Japão

Por sua localização, no extremo leste da Ásia, o Japão tornou-se conhecido como terra do sol nascente. Formado por quatro ilhas principais e 3 mil menores, é extremamente montanhoso, o que dificulta a agricultura e contribui para que 67% do território ainda seja coberto por florestas. A pequena quantidade de terra arável, aliada ao extenso litoral, leva ao desenvolvimento da maior indústria de pesca do mundo. O país é também um dos mais competitivos fabricantes e exportadores de produtos eletrônicos e de automóveis, o que o transformou em segunda potência econômica, atrás apenas dos Estados Unidos (EUA). Sua renda per capita é de quase 40 mil dólares. Com a menor taxa de mortalidade infantil mundial – apenas quatro crianças em cada mil morrem antes de completar 1 ano –, os japoneses também se destacam pela longevidade. Em todo o país há 8,5 mil pessoas centenárias.

Após a II Guerra Mundial, o Japão tem suas instituições reconstruídas em moldes ocidentais. Muito da tradição milenar, no entanto, é mantido. Artes como o ikebana (arranjo de flores), o bonsai (miniaturização de plantas) e a cerimônia do chá tornam-se conhecidas em todo o mundo. O xintoísmo e o budismo permanecem como religiões com o maior número de seguidores. E a mulher continua com um papel mais submisso que nas nações ocidentais. A população é bastante homogênea – apenas 1% não descende de japoneses.



HISTÓRIA – O Japão é herdeiro de uma civilização que remonta ao século VII a.C. No século IV, o clã Yamato unifica os vários estados do país sob um imperador. No século VI, o país invade a Coréia , que vivia sob forte influência chinesa, e assimila muito de sua cultura. Apesar disso, os japoneses mantêm-se durante séculos relativamente isolados do exterior. No século XII, o crescimento da aristocracia militar (os samurais) abala a monarquia. O território passa a ser dominado por xoguns, senhores feudais que permanecem no poder até o século XIX. Os primeiros contatos do Japão com o Ocidente datam do século XVI, quando missionários portugueses formam uma pequena comunidade cristã no Estado. Em 1603, o xogum Tokugawa Leyasu estabelece a capital em Edo (atual Tóquio), proíbe o cristianismo e fecha o país a estrangeiros. Nos 250 anos seguintes, o único ponto de contato com o Ocidente é um pequeno posto comercial em Nagasaki.

Imperialismo – Na segunda metade do século XIX, o Japão abre os portos ao comércio externo. Em 1868 começa a Era Meiji: assume o imperador Mutsuhito, que abole o feudalismo. Apesar da resistência ao imperialismo ocidental, no final do século o país dá início à própria expansão. Vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), em que disputa o controle da Coréia. Com a vitória militar, recebe as ilhas de Taiwan (Formosa) e dos Pescadores, além de volumosa indenização. Por manter o interesse na Coréia, o Japão entra em guerra com a Rússia (1904-1905). Novamente vitorioso, consolida-se como potência e inicia sua expansão imperialista.

Exerce influência sobre Manchúria (na China), Coréia – transformada em colônia em 1910 – e Sakalina (ilha hoje que pertence à Federação Russa). O Japão fica ao lado dos Aliados na I Guerra Mundial e obtém vantagens no Tratado de Versalhes. Nos anos 20, a crise econômica abre caminho para o nacionalismo de direita, que se torna dominante no governo. Em 1931, o Japão invade a Manchúria, onde estabelece em 1934 o Estado-fantoche do Manchukuô, cujo testa-de-ferro é Pu Yi, o último imperador chinês.

