Concorrência Perfeita

As teorias microeconômicas exploram os elementos de mercado e suas implicações, mas as conclusões encontradas muitas vezes dependem da estrutura de mercado em questão. Por isso é importante compreender quais as diferenças entre os tipos de mercado, os pressupostos que estão por trás dos modelos e quais as implicações nas ações reais na economia.

Concorrência Perfeita

>> Grande número de firmas.
> Existem diversas firmas no mercado, todas muito pequenas em relação ao mercado como um todo, semelhantes ou porque não dizer iguais em capacidade.
>> Agentes tomadores de preço.
> Produtores e consumidores são muito pequenos individualmente para que afetem os preços.
>> Produtos homogêneos.
> Os produtos são idênticos entre todas as firmas, são substitutos perfeitos.
>> Objetivo único de maximização.
> Os agentes buscam maximizar sua satisfação e minimizar sua dor. Maximizar lucro, consumo, salários e minimizar trabalho, custo e etc.
>> Não há regulamentação governamental.
> As forças do mercado agem livremente sem a interferência de nenhum agente externo como o governo.
>> Livre entrada e saída do mercado.
> Não existe barreiras à entrada, os produtores podem mudar de mercado facilmente e os compradores mudarem facilmente de produtores.

Até aqui estes pressupostos asseguram a concorrência pura.

>> Perfeita mobilidade de capitais
> A livre entrada e saída de capitais no mercado em longo prazo, há uma mudança fácil de mercado de atuação.
>> Racionalidade dos agentes
> Os agentes detém perfeito conhecimento e informação livre e sem custos, não há incerteza quanto ao futuro.

Esse dois últimos pressupostos completam o que conhecemos como concorrência perfeita.

A concorrência perfeita em uma analogia seria o melhor dos mundos na economia. Todas as ações desencadeariam em novos processos que ao final chegariam ao equilíbrio. Isso significa que o mercado pode resolver todos os fenômenos econômicos. A implicação disso na realidade é a ideologia de que o governo deve se manter afastado da economia e não intervir sob nenhuma hipótese.

Todas as firmas são idênticas assim como seus produtos, um pressuposto a primeira vista difícil de compreender. Dependendo do conceito de concorrência que se adota, este tipo de mercado é razoável ou não. Se concorrência for tomada como um mercado que possui diversas firmas, onde o consumidor possui liberdade de escolha a concorrência perfeita é a concorrência em seu último grau.

Não se deve neste caso, como afirmam diversos economistas, aproximar concorrência com disputa, conflito ou guerra. Afinal, cada agente é pequeno demais para embarcar em uma “guerra”, além disso, qualquer ação neste sentido seria uma ameaça para essa estrutura, o mais correto é pensar que o mercado atuará de forma a equilibrar as ações dos agentes.

Caso concorrência seja um processo no qual as empresas se relacionam a fim de se manter e aumentar o espaço no mercado, não existe concorrência na concorrência perfeita. Para concorrer é preciso ser diferente, seja no produto, seja na firma ou no cliente, mas isso fere as bases da CP. Se alguma firma obtém no processo concorrencial uma parcela maior do mercado, esta começa a ter influência sobre os preços do mercado, mais uma vez outro pressuposto ferido.

O ponto principal não é discutir sobre a viabilidade dos paradigmas lançados pela 
teoria neoclássica, mas compreender no que implicam. Na academia, os ensinamentos da teoria ortodoxa muitas vezes estão supondo este tipo de mercado, que como anteriormente dito, é o melhor dos mundos.

Na concorrência perfeita, os empresários maximizam lucros, ou seja, obtêm o máximo de lucro, dada as condições apresentadas. Assim o fazem porque detem completa informação sobre o perfil da receita e dos custos. Os manuais mostram que o lucro é máximo quando a receita marginal equivale ao custo marginal. A este nível se estabelece o preço que maximiza os lucros.

O tempo é um fator importante na analise, o único fator que varia no curto prazo é o trabalho, o capital varia apenas no longo prazo (tempo de realização do investimento). Na CP as firmas não auferem lucros extras – lucros extraordinários derivados do poder de monopólio – no longo prazo, isso pode ocorrer no curto prazo. A explicação é simples, se há livre entrada e saída e um mercado fornece lucros altos, outras empresas entram. Se há prejuízos, no longo prazo as empresas saem, essas são as forças equilibradoras.

A racionalidade e a simetria de informações constroem outra característica marcante de quem adota essa linha de raciocínio, o uso da matemática e estatística. A busca por tornar a ciência social mais próxima da ciência natural é o objetivo de diversos economistas, que acreditam que a ferramenta de calculo é fundamental nas análises econômicas. Assim como o uso de gráficos e tabelas são bem freqüentes.

A concorrência perfeita requer um estudo bem profundo, os livros de microeconomia dedicam a maior parte de seu conteúdo a esse tipo de estrutura. Mas para o pesquisador é importante que não se destaque as impossibilidades reais dos pressupostos e sim observar no que o modelo implica, principalmente nas idéias de quem possui uma formação orientada neste sentido.

Recomendações

Varian, Hal (2003): Microeconomia: Princípios Básicos, tradução da 7a edição,
Editora Campus

PYNDICK, Robert e RUBINFELD, Daniel, Microeconomia, 5ª ed., Prentice Hall, 2002.

N. Gregory Mankiw, INTRODUÇÃO À ECONOMIA - Tradução da 3a. Edição Norte-Americana


(Copiado, na íntegra, do site http://academiaeconomica.blogspot.com )

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