Tendências da história


A Microsoft criou um programa fantástico que trabalha com tabelas e destas criam gráficos que mostram tendências, simplesmente incrível.

Obviamente, se trata do Excel, um aplicativo do pacote Office, que não é novo e muito menos único no mercado de software.

Aqui não cabem propagandas ou análises de sistemas, até porque vai de encontro com o objetivo deste espaço. A intenção é perceber que estamos acostumados a fazer a todo o momento previsões, esperamos que determinado fenômeno ocorra dado o que ocorreu anteriormente.

O que dizer de um aluno que obtém na primeira prova do semestre uma nota 4, na segunda 6 e na terceira 8, se houvesse uma quarta prova? Nessa progressão aritmética acreditaríamos que possivelmente obteria 10. Se fizéssemos uma regressão para analisar por quais variáveis a nota desse aluno é explicada, poderíamos prever o valor da quarta prova, dada a variação das explicações para tal nota.

Neste mesmo exemplo, suponhamos que a nota que o aluno obtém depende da quantidade de horas que esse reserva para estudar. Quanto maior o número de horas, melhor será o seu desempenho na prova. Mas poderia tal aluno estudar mais para a quarta prova que assim o fez na terceira e obter uma nota inferior?

Sim, isso porque temos que considerar o grau de dificuldade da prova, a disposição para o estudo, o compreendimento dos assuntos anteriores, entre outros motivos. Seria possível, portanto, agregar todas as relações num modelo regressão?

A matemática ensina e a econometria interpreta que todos os fatores que interferem na nota do aluno e que não estão demonstrados no modelo deverão fazer parte do que é conhecido como termo de erro. Este termo deve ser mantido constante – significa que as variáveis omitidas não podem se alterar. Mas e se alterarem? Complicamos o modelo.

A velha resposta para estas indagações é dada com um exemplo: Perceba um mapa geográfico, de forma alguma este expressa a realidade como um todo, mas nem por isso deixa de ser útil.

Assim também ocorre com os modelos econômicos, que tornam todas as variáveis que os economistas não podem explicar – explicar de maneira matemática, com relações, funções, gráficos ou tabelas – em ceteris paribus. E a idéia não é toda equivocada, pois é possível estabelecer relações interessantes sobre diversos elementos.

Mas se conhecemos as variáveis mais relevantes que explicam um fenômeno, existe a necessidade de se conhecer a história evolutiva dessas variações? A inflação aumenta, para se expor uma analise desse problema é relevante que analisemos situações passadas de alta de preço dentro de seu contexto histórico?

No mesmo exemplo simplista consideremos, se o aluno estuda a mesma quantidade de tempo para uma prova, com o mesmo grau de dificuldade e nas mesmas condições da terceira prova, qual resultado esperaríamos que ocorresse na quarta prova? Mais uma vez que ele tire 10, já que a tendência descrita pelo Excel mostra que há uma progressão aritmética.

Mas a quarta prova pode ser a seqüência lógica do conteúdo da disciplina, podendo o aluno compreender um determinado assunto dependendo da base de conhecimento que ele adquiriu. O conhecimento é um processo cumulativo, não é plausível dizer que tal aluno poderia começar o semestre fazendo a quarta prova, dado que ainda não aprendeu a matéria.

E o que tem a ver as tendências com a história? As previsões são importantes para nortear nossos trabalhos, mas como a realidade é dinâmica, alguns elementos são incertos, podemos esperar um determinado fato ocorra, mas por existir assimetria de informações é possível que erremos em nossas previsões.

Não é no sentido de adaptação que a história importa, como alguns acreditam que se algo ocorreu hoje é provável, dada as mesmas condições, ocorra novamente amanha. Mas no sentido de aprendizado, cumulatividade e principalmente especificidade de um determinado período.


(Copiado, na íntegra, do site http://academiaeconomica.blogspot.com )

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