II Guerra Mundial – O governo militarista japonês alia-se à Alemanha e à Itália em 1940 e ocupa a Indochina francesa no ano seguinte. A expansão militar coloca o Japão em choque com os EUA. Em dezembro de 1941, os japoneses realizam um ataque-surpresa e destroem a esquadra norte-americana ancorada em Pearl Harbor, no Havaí. O Japão toma o sudeste da Ásia e a maior parte do Pacífico Ocidental, mas é derrotado pelas forças aliadas e retira-se das áreas ocupadas. A rendição só acontece em setembro de 1945, após a explosão das bombas atômicas jogadas pelos EUA nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Os norte-americanos ocupam o Japão até abril de 1952 e impõem uma Constituição e um sistema de governo nos moldes das democracias ocidentais. O Japão assina em 1954 um tratado de defesa mútua com os EUA, que inclui a instalação de bases militares norte-americanas. As instituições políticas conservam, porém, certas características anteriores, como a tradição de lealdade ao chefe. A combinação desse traço cultural com um sistema clientelista garante o domínio do Partido Liberal Democrático (PLD) a partir de 1955.

Corrupção e máfia – Denúncias de corrupção e sucessivos escândalos acompanham a vida política japonesa desde a renúncia e a prisão do primeiro-ministro Kakuei Tanaka em 1974, mas não põem fim à hegemonia do PLD. Em janeiro de 1989, morre o imperador Hiroíto, no trono desde 1926, substituído pelo filho Akihito. Em 1993, novas revelações de corrupção provocam cisão no PLD. Dois grupos dissidentes aliam-se a outros partidos e formam um governo, mas a fragilidade da coalizão leva a seu colapso. Em 1994, o Japão tem seu primeiro chefe de governo socialista, Tomiichi Murayama, cujo partido se une ao PLD. Em 1996, o PLD volta ao poder, com a inesperada renúncia de Murayama. O novo primeiro-ministro é Ryutaro Hashimoto. Em 1997 surgem evidências de que alguns dos principais bancos e corretoras fazem pagamentos à máfia japonesa (Yakuza), o que causa grande impacto na economia.

Disputa comercial – Nos anos 80, irrompe um conflito comercial com os EUA por causa do protecionismo japonês e do desequilíbrio da balança comercial entre os dois países, desfavorável aos norte-americanos. Medidas de estímulo à importação e de desregulamentação do mercado financeiro são adotadas pelo governo japonês em 1986, mas o superávit comercial do Japão se mantém. Em 1987, o presidente norte-americano Ronald Reagan proíbe a importação de diversos produtos japoneses.

Recessão – O Japão enfrenta uma crise de grandes proporções nos anos 90. O crescimento da década anterior – assentado na acelerada automação de indústrias mecânicas – levara os bancos a dispor de muitos recursos, que, investidos no mercado imobiliário e na Bolsa de Tóquio, propiciam a supervalorização de ativos (imóveis, ações etc.), conhecida como bolha especulativa. A crise chega ao ápice em 1991, em meio a intenso movimento de venda dos ativos, cujos preços desabam, dificultando o pagamento dos empréstimos feitos. Sem conseguir receber os créditos, o setor bancário é o mais prejudicado. No decorrer da década, o produto interno bruto (PIB) japonês apresenta um baixo crescimento. O país não acompanha a revolução tecnocientífica da informação e das telecomunicações, que leva à criação de empresas gigantes nesse setor, sobretudo nos EUA. Nos últimos anos, enfrenta a concorrência acirrada não só dos EUA, mas também de Taiwan (Formosa) e da Coréia do Sul. Em 1997, os efeitos da crise financeira no Sudeste Asiático se fazem sentir no Japão, grande investidor na região . A quarta maior instituição financeira do país, a Yamaichi Securities, vai à falência e provoca queda nas principais bolsas de valores.

RECENTEMENTE – No primeiro semestre de 1998, o governo aumenta os gastos públicos para estimular o consumo e reativar os bancos. Mas a economia não mostra sinais de melhora e o iene registra em junho a cotação mais baixa em oito anos – obrigando os EUA a injetar 2 bilhões de dólares no país.

Nas eleições para a renovação de metade das 252 cadeiras da Câmara Alta, em julho, o governista PLD conquista 44 delas, somando 102, e o recém-lançado Partido Democrático do Japão obtém 27 vagas, somando 47. O resultado leva à renúncia de Hashimoto, substituído por Keizo Obuchi, também do PLD.

