do câmbio negro consiste em obter divisas pela taxa oficial (ou ligeiramente acima) e vendê-las ao preço vigente nas transações paralelas. O mercado paralelo de divisas está mais sujeito a oscilações que o mercado oficial, pois o valor das transações obedece estritamente aos mecanismos da oferta e da procura. Nos períodos que antecederam a desvalorização do cruzeiro, por exemplo, observou-se uma demanda acentuada de moedas fortes, principalmente o dólar, ocasionando a escassez de divisas no mercado. O câmbio negro intensifica-se quando o controle cambial se torna mais rígido, geralmente em situações de crise no balanço de pagamentos. As transações ilegais são muito variadas, incluindo desde a simples compra e venda de divisas entre particulares (turistas, em sua maior parte) até complexas operações de transferência irregular de vultosas somas para o exterior, as quais retornam depois ao país para estimular ainda mais a especulação de moedas estrangeiras. Essas operações supõem a existência de redes de especuladores de divisas que atuam em vários países, tendo às vezes a conivência de funcionários de instituições monetárias e financeiras. Veja também Câmbio Livre.
Câmbio oficial. Conjunto das taxas de conversão de divisas em relação à moeda nacional, fixadas pelas autoridades monetárias. As cotações oficiais das moedas estrangeiras nos regimes de controle cambial baseiam-se em taxas rígidas, em geral um pouco mais baixas do que se estivessem sujeitas à flutuação da oferta e da procura. Essas cotações são mantidas por determinados períodos e sua correção reflete o índice de desvalorização da moeda nacional em relação à moeda forte ou moeda-padrão (geralmente o dólar).
FONTE: Novíssimo Dicionário de Economia
Algumas observações
>> Inflação interna encarece os produtos nacionais.
>> Inflação externa barateia os produtos nacionais.
>> Para que a taxa real de câmbio não se altere, a taxa de câmbio nominal deve alterar proporcionalmente ao diferencial de inflação entre os países.
Mais informações
>> Perguntas e respostas sobre o câmbio
>> Informações sobre o câmbio através do Banco Central
>> Informações sobre o câmbio através do IPEA



















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