Sistema financeiro – A crise no setor bancário domina os debates políticos nos meses seguintes. Em outubro e março de 1999, são lançados pacotes de saneamento e recapitalização do sistema financeiro, com a utilização de recursos públicos. A nacionalização de empresas em dificuldades e o incentivo às fusões, medidas centrais, geram temor de demissões em massa, de redução de salários e de fechamento de agências. Em agosto, o Industrial Bank of Japan, o Fuji Bank e o Dai-Ichi Kangyo Bank anunciam uma aliança que, se concretizada, dará origem à maior instituição do mundo no setor. A associação deverá estar concluída em 2002. No mesmo mês, o Asahi e o Tokai comunicam o início de um processo de fusão previsto para se estender até 2001 .

Desemprego – Também decidido a combater o desemprego, em novembro de 1998 o governo aprova um pacote de 200 bilhões de dólares destinado à criação de 1 milhão de postos de trabalho. Nos meses seguintes, no entanto, a taxa mantém a tendência de alta e em junho de 1999 atinge o recorde de 4,9% da população economicamente ativa, o maior índice do pós-guerra.

Ao mesmo tempo, os indicadores do primeiro semestre de 1999 apontam para uma recuperação inesperada da economia – o PIB japonês cresce 2% entre janeiro e março e 0,2% entre abril e junho, contrariando previsões de uma retração de 0,3%. O afluxo de investidores eleva, a partir de maio, a cotação da moeda japonesa em relação ao dólar, prejudicando as exportações. Até setembro a alta é de 15%. O banco central japonês compra dólar no mercado na tentativa de conter a valorização do iene. Recusa-se, porém, a alterar a política monetária e a expandir o crédito, medidas defendidas pelo governo e pelas empresas, o que gera uma crise política momentânea.

Coalizão governista – O premiê Keizo Obuchi conquista maioria na Casa dos Representantes com a adesão do Partido Liberal ao governo em janeiro. É a primeira união das forças conservadoras desde a cisão do PLD em 1993. Obuchi pede maior participação do Japão nas missões de paz da ONU e uma atuação mais incisiva na defesa do país. Entre julho e agosto, consegue incluir na Constituição a tradicional bandeira do Japão – com o sol vermelho sobre fundo branco – e o Hino Nacional, rejeitados por parte da população, que os considera símbolos do sistema imperial e militarista.

Acidente nuclear – O pior acidente nuclear da história do Japão ocorre em setembro, na usina de Tomaikura, a 140 quilômetros de Tóquio. A JCO, empresa controladora da usina, admite sérias falhas de segurança no manuseio de urânio. O vazamento radiativo – de nível 4, numa escala de 1 a 7 – contamina 55 pessoas, três delas de forma grave.

DADOS GERAIS

Japão (Nippon)

Capital: Tóquio.

Nacionalidade: japonesa.



GEOGRAFIA E MEIO AMBIENTE

Localização: leste da Ásia.

Área: 372.819 km².

Clima: temperado continental (N) e subtropical (S).

Características: montanhas (maior parte), 225 vulcões (65 ativos), terremotos freqüentes, fontes termais, gêiseres e águas sulfuradas, planícies no litoral e no interior da ilha de Honshu.



ÁREA DE FLORESTA: 251 mil km² (1995).

Desmatamento: 132 km2 ao ano (1995-2000).

Emissão de CO2 per capita: 9,3 t (1996).

Cidades principais: Tóquio (26.500.000), Osaka (10.600.000) (aglomerados urbanos), Yokohama (3.307.136), Nagoya (2.152.184), Sapporo (1.757.025), Kyoto(1.463.822), Kobe (1.423.792) (1995).

Patrimônios da humanidade: Monumentos Budistas de Horyu-ji; Castelo de Himeji; Ecossistema da Ilha Yaku (Yaku Shima); Bosques e Zona de Proteção Ambiental Shirakami-Sanchi; Monumentos Históricos da Antiga Kyoto, Uji, Otsu e Nara; Vilas Históricas de Shirakawa e Gokayama; Memorial da Paz, em Hiroshima; Santuário Xintoísta Itsukushima.



POPULAÇÃO

126,5 milhões (1999).

composição: japoneses 99%, coreanos 1% (1996).


(Copiado, na íntegra, do site http://www.coladaweb.com/ )

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